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Gêmeos não significam apenas o dobro de trabalho

Pesquisa revela que mães de gêmeos podem ser mais saudáveis e férteis que as outras mães

Gêmeos não significam apenas o dobro de trabalho
Diferente do que já se pensou, gêmeos não são um fardo

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Ao longo da história os gêmeos já foram vistos de diversas maneiras. Algumas vezes como uma maldição, um fardo que a família carrega sem ter escolha sobre ele. Outras vezes como uma benção, ou até mesmo um sinal de uma virilidade superior de seus pais. Mas, se Shannen Robson e Ken Smith, da Universidade de Utah, estiverem certos, os gêmeos têm mais a dizer sobre a constituição de suas mães do que sobre o poder sexual de seus pais.

À primeira vista, parece uma ideia minimamente estranha. De qualquer maneira, criar e educar gêmeos são verdadeiras lições, tanto para as mães quanto para as crianças. Porém, quaisquer ganhos em ter mais de um filho por vez, podem ser compensados por outros custos mais elevados, como o aumento da mortalidade infantil e maternal. Sob esse ponto de vista, os gêmeos acabam sendo um subproduto acidental de uma segurança natural contra o risco de perder um embrião em gestação. Isto talvez explique porque muitas gêmeos concebidos não nascem e os nascidos são tão raros. Eles correspondem a aproximadamente 40 nascidos a cada mil concebidos.

Os pesquisadores, entretanto, suspeitam que as mães de gêmeos irão não apenas mostrar mais sucesso reprodutivo, elas tamvém serão mais saudáveis do que aquelas que dão à luz a apenas um filho. Infelizmente, fixar uma relação entre fertilidade e saúde é algo extremamente complicado. A medicina moderna e os efeitos do crecimento da economia mudaram o cenário. Mulheres de todo mundo têm menos filhos do que tinham no passado. Uma forma de analisar isso é olhar para os registros antes de iniciada a transição demográfica.

Para testar sua teoria, Dr. Robson e Smith vasculharam os registros de mulheres nascidas entre 1807 e 1889, que sobreviveram aos 50 anos, quando a menopausa normalmente surge. Eles excluíram as mulheres que casaram mais de uma vez, as que ficaram viúvas antes dos 50 e aquelas que vivem em países onde a poligamia era legal. (Outro estudo publicado por Smith descobriu que com quanto mais esposas uma mulher tem que competir, menos filhos ela irá querer produzir). Isto deixou uma mostra de 59 mil mulheres, cerca das quais 4.600 delas haviam dado à luz a gêmeos.

Para testar os efeitos da transição demográfica, os pesquisadores pegaram mulheres nascidas apenas depois da década de 1870. O resultado confirma as hispóteses. As mães de gêmeos antes de 1870 deram à luz a, aproximadamente, 1,9 crianças a mais que as mães de filhos únicos. Para aquelas que deram à luz depois de 1870, este número subiu para 2,3. Mais importante ainda, de um ponto de vista evolucionário, mais filhos chegaram a idade adulta.

Obviamente, ter gêmeos aumenta de forma automática a fertilidade de uma mãe em relação ao seu número de gestações. Mas, como poucas mulheres têm gêmeos mais de uma vez, a pesquisa mostra que as mães de gêmeos são mais produtivas. E elas também superaram as outras mães em uma série de medidas reprodutivas, incluindo intervalo entre aniversários (curtos) e a idade em que deu à luz a seu último filho (mais velhas).

No grupo de mães pré-1870, as mães de gêmeos de fatos viveram mais que as outras mães. Elas foram, em outras palavras, mais saudáveis. Isso sugere, em termos evolucionários, que os gêmeos estão longe de ser um fardo.

Fontes:
The Economist - Thrice blessed

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