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Incentivo à leitura

| 4/01/2009 | Enviar | Imprimir | Comentários: 6 |
(Artigo sem Avaliação)
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Uma pesquisa nacional divulgada em 2008 mostra que o brasileiro lê, em média, 4,7 livros por ano. No entanto, temos ainda 77 milhões de não leitores, pessoas que não lêem ou porque o livro é caro ou porque não têm tempo ou, simplesmente, porque não gostam. A Bíblia é o livro mais conhecido pelos brasileiros, e entre os autores mais lidos estão Monteiro Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis.

O jornalista Galeno Amorim é diretor do Observatório do Livro e da Leitura, entidade que coordenou a segunda edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, encomendada pelo Instituto Pró-Livro, que abrange um universo de 172 milhões de brasileiros.

Nesta entrevista exclusiva ao site Opinião e Notícia, Amorim afirma que cabe aos pais o principal papel no estímulo à leitura: “A pedagogia do exemplo tem um poder extraordinário.”

Leia abaixo a entrevista completa:

O&N: Que programas de incentivo à leitura o senhor destacaria como eficazes e que realmente mudam a relação do cidadão com o livro e a leitura?
O Brasil tem bons exemplos de ações de fomento à leitura tanto na área pública quanto, principalmente, na sociedade, com iniciativas que partem de escolas, bibliotecas, empresas, instituições sociais e voluntários. Na área pública, um bom exemplo é o programa Arca das Letras, uma iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário que, em apenas quatro anos, já abriu 6 mil mini-bibliotecas na zona rural em todas as regiões do País. Esses livros estão indo parar em comunidades roceiras, aldeias indígenas, assentamentos de reforma agrária e remanescentes quilombolas. Além dos livros, eles formam agentes multiplicadores de leitura. Tudo isso a um custo baixíssimo. Por onde se vai, há iniciativas que fazem a diferença nos lugares onde elas acontecem. Agora mesmo, por exemplo, a Fundação Palavra Mágica está abrindo de uma vez cem clubes de leitura em Ribeirão Preto (SP), para fazer não só chegar o livro gratuitamente como também criar condições de estímulo e apoio para que leitores correntes e leitores em potencial se apropriem deles. O Brasil, na verdade, é pródigo em bons exemplos nesta área. Talvez ainda não sejam suficientes dadas às complicações decorrentes de 500 anos de ausência de políticas públicas na área.

O&N: As políticas públicas vigentes hoje facilitam o acesso ao livro e aumentam o interesse pela leitura entre as pessoas?
As políticas públicas setoriais estão engatinhando. Na área da educação, com acesso gratuito aos livros aos estudantes de escolas públicas, elas estão mais avançadas e isso já começa a dar resultados. Prova disso é que os leitores que estão nas escolas lêem duas vezes mais do que os que já saíram dela. Mas ainda falta uma política mais vigorosa para as bibliotecas públicas, tanto as municipais e universitárias quanto as escolares e comunitárias. Um dos passos importantes nesta década foi a criação do primeiro grande marco legal que é a Lei do Livro, de 2003. No ano seguinte, tivemos a desoneração fiscal do livro e, em 2005, o Brasil fez 100 mil atividades de fomento à leitura para celebrar o Ano Ibero-Americano da Leitura, o Vivaleitura. Nesse mesmo ano, criou a Câmara Setorial do Livro e Leitura e o BNDES ProLivro. Uma das medidas mais importantes nesta área, contudo, se deu em 2006, com a criação do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), o primeiro em cinco séculos de história. Já é um começo e ainda temos que avançar muito para assegurar o acesso das pessoas aos livros e à leitura.

O&N: Muitos especialistas afirmam que o hábito da leitura deve começar cedo, e que a família é um bom exemplo. Mas muitos pais das crianças de hoje não têm o hábito de ler. Como reverter esse quadro?
A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” confirma que o papel da família é fundamental no processo de formação dos leitores. A maior parte dos leitores atuais diz que foi a mãe quem mais influenciou e o pai só aparece em terceiro lugar, atrás dos professores. Três em cada quatro crianças respondem isso e o papel da mãe é ainda maior nos estados do Norte e Nordeste. A maioria dos leitores de hoje guarda a lembrança de algum adulto lendo em casa, ao contrário dos não-leitores, cuja maioria não se lembra de outras pessoas lendo quando eram crianças. O mesmo acontece com relação a presentear os filhos com livros ou revistas. Os pais precisam desenvolver o hábito de ler e contar histórias para os filhos ou mesmo fazer com que existam livros espalhados pela casa. Nada mais forte, no entanto, do que eles próprios cultivarem a prática da leitura. A pedagogia do exemplo tem um poder extraordinário.

O&N: Qual é o papel da escola nesse processo de criar o hábito da leitura?
Esse estudo mostrou que a escola é um lugar privilegiado para formar leitores. O fato de os livros fazerem parte do dia-a-dia dos estudantes já produz algum tipo de resultado. Mas é nas escolas onde professores abraçam de uma forma vigorosa e apaixonada a questão da leitura que ocorrem as mudanças mais substanciais. Nesses locais, onde os livros assumem o papel de fio condutor do projeto pedagógico, os resultados são visíveis. Muitas dessas escolas ganharam prêmios e mostram desempenho acima da média nas medições sobre rendimento escolar. Para isso, é fundamental que os professores possam ler e gostem de fazer isso. Isso se consegue com políticas públicas de formação, incentivo e inclusão da questão da leitura e da própria literatura no processo educacional, e não apenas como mera ferramenta de trabalho.

O&N: Temos uma realidade em que os professores só lêem o estritamente necessário. Ou falta dinheiro ou falta tempo para leitura. Como mudar a cabeça de quem educa nossas crianças?
As duas coisas acontecem. E ainda uma terceira, que é o fato de simplesmente não gostarem de ler. Combater esse quadro passa necessariamente pela melhoria dos salários e valorização dos professores. E, sobretudo, com políticas permanentes de formação do professor. Não se muda isso, definitivamente, em um passe de mágica. Infelizmente, nesse caso, milagres não acontecem.

O&N: Na sua opinião, o livro é caro no Brasil?
Há uma questão que deve vir antes desta. Nenhum país desenvolvido do mundo que resolveu antes do Brasil a questão do acesso à leitura se deu ao luxo de enfrentar esse problema colocando a responsabilidade inteiramente nas mãos do mercado. Ao contrário, esses países perceberam acertadamente que o acesso ao livro e à leitura deve ser assegurado de forma gratuita por meio das bibliotecas públicas. Não conseguiremos jamais solucionar o problema do acesso aos livros no País apenas pelo mercado — e não é apenas porque há 3 mil livrarias concentradas em menos de mil municípios, sobretudo no eixo Rio-São Paulo. Há que se ter acesso aos livros gratuitamente e, aí sim, pontos de venda para quem quiser comprar os livros. Junto com as pequenas tiragens, há um outro problema que é o fato de que, historicamente, os editores brasileiros gerarem produtos olhando quase que exclusivamente da classe média para cima. Mas isso começa a mudar e, aos poucos, teremos, antes mesmo de termos mais leitores, produtos adequados para todo tipo de consumidor — que, por ora, ainda são poucos: apenas 36 milhões de pessoas compram livros no Brasil.

O&N: As crianças e jovens de hoje estão conectados na web. Lêem sites de seu interesse, como de música, jogos, animações, escrevem na linguagem web em salas de bate-papo etc. Essa prática estimula a leitura? A leitura virtual é uma possibilidade a ser explorada?
A pesquisa também mostrou que começa a surgir um outro tipo de leitor. Jovens que cada vez mais lêem ouvindo música, crianças que cada vez mais lêem enquanto assistem TV e, ainda, pessoas de todas as idades, inclusive jovens, que estão nas telas. Para quem consegue ter acesso à internet e tem a leitura de textos virtuais como sua predileta, esse tipo de suporte já é o que consegue fazer com que se dedique mais tempo da semana à leitura. Entender essas mudanças em curso, se preparar para elas e, principalmente, refletir sobre eventuais perdas ou necessidade de correções de rota será um desafio dos tempos atuais. Os livros como conhecemos e curtimos — no formato papel — conviverão harmonicamente com os novos formatos que estão surgindo com as novas tecnologias e haverá espaço para todos eles. Em países como o Brasil — onde há 77 milhões de não leitores — ainda precisaremos de muito mais para criar uma geração de cidadãos leitores. Mas, sem dúvidas, chegaremos lá. O rumo parece que está correto. Só precisamos apertar o passo.

Escrito por: Patrícia Costa

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6 opiniões para o artigo: Incentivo à leitura

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Opinião de Gel Santos
Na data: 5 de janeiro de 2009 as 13:38

O futuro da leitura, realmente tem que começar na família. Em vezes de brinquedos repetivo e sem função educativa, vamos dar livros as nossas crianças? O outro lado a serem questionado é a programação cultural das escolas públicas brasileira. o nivel cultural da tv tanto local como nacional é deprimente. Um tv sem cabo esta em todos os barracos do País uma tv de cabo só a classe média para cima.Então Família, escolas e poder publico são responsáveis pelo futuro da leitura no País. Mas um País que prende livros comos meus estão presos e impedir que livros chegeuei até as praças, isso é ditadura, violência cultural, repressão ao direito de informação.

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Opinião de Evandro Correia
Na data: 4 de janeiro de 2009 as 15:29

Puxa vida, Marcus, a história do mundo também não é a da aquisição da linguagem escrita, da cultura, da ciência?

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Opinião de Marcus
Na data: 4 de janeiro de 2009 as 15:04

Já foi dito, desde tempos antigos, que a história do mundo poderia ser considerada como a história da mentira e do crime.
Parece que dentro desta perspectiva nossos adolescentes não estão muito errados em preferirem fazer nenem ao invés de fazer enem.

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Opinião de Carl Marques
Na data: 4 de janeiro de 2009 as 14:16

Leiam na revista Piaui deste mes entrevista do Lula em que ele diz que não lê nem jornais nem revistas, só lê parágrafos de poucas frases, mastigadas em português para analfabetos

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Opinião de EDVALDOTAVARES
Na data: 4 de janeiro de 2009 as 12:39

CONTRASENSOS AO INCENTIVO À LEITURA: Há carência de seriedade nas políticas públicas resultantes das ações governamentais, este é o problema básico. Como, sem credibilidade, a iniciativa do incentivo à leitura pode frutificar? Exemplos não faltam para o desestímulo. O entrevistado sabiamente retrata a importância do papel da família, em destaque, a dos pais, na formação dos leitores. Menciona que 77 milhões são de não leitores e que um dos motivos é de não gostarem de ler, podendo ser incluído neste grupo o presidente do Brasil, Lula da Silva, que declarou não ser adepto da leitura. Como bem assinala que “A pedagogia do exemplo tem um poder extraordinário”, até o leitor de menor cultura percebe o efeito devastador causado por esta ausência de preferência na coleção de gostos presidencial. Pastores evangélicos, em templos abarrotados de público modesto, tornam a Bíblia o livro mais conhecido – sob a promessa de grandes conquistas na vida ou de tenebrosos castigos – mais do que quaisquer outros livros. Quem lida com o público bem sabe o quanto representa em dificuldade a coleta de informações, ainda mais quando esta se dá por leitura e preenchimento de formulários. Leitura claudicante, precariamente, quando não totalmente entendida. Se há necessidade de preenchimento dos mesmos em respostas aos quesitos, completa-se o desastre. Alguns leitores iludidos poderão dizer que isto ocorre nas pessoas de pouca formação cultural, o que é um ledo engano. A incapacidade de interpretar e escrever, corretamente, um texto é verificável em pessoas de formação intelectual de nível superior. Existe uma falência quase geral da formação cultural do povo brasileiro. Agravando a situação, podem ser apreciados por qualquer um que queira enxergar algumas das aberrações: comparecimento a meia-dúzia de aulas durante o ano escolar garante aprovação automática à série imediatamente superior; obtenção do certificado de conclusão após um ano dos cursos, fundamental mais o médio; matrícula nas universidades públicas, federais e estaduais, para todos oriundos de escolas públicas e que se declarem negro-descendentes; professores desestimulados e desprestigiados, recebendo baixos salários; instalação e falta de mobiliário, adequados, em prédios sem manutenção permanente; e assim por diante pode ser desfiado um rosário de lamúrias de resultado estéril. Registrado fica a minha opinião sobre a excelência do texto e a feliz abordagem da articulista e entrevistadora Patrícia Costa apesar de ter expressado as frustrações que se passam no meu íntimo. BRASIL ACIMA DE TUDO! SELVA! EDVALDOTAVARES. MÉDICO. BRASÍLIA/DF.

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Opinião de Dorival Silva
Na data: 4 de janeiro de 2009 as 10:37

Eu suponho que a situação tenda a piorar. Temos toda uma geração de novos pais que foi criada vendo TV, é esse o hábito que eles vão passar para os filhos.

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Atualizado 09/02/2010 9h30