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Grande Otelo

Sebastião Bernardes de Souza Prata era mineiro de Uberlândia. Segundo o biógrafo Sérgio Cabral, ele nunca soube a data exata do seu nascimento

Grande Otelo
Seus personagens marcantes foram vividos em palcos de cassinos, casas noturnas, teatros, cinema e televisão (Foto: Wikimedia)

Com apenas 1,50 m de altura, olhos esbugalhados e lábios espichados, o comediante Grande Otelo conquistou o Brasil. Seus personagens marcantes foram vividos em palcos de cassinos, casas noturnas, teatros, cinema e televisão.

Sebastião Bernardes de Souza Prata era mineiro de Uberlândia. Segundo o biógrafo Sérgio Cabral, ele nunca soube a data exata do seu nascimento, mas resolveu adotar o dia 18 de outubro de 1915, pois sabia que esta tinha sido a data de seu batizado.

O menino começou sua carreira artística no circo. E seu relato é a melhor descrição para sua estréia no picadeiro: “Eu me apresentei fantasiado de mulher grávida, com um travesseiro na frente e outro atrás, por baixo das roupas. Só esqueceram de me avisar que havia tiros na cena. Quando ouvi os estampidos, fugi apavorado. A platéia caiu na gargalhada e o pessoal do circo me chamou para repetir no dia seguinte.”

Sebastião percorreu São Paulo e Rio de Janeiro em busca de exercer seu talento artístico. Nos anos 20, integrou a Companhia Negra de Revistas, cujo maestro era Pixinguinha. Em 1932, entrou para a Companhia Jardel Jércolis. Foi lá que ganhou o apelido que o consagrou. Os amigos o chamavam Pequeno Otelo, mas ele preferiu o pseudônimo The Great Othelo. O inglês era moda na época, mas depois a alcunha foi traduzida para o português.

Em 1942, participou de It’s all true, filme realizado por Orson Welles no Brasil. No ano seguinte, integrou o elenco do primeiro filme da Atlântida: Moleque Tião. Fez dupla com Oscarito, outro grande ator do cinema nacional, em dezenas de filmes de chanchadas, como Carnaval no Fogo, Aviso aos Navegantes e Matar ou Correr.

Nos anos 60 entrou para o movimento do cinema novo e encarnou Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade. Em1982, participou de Fitzcarraldo (1982), filme do alemão Werner Herzog.

Em 1993, Grande Otelo recebeu uma homenagem no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Na semana seguinte, o ator estava em Paris, para receber outra homenagem, desta vez do Festival de Nantes, quando morreu vítima de um ataque cardíaco, aos 78 anos.

Grande Otelo, que se consagrou pela comédia, viveu várias tragédias na vida real. Seu pai morreu esfaqueado e sua mãe era uma cozinheira que trabalhava com um copo de cachaça ao lado do fogão. Mais tarde, sua mulher, Lúcia Maria, matou o filho do casal de seis anos e suicidou-se.

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