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GRAMMY 2011

Festa do country termina com a surpresa do indie rock do Canadá

O trio Lady Antebellum subiu ao palco três vezes, mas o prêmio de álbum do ano ficou com “The Suburbs”, da banda Arcade Fire. Por Solange Noronha

Festa do country termina com a surpresa do indie rock do Canadá
Entrega do Grammy está mais para show do que para premiação

A entrega do Grammy está mais para show do que para premiação — e os modelitos dos participantes, vamos e venhamos, estão mais para desfile de escola de samba do que para evento de gala. Enquanto no Oscar, por exemplo, críticos e público muitas vezes reclamam da ausência de números musicais com bailarinos, efeitos e o que mais couber, no “Oscar da música” há muito espetáculo e pouco prêmio. Quer dizer, pouco prêmio entregue na festa que é transmitida para vários países, porque a lista de ganhadores do Grammy é gigantesca: são 109 categorias! Deste total, porém, apenas dez foram anunciados e entregues em sua 53ª edição, no Staples Center, em Los Angeles, neste domingo, dia 13.

O resultado foi um programa mal amarrado, com algumas boas apresentações em meio a um roteiro confuso até mesmo na hora do tradicional “in memoriam”, em que a exibição conjunta de vários nomes e imagens dificultava sua identificação. Talvez esteja na hora de os membros da National Academy of Recording Arts and Sciences repensarem o formato de sua premiação, cuja trilha sonora remetia a outro tipo de academia: as de ginástica e musculação.

Uma homenagem a Aretha Franklin abriu a festa, com Christina Aguilera, Jennifer Hudson (irreconhecível de tão magra), Florence Welch, Martina McBride e Yolanda Adams interpretando sucessos da rainha do soul. Aretha, que está se recuperando de uma cirurgia e já ganhou 18 Grammys, apareceu em vídeo para agradecer. Depois de o baladeiro Train receber o troféu de melhor performance pop em duo ou grupo, Rick Martin, numa estranhíssima legging prateada, chamou ao palco Lady Gaga, cuja apresentação havia sido anunciada como algo chocante, excepcional, impactante e muito mais. Para se ter uma ideia, a cantora (ou uma dublê, pois mal dava para ver uma silhueta) passou pelo tapete vermelho dentro de uma cápsula embaçada, montada sobre uma armação ao estilo das antigas liteiras e carregada por rapazes musculosos. Resumo da ópera: Lady Gaga ficou devendo ao público. Sua apresentação, dos figurinos à coreografia, foi pra lá de convencional.

Fogo no melhor disco e nos melhores shows

Talvez numa antecipação do prêmio máximo da festa, o fogo foi o elemento mais marcante dos efeitos especiais dos shows e esteve presente em alguns de seus melhores momentos, como na apresentação do Muse, o primeiro a levantar o público. O prêmio para a melosa cantora country Miranda Lambert jogou água na fogueira, mas logo a festa esquentou outra vez com Justin Bieber, um pouco menos chatinho que o habitual devido ao reforço do ator e cantor Usher e do simpático “karatê kid” Jaden Smith — cuja família de astros vibrava na plateia, inchada de orgulho. O Muse voltou à cena para receber o prêmio de melhor álbum de rock, “The resistance”, assim como Lady Gaga, pelo melhor álbum pop vocal, “The fame monster”.

Bob Dylan também foi homenageado, mas sua voz rouca quase não foi ouvida no meio das bandas que tocaram duas de suas músicas e o acompanharam na terceira. Cee Lo Green (de “pavão misterioso”), os Muppets e Gwineth Paltrow fizeram um número entre duas subidas do trio Lady Antebellum ao palco, para receber os troféus de melhor álbum country e canção do ano, ambos intitulados “Need you now”. Rhianna, Eminem e Dr. Dre incendiaram o público outra vez (com música e fogo nos efeitos visuais). Em seguida, jogaram água na fogueira de Justin Bieber, visivelmente decepcionado ao ouvir o nome do melhor novo artista: Esperanza Spalding. A jovem foi aplaudida de pé.

Morto em outubro de 2010, o soul man Solomon Burke foi reverenciado por Mick Jagger, que também entusiasmou a plateia — entre os mais animados estavam LL Cool J, Will Smith e Cyndi Lauper. Dos artistas veteranos, Jagger foi quem demonstrou mais vigor: depois de Bob Dylan, Kris Kristofferson também chegou ao microfone quase afônico para chamar a personalidade musical do ano, Barbra Streisand, outra que não estava bem da garganta, como sinalizou depois de cantar.

Tempo e intervalos excessivos

A essas alturas, até quem estava no conforto de casa começava a se cansar. Afinal, são três horas e meia de um programa cheio de altos e baixos e numerosos — e longuíssimos — intervalos comerciais. Só mesmo pondo fogo mais uma vez no palco, para a apresentação de Rhianna e Drake, depois de “Recovery”, de Eminem, receber o prêmio de melhor álbum de rap. Com olhos lacrimejantes e espantados, os integrantes do Lady Antebellum subiram novamente ao palco para receber mais um prêmio por “Need you now”: o de gravação do ano — até David Letterman, numa intervenção pré-gravada, fez brincadeira com a categoria, perguntando por que o Grammy chama de “record” a melhor música (ou “single”).

O excesso de luzes estroboscópicas pode ter encoberto os muitos componentes do Arcade Fire, mas não o poderoso som do rock indie canadense. Os músicos da banda, estreante na premiação, ainda estavam na coxia quando foi anunciado o prêmio mais esperado da festa e vibraram ao ouvir que o seu “The suburbs” tinha sido eleito o álbum do ano. Animadíssimos, eles voltaram a pegar seus instrumentos para uma canja, que, infelizmente, quem estava em casa não viu até o fim. Nos Estados Unidos, a TV é implacável: se excede ao vender espaço para os anunciantes nos grandes eventos, mas não abre mão de um minuto não pago para dar uma colher de chá ao telespectador.

Confira a lista dos vencedores das principais categorias:

Gravação do Ano – Need You Now (Lady Antebellum)

Álbum do Ano – The Suburbs (Arcade Fire)

Música do Ano – Need You Now (Lady Antebellum)

Melhor Artista Revelação – Esperanza Spalding

Melhor Performance Vocal Feminina de Música PopBad Romance (Lady Gaga)

Melhor Performance Vocal Masculina de Música PopJust The Way You Are (Bruno Mars)

Melhor Performance Vocal de Dupla ou Grupo PopHey, Soul Sister (Train)

Melhor Álbum Pop The Fame Monster (Lady Gaga)

Melhor Gravação DanceOnly Girl (In The World) (Rihanna)

Melhor Álbum de RockThe Resistance (Muse)

Melhor Performance Vocal Feminina de R&B – Bittersweet (Fantasia)

Melhor Performance Vocal Masculina de R&B – There Goes My Baby (Usher)

Melhor Performance Urbana/Alternativa – F*** You (Cee Lo Green)

Melhor Álbum de R&B Contemporâneo – Raymond V Raymond (Usher)

Melhor Performance Solo de RapNot Afraid (Eminem)

Melhor Colaboração de Canto/RapEmpire State Of Mind (Jay-Z & Alicia Keys)

Melhor Música RapEmpire State Of Mind (Jay-Z & Alicia Keys)

Melhor Álbum de Rap Recovery (Eminem)

Melhor Performance Country com Vocais de uma Dupla ou Grupo – Need You Now (Lady Antebellum)

Melhor Música Country Need You Know (Lady Antebellum)

Melhor Álbum Country – Need You Know (Lady Antebellum)

Melhor Álbum Latino de PopParaiso Express (Alejandro Sanz)

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2 Opiniões

  1. gabrieli raissa chagas alves disse:

    odeio

  2. Leonardo Martins disse:

    Sempre que leio algo à respeito do Grammy,se referindo ao mesmo como “Oscar da música”,me dá uma irritação profunda.Por favor,o Grammy nunca foi o “Oscar da Música”,assim como o Oscar não é e nunca será o”Grammy do Cinema”.São prêmios distintos e em categorias artísticas distintas.
    Quando será que os nossos jornalistas tupiniquins vão parar de repetir essas besteiras,subestimando a nossa inteligência?

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