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Queijos

Camembert da Normandia

Anne-Sophie Savarin

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A ideia de trazer este assunto surgiu de uma conversa com minha querida pupila para assuntos gastronômicos. A primeira vez que ela comeu este queijo ela gostou tanto que foi ao mercado e comprou seis caixas para levar para casa! Fantastic, n’est’ce pas? Vocês precisam ver como seus olhos brilham quando fala desta experiência. Então vamos à história do delicioso Camembert.

O queijo Camembert, a baguette e a boina são o trio de produtos que simbolizam o tipo francês. No entanto, existem Camemberts e Camemberts… É  possível encontrar relatos sobre o queijo da Normandia na obra de 1569 “Re Ciberia”, do escritor  Brugerin Champier, e no “Dicionário Universal de Geografia e História”, de 1708, escrito por Thomas Corneille. O que daria ao Camembert mais de 400 anos. Mas a história mais contada sobre este queijo começou em uma fazenda da Normandia.

Um certo abade perseguido durante a Revolução Francesa foi acolhido pela fazendeira Marie Harel. Em gratidão, o padre transmitiu todo o seu conhecimento sobre queijos para a mulher. O religioso era oriundo da Região de Brie e os seus sábios conselhos ajudaram na receita tradicional do camembert.

Desde que Marie Harel começou a fabricar o queijo a sua receita tem sido aperfeiçoada. Novas oportunidades foram oferecidas ao Camembert no fim do século XIX. Com os meios de transporte mais rápidos no país, como a ferrovia, o queijo pode sair da fazenda e ser apreciado em outras partes da França. Para as grandes viagens que faria, o queijo precisava de proteção. Foi então que, depois de muitas tentativas, o engenheiro Eugène Ridel criou uma pequena caixa redonda feita de madeira de álamo, em 1890. E foi assim que o queijo da Normandia conquistou o mundo.

Dado o sucesso e para alimentar a demanda, Bretanha e Pays de Loire expandiram a produção do queijo. E em 1926 foi decretado que o nome Camembert era de domínio público, ou seja, poderia ser usado por todos os fabricantes. Somente em 1984 que o nome foi restrito ao queijo fabricado na França e passou a fazer parte da herança culinária do país. O Camembert da Normandia original é preciso ser feito com leite cru. São 2,3 litros de leite para uma peça do queijo de 10,5 a 11 cm de diâmetro e um peso mínimo de 250g.

Uma curiosidade sobre o Camembert é que o seu período de ótima amostragem é de abril a agosto, após passar por um processo de refinamento de seis a oito semanas. Mas, o período de boa amostragem do queijo também se estende de março a novembro. Uma peninha, pois seria interessante servi-lo nas nossas festas de fim de ano. Para aguçar o sabor do queijo, o acompanhamento ideal, segundo os normandos, é uma cidra seca, o que também não falta por lá.

Bon appétit!

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6 Opiniões

  1. Arlon Borges disse:

    Gosto muito da coluna de Anne-Sophie Savarin, e é muito melhor quando ela dá informações genéricas como esta do que quando fala de restaurantes caros da Zona Sul do Rio, que poucos leitores poderão frequentar.

  2. luiz antonio vieira barbi disse:

    QUE DELICIA!! VIVER ASSIM NO MUNDO DA FANTASIA!! MAS PARA O TRADICIONAL QUEIJO MINEIRO LA DO SERRO NINGUEM ESCREVE NADA…CLARO!!! NAO VAI DAR AUDIENCIA!!! ESTE E O BRASIL CAPIAU, TUPINIQUIM, ATRASADO, MEDIOCRE, QUE SO DA VALOR AOS VALORES LA DE FORA…AS COISAS DAQUI, NEM PENSAR!!!

  3. Venustiano Carranza disse:

    Estou com o Arlon Borges. Tenho certeza de que há comida do lado de cá dos Raffale, aqui no “ici bas”. Concordo em que a comida francesa é ótima etcetc, mas qual é a sugestão da senhora Ana Sofia para um bom almoço no centro do Rio ou de outra capital à sua escolha?
    Por favor, não vale o Eça, com seus preços exorbitantes, falso chiquê e pratos pra lá de medíocres. Vamos falar do bife de carne de sol de filet mignon do Navegador? Ou dos acepipes do pai de S. Excia. o Sr. Ministro, lá em frente ao Mosteiro? Ou da alheira absurdamente gostosa do chefe Santos? Ou das empadas “à emporter” ou comer em pé na Salete? E a feira da Glória, aos domingos, que se estende em cheiros, cores e sabores entre a Lapa e o Catete? (Lá tem umas barraquinhas que irão lhe fazer uns virginais beijus de tapioca a deztões. Caso prefira enfrentar uma expedição mais remota, dê uma chegada a São Cristóvão, domingo pela manhã, e vá à feira “dos Paraíba”. Compre uma farinha de mandioca de Nazaré das Farinhas, no Recôncavo e experimente em cima da um feijão novo, de caldo grosso; e uma barra de queijo de coalho gratinée au charbon, enquanto a turma dança uma dança deslavada e com cheiro de cama.

    Madame Savarin, visite o Brasil…

    Com admiração, o
    Venustiano Carranza

  4. Salim disse:

    Dica de restaurante: eñe
    Embora esteja instalado no Hotel InterContinental, o eñe (em minúsculas mesmo) tem entrada, arquitetura e administração próprias, além de dois chefes catalães conhecidos como “os gêmeos de ouro”. São eles os responsáveis por delícias como a paella de pato com feijão santarém e a vitela lentamente braseada. O menu curto é uma oportunidade de provar cinco iguarias diferentes: duas entradas, dois pratos principais e uma sobremesa. Já o menu longo conta com oito pratos, que são criados na hora pelos chefs, mas só pode ser pedido se todos à mesa o fizerem. Não perca as tapas (entradas espanholas) de pão crocante com tomate, azeite e sal, perfeitas para acompanhar o jamón ibérico, definido no menu como o “melhor presunto cru do mundo”. Camarões ao alho são outra delícia típica da Espanha, assim como a crema catalana. Na adega,apenas pratas da casa espanhola, como a Cava Don Román Brut e o MarquesdeRiscal Jovem.
    Av. Prefeito Mendes de Moraes, 222 – Hotel InterContinental, São Conrado, Rio de Janeiro
    * http://www.enerestaurante.com.br
    * (21) 3322-6561
    * Espanhol
    * Ter a qui, das 19h à meia-noite(melhores dias); sex e sáb, do meio-dia e meia às 16h e das 19h à 1h; dom, do meio-dia e meia às 16h e das 19hàmeia-noite

  5. Markut disse:

    Saindo da gastronomia para a política,graças à Saverin, proponho ao Sarkozy a rsposta para o seu inusitado questionamento, a ponto de imaginar um plebiscito a fim de definir quem é o francês. está aí: é aquele

  6. Markut disse:

    Desculpem o lapso: O francês é aquele que usa boina, carrega um baguette debaixo do braço e porta uma caixinha de camembert.Facil, facil!

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