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Cinema

História, guerra e exorcismo acabam em música, bolo e café

Na sexta-feira, dia 4, o público tem a oportunidade de ver um dos favoritos ao Oscar e muito mais, na volta da Maratona Odeon. Por Solange Noronha

História, guerra e exorcismo acabam em música, bolo e café
Cartaz do filme 'O Ritual'

A história real — nos dois sentidos — de um momento histórico e crucial: quando um príncipe gago e inseguro precisa assumir o trono da Inglaterra meio a contragosto e, pior, tem que discursar e passar confiança a seus súditos às vésperas de o país entrar na Segunda Guerra Mundial. Numa trama também baseada em fatos, de acordo com os créditos iniciais, os dilemas de um jovem são outros: cético e prestes a abandonar o seminário antes de se ordenar padre, ele é enviado a Roma para estudar exorcismo e se vê envolvido com um controverso veterano nas artes de lidar com o demo. E ainda há o registro mais cru e realista — feito ao longo de um ano — do cotidiano de um batalhão dos EUA que continua sua luta contra os talibãs no Afeganistão. Mas que ninguém se assuste com o “choque de realidade”, porque ele vem acompanhado de muitas outras coisas boas e atraentes.

A história do príncipe, todos já sabem, está em “O discurso do rei”, que não só vem angariando prêmios e mais prêmios, tornando-se cada vez mais o favorito para levar o Oscar de melhor filme, como tem um excepcional trio de atores nos papéis principais: Colin Firth, Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter. “O ritual” (de exorcismo, claro) não fica atrás no quesito elenco, em que se destacam Anthony Hopkins, Ciarán Hinds e Rutger Hauer — e, com uma semana de exibição nos EUA, já lidera o ranking das bilheterias. Já o documentário “Restrepo” não traz atores, mas soldados de carne e osso, e suas paisagens passam longe da grandiosidade dos palácios britânicos e do Vaticano, mas tem a seu favor várias premiações, como a do Grande Júri do Festival de Sundance, e também concorre ao Oscar em sua categoria.

Diversidade agrada aos cinéfilos

Quer mais? A primeira Maratona Odeon de 2011 oferece. Das 11 da noite às seis da manhã, os cinéfilos que vão à Cinelândia contam com o som lounge do DJ Jorge Lz entre um filme e outro e bolo e café para animar a volta para casa.

Maratona Odean

Maratona Odeon

O gerente de exibição do Grupo Estação, Luiz Eduardo Pereira, conta que “o evento, sempre programado para a primeira sexta-feira do mês, é uma versão mais moderna das lendárias maratonas que aconteciam no Estação Botafogo, no inicio dos anos 90”. Ao exibir os jogos da Copa de 2002, de madrugada, no tradicional cinema do Centro do Rio, os organizadores perceberam: “Havia público em potencial para o horário. Incluímos um DJ para completar a diversão. E deu certo.”

Os filmes são sempre três, mas a programação não segue regras: pode ter, por exemplo, uma atração surpresa e uma pré-estreia, combinadas com um título trash ou um filme antigo; ou só pré-estreias, como é o caso desta sexta-feira; ou sessões interativas, em que a plateia vota no melhor de três… “Varia muito”, diz Luiz, “e o público acaba gostando dessa diversidade.”

Para espantar o sono

A casa sempre cheia é prova de que a receita funciona. E o DJ Jorge Lz se encarrega de espantar o sono dos maratonistas. A música ambiente durante as projeções dá lugar, nos intervalos, ao lounge dançante — mas o som também permite que os frequentadores conversem e comentem o que acabaram de assistir. As escolhas de Lz não necessariamente têm a ver com cinema. O importante é “não fazer um repertório muito deprê, ou dá sono nas pessoas e elas não conseguem ver os filmes”, diz ele, bem-humorado.

A presença eventual de atores faz a alegria da Maratona Odeon — e até dos organizadores. “Selton Mello compareceu quando exibimos ‘O cheiro do ralo’ e foi um sucesso”, conta Luiz Eduardo. “Também tivemos o prazer de receber o saudoso José Lewgoy, apenas como cinéfilo.”

Ver gente da faixa etária de Lewgoy — que morreu em 2003, aos 82 anos — não é muito comum na Maratona Odeon. Afinal, são geralmente as pessoas mais jovens que têm pique para um programa que começa no fim da noite, vara a madrugada e termina com o dia claro. Nem por isso o Grupo Estação se limita a exibir filmes dirigidos a determinada idade. “O discurso do rei” é um dos exemplos citados por Luiz: “É filme de Oscar, está sendo muito esperado, bem falado, e contamos com esse burburinho.”

Para esta sexta, uma coisa certa: vale a pena ver Anthony Hopkins — mesmo que “O ritual” não acrescente novos elementos aos filmes do gênero que se seguiram ao clássico “O exorcista” — e vale mais ainda ver Colin Firth lutar contra a gagueira, com o apoio da adorável esposa vivida por Helena Bonham Carter e os métodos não convencionais do personagem de Geoffrey Rush. E, como lembra Luiz, tudo termina com uma mesa de bolinho e café — “obviamente, com todos famintos, mas felizes com a noite passada”. Pode apostar.

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