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História do Carnaval no mundo

Em meio a tantas explicações da mídia sobre a origem do Carnaval, livro faz um apanhado da história dos dias de folia

História do Carnaval no mundo
Na Alemanha, o Karneval começa em 11 de novrembro e vai até a quarta-feira de cinzas (Reprodução/Internet)

Segundo Hiram Araújo, diretor cultural da LIESA (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), pesquisador do Carnaval e autor do livro “Carnaval – Seis Milênios de História” , a dificuldade no estudo da história desse evento se encontra na falta de material e documentos sobre o assunto. Em meio a muitas explicações encontradas na mídia sobre a origem do carnaval, a de que ele teria surgido com a criação dos cultos agrários pelos povos primitivos é confirmada por Araújo no primeiro capítulo desse seu livro. A oficialização das festas dedicadas a Dionísio, de 605 a 527 a. C., teriam completado o processo.

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As festas de culto ao deus Dionísio – também conhecido como Baco, em Roma – que aconteciam há mais de três mil anos na Grécia eram celebrações profanas, que se estendiam por três dias. Durante esse período os pagãos dançavam, cantavam e faziam orgias, numa espécie de “vale-tudo”.

A base dessas festas era a inversão, que se dava através de uma teatralização coletiva. O processo era ajudado pela pintura que mulheres e homens faziam em suas faces e pelas roupas que usavam, que os descaracterizavam de seus papéis comuns na sociedade e os faziam assumir outros, ainda que metaforicamente. Dessa forma, homens pobres podiam se tornar reis por alguns dias e mulheres posavam de damas, por exemplo. Também de forma metafórica, os foliões falavam dos governantes e para eles, como se estivessem fazendo um “acerto de contas”. E para tudo isso aproveitavam-se do anonimato, já que estavam com aparências diferentes em função das fantasias.

Quando as homenagens a Dionísio – o deus brincalhão, do deboche e da irreverência – começaram a acontecer, as cortes, os sacerdotes e os ricos não gostaram nada, entre outras razões porque eram o principal motivo das sátiras dos pagãos. No entanto, assumindo a máxima “se não pode vencê-los, junte-se a eles”, acabaram se rendendo também aos festejos após uma tentativa frustrada de reprimi-los. No século VI a.C., Pisístrato, o tirano de Atenas, passou também a homenagear Dionísio e ainda construiu um templo na Acrópole, o teatro Dionísio, que abrigaria concursos de peças cômicas ou dramáticas.

Até hoje, percebe-se essa idéia de inversão, trazida ao mundo pelas festas profanas direcionadas a Dionísio, em alguns locais onde o Carnaval é uma manifestação de forte impacto. O de Veneza, por exemplo, é exuberante e conhecido no mundo pela navegação de gôndolas iluminadas pelos canais da cidade e a concentração, na Praça de São Marcos, de personagens típicos, como arlequins, polichinelos e outros da Comédia d’ell arte. Historicamente, conta com máscaras muito criativas e bem elaboradas, também famosas internacionalmente. As máscaras, apesar de remeterem ao disfarce que garantia o anonimato para se divertir na Grécia e em Roma, surgiram bem antes das homenagens a Dionísio: na pré-história mesmo já eram utilizadas.

Além da Itália, outros países europeus têm Carnavais tradicionais também, especialmente aqueles em que há predominância católica. Na Alemanha – onde a festa se chama “Karneval” ou, mais ao sul, “Fasching” e vai de 11 de novembro à quarta-feira de Cinzas – existe a mesma noção de válvula de escape tão característica do Carnaval. A animação é grande principalmente no Mainz, em Düsseldorf, Bonn e em Colônia, às margens do Reno. O Carnaval de Nice, na França, é bem conhecido, pela monumental parada de carros alegóricos a as gigantescas figuras que são movimentadas.

Nos Estados Unidos, Nova Orleans se destaca pelo Mardi Grass, que significa terça-feira gorda e teve origem em 1857. Durante o período, dezenas de agremiações desfilam pelas ruas da cidade, as pessoas saem de casa fantasiadas e os bares ficam abertos 24 horas por dia. Em meio a uma mistura de estilos musicais, essencialmente de origem negra, as bandas de jazz sobressaem.

No Japão também há Carnaval, mas numa época diferente: em agosto de 2014, em Tóquio, meio milhão de pessoas se aglomeraram para ver as 25 escolas de samba locais, na 26a. edição do Asakusa Samba Carnival. Um detalhe curioso: a escola vencedora utilizou fantasias confeccionadas aqui no Brasil, que chegaram na véspera do desfile, para vestir e enfeitar seus 80 membros da bateria e 150 dançarinos.

Fontes:
Folha Online-Leia trechos de "Carnaval - Seis Milênios de História"

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