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Ilustrações inéditas de Fayga Ostrower são expostas no IMS-RJ

Mostra abre dia 26, na Gávea, e revela o lado menos conhecido da artista, em que ela dialoga com a literatura. Por Solange Noronha

Ilustrações inéditas de Fayga Ostrower são expostas no IMS-RJ
Fayga em seu ateliê. Rio de Janeiro, 1958 (Fonte: Acervo do Instituto Fayga Ostrower)

Gravadora, pintora, professora, teórica da arte… Fayga Ostrower (1920-2001) foi tudo isso e muito mais. Como parte das homenagens aos 90 anos de nascimento da artista, iniciadas em 2010, o Instituto Moreira Salles do Rio abre no sábado, 26, às 18h, a exposição “Fayga Ostrower — Ilustradora”, com cem obras, muitas inéditas, que revelam uma faceta menos conhecida dessa brasileira nascida na Polônia, que veio para cá ainda menina, na década de 1930.

Eucanaã Ferraz

O curador Eucanaã Ferraz, consultor de Literatura do IMS, explica por que a exposição está ligada à sua área: “Nessas obras, a Fayga conversa com escritores, dialoga com romances e poemas.

Linoleogravura sobre papel de arroz para Fontamara. 1945 (Fonte: Acervo do Instituto Fayga Ostrower)

Alguns dos trabalhos foram feitos como exercícios para gravuras e não foram publicados, assim como as ilustrações criadas para o romance ‘Fontamara’, do italiano Ignacio Silone, entre outros que permaneceram inéditos.”

Poeta que sempre se interessou pelas artes visuais — sua tese de doutorado, por exemplo, une João Cabral de Melo Neto e a arquitetura — Eucanaã ficou amigo da artista e de sua filha, Noni, que está à frente do Instituto Fayga Ostrower, no Centro do Rio. De lá saíram várias peças da exposição do IMS, que inclui jornais — em que era comum a publicação de poemas ilustrados — provas tipográficas, matrizes, instrumentos como goivas e rolos e fotos da própria artista.

História e evolução

Linoleogravura sobre papel de arroz para o livro O Cortiço, 1944-1945 (Fonte: Acervo do Instituto Fayga Ostrower)

O curador destaca que a própria história de Fayga pode ser observada nas ilustrações da mostra: “Do expressionismo figurativo de 1944 — em ‘O cortiço’, de Aluísio Azevedo — as linhas vão se soltando — como já se nota em ‘A invenção de Orfeu’, de Jorge de Lima, quase uma década depois. Cada vez mais surgem os contrastes rítmicos que a levam à abstração. Esta já aparece, ao mesmo tempo em que a cor, no livro de poemas ‘A terra inútil’, de T. S. Eliot, lançado em 1956 com tradução de Paulo Mendes Campos.”

Juntamente com esta preciosa e importante exposição, o IMS publica um catálogo, com apresentação de Eucanaã Ferraz e textos dos críticos Fábio Frohwein, Júlio Castañon Guimarães e Roberto Conduru: “Os três contextualizam a obra da artista como ilustradora em relação a outros profissionais da área e às editoras”, diz o curador. “Esta mostra abre um novo capítulo na história do livro e da ilustração no Brasil, sobre a qual ainda há muito a se estudar.”

Linoleogravura sobre papel de arroz para a peça teatral Deus lhe pague, de Joracy Camargo. 1945 (Fonte: Acervo do Instituto Fayga Ostrower)

A abertura é para convidados. Mas do dia seguinte, 27, até 15 de maio, qualquer pessoa pode visitar “Fayga Ostrower — Ilustradora” no IMS — das 13h às 20h, de terça a sexta-feira, e das 11h às 20h, aos sábados, domingos e feriados. Escolas interessadas devem agendar visitas monitoradas pelo telefone (21) 3284-7400. Vale a pena mostrar a estudantes os muitos caminhos da criação artística. Afinal, como disse Fayga: “O homem cria não apenas porque quer ou porque gosta, e sim porque precisa; ele só pode crescer, enquanto ser humano, coerentemente, ordenado, dando forma, criando.”

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