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CULTURA

Feira do Livro de Turim sofre boicote por incluir editora neofascista

Museu de Auschwitz pede que autoridades intervenham na controversa participação de uma editora neofascista na feira

Feira do Livro de Turim sofre boicote por incluir editora neofascista
Feira do Livro de Turim é um dos maiores eventos literários da Europa (Foto: Salone Internazionale del Libro/Flickr)

O Museu Estadual de Auschwitz-Birkenau pediu às autoridades de Turim, na Itália, que intervenham em meio a uma crescente controvérsia sobre a participação na feira internacional de livros de uma editora que diz ter estreitos laços com o partido italiano neofascista CasaPound.

O museu participa da feira de livros – que começa nesta quinta-feira, 8 – desde 2015, mas diz que irá se retirar se Altaforte permanecer entre os expositores. “Não se pode pedir que os sobreviventes dividam espaço com aqueles que questionam os fatos históricos que levaram ao Holocausto e que tentam reviver o fascismo na sociedade”, escreveu o museu em uma carta ao conselho de Turim.

A carta foi assinada pelo diretor do museu, Piotr Cywiński,  a sobrevivente do Holocausto e escritora Halina Birenbaum, e Michele Curto, ex-vereadora que montou um projeto para ensinar os estudantes do ensino médio sobre o Holocausto.

“Isso não é, como alguns simplificaram, sobre um contrato com uma editora, mas os valores mais altos das instituições democráticas, sua vigilância e a Constituição italiana, que excedem qualquer contrato”, continuou a carta.

A carta segue a renúncia do professor e escritor Christian Raimo ao comitê organizador da feira, bem como boicotes planejados ao evento pelo grupo de autores italianos Wu Ming, o historiador Carlo Ginzburg, o cartunista Zerocalcare e a jornalista Francesca Mannocchi.

“Em Turim, um passo adicional foi dado para a aceitação das novas camisas pretas na cena política e cultural italiana”, escreveu Wu Ming em seu site no último domingo, 5. Os organizadores do evento de três dias mantiveram a decisão de tratar Altaforte, que é a editora de um novo livro sobre Matteo Salvini, o vice-primeiro ministro italiano e líder do partido Liga, de extrema-direita, da mesma forma que qualquer outro cliente.

Em um comunicado no Facebook, o comitê organizador descreveu-se como um embaixador da Constituição italiana e citou uma cláusula dentro dela estipulando que “todo mundo tem o direito de expressar livremente seus pensamentos com fala, escrita e qualquer outro meio de comunicação”.

Não está claro como as autoridades de Turim responderão à carta do museu estatal de Auschwitz-Birkenau, mas a prefeita, Chiara Appendino, uma política do Movimento Cinco Estrelas – que está governando nacionalmente junto à Liga – disse na última segunda-feira, 6, que Turin era “antifascista”. “Não há alternativas viáveis para essa posição”, escreveu ela no Facebook, acrescentando que o conselho local continuaria apoiando a feira do livro.

Fundada em 1988, a feira de Turim é uma das maiores feiras de livros da Europa, atraindo cerca de 1.400 expositores por ano.

Fontes:
The Guardian-Anger grows over neo-fascist publisher's presence at Turin book fair

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