Início » Cultura » Artes Plásticas » Estudo revela que Pollock planejava suas telas
Arte

Estudo revela que Pollock planejava suas telas

A pesquisa desbanca a tese de que o expressionista abstrato criava aleatoriamente suas composições

Estudo revela que Pollock planejava suas telas
Obra 'Alchemy', de 1947, de Jackson Pollock (Divulgação/Guggenheim)

Um novo estudo sobre uma obra de Jackson Pollock, conhecido pela técnica do “drip painting”, ou pintura com respingos, desbanca a tese de que ele criava aleatoriamente suas composições. Em exibição agora na sede da coleção Peggy Guggenheim, em Veneza, a obra “Alchemy”, de 1947, tem uma estrutura quadriculada desenhada em branco por trás de suas camadas superficiais, que serviu de guia para Pollock na construção dessa composição.

Leia mais: Suposta obra de Jackson Pollock opõe artes e ciência
Leia mais: Quadro de Jackson Pollock é vendido por US$ 140 milhões

Na técnica do “drip painting”, Pollock deitava a tela no chão e arremessava os pigmentos contra sua superfície, dando o efeito de uma tempestade de cor. Essa técnica entrou para a história associada à liberdade de expressão e renovação estética pregada pelos Estados Unidos. No entanto, a recente descoberta, constatada depois de mais de um ano de restauro e limpeza de “Alchemy” em Florença, prova que Pollock tinha um plano definitivo para estruturar a composição.

Por trás dos respingos

Como essa foi sua primeira tela pintada com respingos de cor, especialistas acreditam que o artista possa ter tido planos mais precisos para o resto de sua obra. Roberto Bellucci, um dos curadores da coleção Peggy Guggenheim, disse que o artista não só planejou a posição de cada traço e elemento de cor, como também alterou a densidade dos pigmentos (ele usava tintas comerciais, de parede e automotiva) para criar efeitos cromáticos e de textura, como os dois tipos de preto e os vários tons de amarelo e azul agora visíveis na tela, que antes estavam esmaecidos por camadas de sujeira. Roberto Bellucci disse à Folha de S. Paulo que o estudo recente surpreendeu. “O quadro foi planejado nos menores detalhes, projetado para ter esses efeitos de luz e relevo. Ele tinha uma técnica de extrema precisão para conduzir sua pintura.”

Além disso, radiografias do quadro também revelaram que Pollock não começou pintando sobre uma tela em branco. Afinal, por trás da composição, havia desenhos figurativos que especialistas acreditam ser de autoria da mãe do artista, que pintava quadros decorativos. “É possível reconhecer nas imagens de raios-X o desenho de um vaso de flores”, diz Bellucci. “Tudo indica que essa tela já estava sendo usada por sua mãe e que ele começou a pintar seu quadro por cima. Existe até uma carta dela para o filho pedindo de volta algumas de suas telas.”

Depois de “Alchemy”, que está exposta junto de um vídeo e de imagens que documentam seu processo de restauro, a coleção Peggy Guggenheim vai começar, em março, a restaurar as outras dez pinturas de Pollock em sua coleção, num processo que deve ser aberto ao público em Veneza. Pollock foi um dos maiores nomes do expressionismo abstrato nos Estados Unidos, além de ser figura central do deslocamento das vanguardas para Nova York, já que Paris havia sido ocupada pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.

Fontes:
Folha de S. Paulo-Estudo revela que Jackson Pollock planejava suas telas

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *