Início » Cultura » Garota Exemplar: crítica direta sobre o casamento no século XXI
Crítica de Cinema

Garota Exemplar: crítica direta sobre o casamento no século XXI

O filme 'Garota Exemplar' critica direta ao que se tornou o casamento no século XXI, onde vivemos uma eterna batalha entre duas pessoas que vivem na hipocrisia

David Fincher, apaixonado pelo passional e pela demonstração da psicopatia, mais uma vez nos dá um bom presente em forma de cinema. Desta vez, Garota Exemplar, adaptado do Best-seller de mesmo nome de Gillian Flynn, que também foi a responsável pelo roteiro do longa.

Nick Dunne (Bem Affleck) é acusado de homicídio após sua mulher Amy (Rosamund Pike) desaparecer. O suspense se inicia aos sermos questionados se Nick é ou não responsável pelo crime, um homem em sua meia idade que passa por uma crise no relacionamento e é infiel. Do outro lado, uma mulher possessiva que tenta a todo custo salvar o casamento. Tudo muito comum e simples, porém a especialidade de Fincher é justamente usar do óbvio e toná-lo diferente pelos detalhes.

Gone Girl, na tradução literal “Garota Desaparecida” , tem duas horas e meia de duração, mas por ter uma fluidez tão natural e uma trama, que apesar de conter alguns travamentos, segue uma linha sensata e coerente, parecendo ter bem menos. Uma forte característica que permite essa naturalidade e reduzir o tempo ao limite do real está na montagem.

Fincher consegue ligar os cortes de uma maneira tão cirúrgica que só percebemos se estivermos com essa intenção. A matemática dos eixos é muito bem respeitada. Outra técnica utilizada pelo diretor para criar este dinamismo é o uso contínuo de trilha e efeitos sonoros. Por diversas vezes podemos ver uma música instrumental passando de uma cena a outra, ajudando na não percepção dos cortes, além de contribuir obviamente na construção do clima. Na grande maioria das vezes em que esse recurso é utilizado por inúmeros diretores, ele se torna apelativo, o que não acontece aqui.

David tem total bom senso ao abusar deste recurso, de forma que está sempre de acordo com o que está sendo transmitido em cena. O longa leva um certo humor carregado pelo cinismo tradicional do diretor, só que desta vez, com piadas mais diretas, é o suspense psicológico mais leve dos feitos por ele.

Garota exemplar faz uma crítica direta ao que se tornou o casamento no século XXI, onde vivemos uma eterna batalha entre duas pessoas que vivem na hipocrisia. O que consegue se manter por cima vence o jogo e decide o destino da “união instável”. Como prêmio por ter conseguido impor seu ego sobre o do outro, faltou ao filme passar uma imagem mais embasada durante todo o desenvolver da trama, pois ela só se conduz realmente no desfecho.

Ficamos sem saber realmente qual a premissa que Fincher tenta levantar, mas isto não pode ser considerado algo ruim, partindo do ponto em que todos os seus filmes , o cineasta não deixa exposto claramente o que quis passar, levando o espectador a refletir sobre a obra, não transmitindo uma perspectiva engessada.

*Gabriel Meira é cineasta e escreve para o site Blah Cultural, parceiro do Opinião e Notícia

Fontes:
Blah Cultural-GArota Exemplar

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *