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‘Faroeste caboclo’, o filme: muito barulho por nada

Pelo menos por enquanto, a produção cinematográfica resume-se a um site oficial que informa a escalação de três atores e convida o público a participar do elenco. Por Solange Noronha

‘Faroeste caboclo’, o filme: muito barulho por nada
Fabrício Boliveira será João de Santo Cristo no filme

Um burburinho se formou na internet esta semana com a confirmação de que a música “Faroeste caboclo” vai virar filme, numa coprodução da Gávea Filmes com a Europa Filmes, a República Pureza Filmes, a Fogo Cerrado Filmes, a Globo Filmes, etc. O orçamento estimado é de R$ 6 milhões e a verba já teria sido liberada no ano passado.

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De certo mesmo, sabe-se apenas o que está no site oficial do filme , ruim de informação e de navegabilidade (eta palavrinha horrorosa!). Por lá, sabemos o que já foi amplamente divulgado, como a escolha de Fabrício Boliveira para viver o protagonista da história, João de Santo Cristo; de Ísis Valverde para o papel de sua amada Maria Lúcia; e de Felipe Abib para o do rival Jeremias, que se casa com a moça. O ator carioca, de 28 anos, até respondeu gentilmente ao convite para falar um pouquinho do novo trabalho, desde que tivesse permissão para isso. O pedido foi feito à Gávea Filmes, mas a produtora Bianca De Felippes foi categórica em sua resposta por e-mail: “Realmente não estamos agendando nada nesse momento que iniciamos o trabalho (sic) e toda concentração da equipe está na realização. O portal que abrimos no Yahoo será a forma de comunicação com quem tiver interesse em acompanhar o processo do filme até o lançamento. (…)”

Se a tática é uma jogada de marketing, recomenda-se que seja bem administrada para não virar um tiro no pé, pois tudo que é cercado de muito mistério gera grande expectativa e tem mais chances de frustrar quando revelado. A euforia do público pode ser medida nos numerosos posts em todos os sites e blogs que mencionaram o assunto. Afinal, o compositor Renato Russo e seu grupo Legião Urbana marcaram toda uma geração e têm fãs em todo o Brasil. É a eles que o site do filme apela, convocando para um concurso para integrar o elenco de “Faroeste caboclo”, intitulado “Participe: Casting”.

Palavra de especialista

O melhor que o “portal do Yahoo” tem a oferecer, no entanto, é mesmo uma entrevista com o jornalista Arthur Dapieve, especialista em música e autor de livros como “BRock — O rock brasileiro dos anos 80 e “Renato Russo — O trovador solitário”. É dele a seguinte definição do protagonista da história de “Faroeste caboclo”, contada de forma semelhante à da literatura de cordel: “João de Santo Cristo é uma espécie de Macunaíma, outro personagem que claramente sintetiza algumas perturbadoras características brasileiras, mas um Macunaíma feroz, sem jeitinho e com algum caráter. Essa convivência entre opostos, como santo e traficante, essa ambiguidade é uma das formas mais consagradas de se descrever o Brasil. E é consagrada porque faz pleno sentido na nossa realidade. Haja vista, até hoje, a boa imagem de traficantes bem piores que ele entre certas faixas da população…”

No mais, há quem diga que, depois de Salvador (terra de Fabrício Boliveira), Rio (de Felipe Abib), Belo Horizonte (de Ísis Valverde) e São Paulo, Brasília também terá testes para a escalação de elenco, mas somente em julho. Na capital do país, as locações já estariam escolhidas, segundo teria dito Marcelo Maia, da República Pureza Filmes, porém não há menção a datas das filmagens. Até na Wikipédia o cineasta René Sampaio, brasiliense como Russo, aparece como diretor da obra e Paulo Lins, autor de “Cidade de Deus”, como o responsável por transformar em roteiro a canção — que, por si só, é um argumento cinematográfico pedindo para ser desenvolvido. À já citada Bianca de Felippes, atribui-se a certeza de que “Faroeste caboclo”, o filme, será ambientado nos anos 70, quando a música foi composta, e se manterá fiel aos 159 versos da letra. Eles podem servir de mantra para levar a produção à realização de um sucesso, escapando do fantasma de ser esvaziado pelo excesso de sigilo e boataria.

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3 Opiniões

  1. André Vinícius Vieites disse:

    Uma música que virou um filme bã! – Ísis Valverde contrato veio de onde? Bom em rendimento cinematográfico os atores-cantores se essa foi a proposta contratual começou de certo propósito informativo mais por influência provável de Ismênia Mateus, interprete de óperas e operetas, será que a Isis Valverde vira cantora, sim Maria Lúcia se arrependeu depois…deu cinco tiros no bandido traidor. Mas ela é muito paz e amor, não sei se ficará bem nesse papel. Olha só e eu perdendo tempo com o Puff de latas e as fraudes contratuais. Mas a idéia para esse filme é boa, todo o Brasil conhece essa música, acho que será um bom filme.

  2. João Cirino Gomes disse:

    Até a presente data, é a primeira vez que vejo uma informação do que vem a ser, tanto aue sobre Faroeste caboclo!

    Como o autor do texto cita: tomara que tanto barulho, marketing, concurso, expectativa; não seja para nada!

  3. Markut disse:

    Com estes antecedentes macunaímicos, a coisa promete se transformar em nada, do ponto de vista artístico.

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