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Conhecendo a Turquia 3

Istambul – Os passeios

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Quando o imperador Justiniano mandou construir a Igreja da Sagrada Sabedoria, lá pelo ano 532, ele queria ter ali o maior templo católico do mundo, e conseguiu o que queria durante quase mil anos. Após a conquista pelos turcos, em 1453, ela foi transformada numa mesquita muçulmana. Os belos afrescos foram cobertos com gesso, já que a religião do Islã proíbe a representação de figuras humanas ou animais. Os afrescos viram a luz novamente nos anos 1930, quando Ataturk declarou a igreja, hoje conhecida como “Santa Sofia”, um museu. A igreja é impressionante, com sua cúpula muito alta, e suas paredes coloridas. Para mim foi a melhor atração da cidade. Nosso guia falava nela como uma igreja ortodoxa, mas como a igreja ortodoxa só se separou da igreja católica de Roma lá pelo ano 1.000, essa ainda foi construída como uma igreja católica.

Não longe da Santa Sofia, no começo dos anos 1600, o Sultão Ahmet I decidiu construir um templo que ganhasse do outro em grandeza e beleza. O resultado é conhecido como Mesquita Azul,Mesquita Azul apelido que vem da luminosidade dos ladrilhos da parede e do domo pintado. É bonito, mas o fato de a religião muçulmana proibir imagens humanas limita muito a criação artística. Eles ficam limitados a letras árabes ou a desenhos sem sentido, os arabescos. Essa mesquita ainda funciona como tal, e aos sábados cerca de três mil pessoas vêm ali assistir ao culto. Homens no andar térreo, mulheres nas galerias que correm em mezanino ao longo das paredes. O espaço para as mulheres é bem menor do que o dos homens, fiquei sem saber como elas se organizam.

Do lado de fora da Mesquita Azul era o Hipódromo, hoje uma grande praça. Era um estádio onde faziam as corridas de carros puxados a cavalos, popularizadas no filme Ben-Hur. Tinha cerca de 250m x 70m, chegando a abrigar 60 mil espectadores. Perguntei se tinham ali, também, o que os romanos tinham no Coliseu, gladiadores se matando ou criminosos entregues a leões ou outras feras, e Augusto desconversou, disse que isso era em outro local.

Também vizinho desses dois templos está o Palácio Topkapi, que ficou famoso algumas décadas atrás por causa do filme “Topkapi”, a respeito de uma sofisticada tentativa de um roubo do famoso diamante que faz parte do tesouro guardado lá. “Top” quer dizer “canhão”, “kapi” quer dizer “porta”, ou seja, é a “porta do canhão”. O palácio foi construído em 1462 e era a sede do Império Otomano. Não apenas o Sultão morava lá, mas era a sede do famousdiamonds.tripod.comgoverno, com sua administração. Sinceramente não me impressionou como construção, do lado de fora a cúpula onipresente, do lado de dentro não achei nada de muito bonito. As cozinhas gigantescas, onde se preparava comida para 2 mil ocupantes do lugar, hoje viraram exposição sobre assuntos culinários. O ponto alto são as salas do tesouro, repletas de peças de ouro, rubis e esmeraldas, culminando com o famoso diamante de 86 quilates, do tamanho, digamos, de uma ameixa. Uma curiosidade é o suposto crânio de São João Batista — pessoalmente, duvido que seja verdadeiro.

Ainda uma igreja que visitamos foi a do São Salvador, transformada em museu como a Santa Sofia. É muito antiga e mal cuidada, os afrescos muito apagados, mas dá para sentir uma grandiosidade. Uma surpresa é tomar conhecimento de teorias históricas diferentes entre as igrejas católica e ortodoxa. (É preciso levar em conta que nosso guia era um muçulmano que não disfarçava seu ódio pela igreja católica, diferentemente da ortodoxa, que ele respeita). Segundo ele, alguns afrescos representavam José, pai de Jesus, que seria viúvo ao conhecer Maria. Ele já teria um filho crescido quando conheceu a menina Maria, mais jovem do que o filho. Essa versão nos teria sido ocultada pela igreja católica. Pelo menos dois afrescos mostram José, sentado no chão meditando ao lado do leito de Maria, segundo o guia tentando entender como é que ela podia estar tendo um filho se ele não tinha tocado nela. Uma pessoa maliciosa que estava por perto comentou que dava para pensar em outra explicação além de um milagre…

Perguntei ao guia onde era o palácio dos antigos imperadores de Bizâncio, antes da conquista pelos turcos, e ele disse: “Eram três, mas não existem mais”. Como ele mudou de assunto, fiquei pensando se devia deduzir que os turcos destruíram os palácios de seus antecessores, mas permaneci sem resposta.

Em vários momentos, nas nossas idas e vindas, víamos de longe um trecho das antigas muralhas, que o guia informou serem do tempo de Teodósio, do século V. Pedi para pararmos para eu descer e tirar algumas fotografias, achei que seria interessante ter uma foto ao lado daquelas grandes muralhas, ainda de pé após mais de 1.500 anos. Afinal de contas, outras grandes capitais como Londres, Paris e tantas outras também foram muradas mas nãoMuralha de Teodósio existem mais restos dos muros. Para minha surpresa eles não dão valor nenhum a elas, não existe um local onde se possa parar o carro e chegar perto delas. Tive de fotografar de dentro do carro em movimento, através das duas pistas de uma avenida. Estranho, parece haver algo político ou religioso aí… talvez não queiram valorizar algo anterior ao grande Império Otomano.

Santa Sofia, Mesquita Azul e Topkapi são as três grandes atrações da cidade. A igreja de São Salvador foi um extra, para preencher o tempo. Um outro extra bastante interessante, embora não tão famoso, foram as antigas cisternas. No raciocínio da Idade Média, em que uma cidade estava sujeita a ser sitiada por seus inimigos, era importante ter, do lado de dentro das muralhas, um suprimento de água confiável. Se dependessem de um riacho vindo de fora, o inimigo poderia envenenar a água. Assim, em algum momento o imperador fez construir, ao lado de Santa Sofia, uma vasta cisterna subterrânea que hoje não tem mais esse uso e está aberta ao público. Com o tamanho de talvez um meio quarteirão, e uns oito metros de altura, é um espetáculo interessante.

“Taksin Square”. É como eles se referiram a uma praça na cidade nova, não longe do chifre de ouro. Eu diria que á a parte antiga da cidade nova, tem edifícios e igrejas que devem ser do século XIX, inclusive o Hotel Pera, onde paravam para dormir os passageiros do famoso trem Orient Express. Da praça sai uma avenida de pedestres (mas pela qual passam alguns carros e um bonde) cercada de pequenas transversais estreitas, com lojinhas pitorescas. Vimos várias galerias imitando as de Paris, algumas em bom estado, muito bonitas. Imitando o nome parisiense “passage” elas se chamam “passaj”.

Em volta de Santa Sofia e da Mesquita Azul existe um bairro antigo, cheio de ruelas com pequenas construções interessantes, cheias de comércio pitoresco. E também ali perto existe o Grand Bazar, o típico bazar da região, com centenas de lojas. A tradição do lugar é que o lojista pede um preço absurdo pela sua mercadoria, você oferece metade, e aos gritos, entremeados de xícaras de chá que ele oferece, você eventualmente chega a um acordo e compra algo. Estamos falando de desde uma pequena lembrança para os amigos até tapetes de altíssima qualidade que chegam a custar vinte mil dólares. O lugar é bonito e pitoresco, vale a visita. Mas cuidado ao fazer compras, tem muita coisa falsificada. E cuidado com a carteira. O guia “Lonely Planet” afirma categoricamente que quem entra ali sem conhecer se perde com certeza. Não aconteceu conosco. Aliás, na mesma semana em que tínhamos comprado esse guia saiu a denúncia de que alguns trechos de um de seus guias tinha sido escrito por alguém que nem ao menos esteve no local. Perigoso…

Um último passeio, talvez secundário mas agradável, foi para visitar o Hotel Çiragan Palace e jantar em seu restaurante Tugra. O hotel em si é moderno, mas tem como anexo o belíssimo Palácio Çiragan, que foi sede do governo, e que foi magnificamente restaurado recentemente. O restaurante é bom e bonito, com vista para o Bósforo.

Leia toda a série Conhecendo a Turquia:

Conhecendo a Turquia

Istambul – informações gerais

Capadócia

Turquia, laicismo e Islã

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8 Opiniões

  1. Silmara disse:

    Parece lindo essa lugar, uma terra que respira história… muito bonito!

  2. André Monteiro disse:

    a Turquia deve ser maravilhosa…um dia ainda vou lah….
    sem falar na sonoridade bela do idioma turco….

  3. sindey disse:

    olha esse lugar é maravilhoso.!!!!!!

  4. Mustafa disse:

    Sou turco, deste maravilhoso país.
    Quem quiser aprender turco e conhecer mais a Turquia basta entrar em contato conosco.
    http://www.BrasilTurquia.com.br

  5. Júlia disse:

    Olá. Conheci a Turquia em julho de 2007. Foi uma experiência fascinante! Superou todas as minhas expectativas, já que nas empresas de turismo aqui no Brasil foca-se muito mais a Grécia.. o Marrocos.

    Istambul é uma cidade nostálgica e vc, que ainda não conhece deve chegar com o coração aberto e será muito bem receido. Único porém: Assim como no Brasil, o inglês não é muito falado pela maioria da população. Entrar em contato com um amigo/ guia turco é uma ótima opção para aproveitar ainda mais o passeio!

    Parabéns pelo artigo. Mostrou fielmente as belezas da antiga Constantinopla!

    obs: Não deixem de visitar Topkap, para mim foi o melhor dos passeios!

  6. Regina Boreth disse:

    Sonho em conhecer este lugar,me entereço por tudo
    do oriente.Quero agradecer a Fernando Magalhães e “Opinioes dos leitores”quem mndou este matéria. Abraço

  7. Rosalina de Souza Gomes disse:

    Eu sonho em um dia conhecer a Turquia. Tudo lá me encanta. Turquia é minha segunda pátria. Tudo sobre este povo me interressa. Abraços

  8. Odla Albuquerque disse:

    Muito boas as matérias referentes à Turquia. Mas, tenho q discordar do autor qdo ele diz q o Topkapi não e tão bonito por dentro…é LINDO! E q jardins maravilhosos…e o Harém? Vale a pena uma visita lá, com certeza! Tb senti falta de se comentar um pouco mais sobre os outros museus da cidade, como o de cultura turca e islâmica, q fica bem pertinho da Mesquita Azul. Sem falar no Museu Militar e o Naval…e taksim é um distrito maravilhoso, indo muito além da rua Istiklal onde passa o bonde…ela é cheia de ruelas charmosas onde se deve parar sem pressa para tomar um chá e apreciar os transeuntes…
    Aguardo ansiosa pelas outras matérias, pois assim mato as saudades de Istambul!
    Parabéns pelas matérias,
    odla

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