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Famílias e como sobreviver a elas

Livro narra como diferenças que isolam indivíduos dentro de suas famílias podem unir a humanidade

Famílias e como sobreviver a elas
Temas recorrentes deste livro são generosidade, aceitação e tolerância para com crianças que não são o que os seus pais originalmente tinham em mente (Reprodução/Reuters)

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Andrew Solomon não se recorda de uma época em que não fosse gay. Ele escolhia balões rosas em vez de azuis e descrevia óperas no ônibus da escola em vez de trocar figurinhas de baseball. Durante sua adolescência, Solomon começou a sofrer depressão. Seus pais, compreensivos e incentivadores, prefeririam que seu filho fosse heterossexual e o encorajaram a casar com uma mulher e constituir uma família. O reconhecimento de que ele era gay veio apenas quando ele entendeu que a homossexualidade não era uma questão de comportamento, mas sim de identidade; e esta só é assimilada por meio da observação e participação em uma subcultura fora da família.

A experiência da depressão levou Solomon ao seu trabalho: a psiquiatria. Ele se tornou um “historiador da tristeza”. Seu livro, lançado em 2001, “O Demônio do Meio-Dia: Um Atlas da Depressão”, esteve entre os finalistas do prêmio Pulitzer e foi publicado em 24 línguas. Seu novo livro, “Far from the Tree” (Longe da Árvore), baseado em entrevistas profundas com mais de 300 famílias, se desenvolveu a partir de sua experiência como homossexual.

Quando a maçã cai longe de árvore

A maioria das pessoas compartilha pelo menos algumas características com seus pais. Essas identidades verticais incluem etnia e geralmente a língua, religião e nacionalidade. A maioria dos gregos educa seus filhos em grego; a maioria das crianças negras nascem de pais negros. Diz o provérbio inglês que a maçã não cai muito longe da árvore. A pesquisa para um artigo de revista sobre a surdez e o mundo da linguagem de sinais levou Solomon a se perguntar como as pessoas com características inerentes ou adquiridas podem vir a adquirir identidades a partir de um grupo de pares em vez de a partir de seus pais; a isso ele chama de identidade horizontal.

A inclusividade que Solomon vê nas identidades horizontais parece ser mais forte nas famílias com filhos surdos ou com síndrome de Down. Mães de crianças nascidas de estupros e pais de esquizofrênicos e criminosos são mais isolados. Um dramaturgo norte-americano, Doug Wright, afirmou que a família inflige os ferimentos mais profundos e depois os aliviam com grande carinho. Os temas recorrentes deste livro são generosidade, aceitação e tolerância para com crianças que não são o que os seus pais originalmente tinham em mente. Mas a mensagem mais importante de Solomon é que entender como essas famílias vieram a se reconciliar com seus filhos pode conceder a outros os motivos e a inspiração para fazer o mesmo.

Fontes:
Economist - Life to another tune

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