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Música Clássica

Kirchschlager no pedaço

A cantora, que se apresenta estes dias no Rio e em São Paulo, é no cenário internacional uma das meio-sopranos mais apreciadas. Por Clóvis Marques

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Angelika Kirchschlager (Fonte: Reprodução/Nikolaus Karlinsky)

O nome dela é quase impronunciável para um latino, mas contém música pura! Nascida em Salzburgo, terra de Mozart, Angelika Kirchschlager estudou piano inicialmente mas descobriu meio por acaso – como acontece tantas vezes – que “tinha” uma voz, e foi estudar na Academia de Música de Viena, entre outros, com o grande barítono Walter Berry.

Desde 1993, quando estreou no Cavaleiro da rosa de Richard Strauss na capital austríaca – onde vive –, a cantora, que se apresenta estes dias no Rio e em São Paulo, é no cenário internacional uma das meio-sopranos mais apreciadas: um timbre acetinado que se ilumina e colore com a intuição e a inteligência do canto.

Famosa pelos papeis masculinos “travestidos” da tradição operística (Cherubino, Annio e Idamante em Mozart, Sesto e Ariodante em Händel, Octavian e o Compositor em Strauss), Kirchschlager também marcou época na década passada com a criação em Londres e Washington do papel central de A escolha de Sofia, de Nicholas Maw, ópera extraída do romance de William Styron que deu origem ao filme célebre com Meryl Streep.

Membro da Ópera de Viena, divorciada de um cantor e mãe de um rapaz, Kirchschlager também se tem destacado em papeis como Dorabella (Così fan tutte), Zerlina (Don Giovanni), Mélisande (Debussy), Orlofsky (Die Fledermaus), Valencienne (A viúva alegre) e Hänsel (Hänsel und Gretel). Mas hoje dá preferência aos recitais, embora não tenha abandonado a ópera.

Ela se apresenta no Teatro Municipal do Rio pela programação da Sala Cecília Meireles neste sábado 30 de julho e na Sala São Paulo pelo Mozarteum nos dias 2 e 3 de agosto. Será acompanhada pela Camerata Bern num programa que comporta árias de óperas de Händel e canções de Schubert – uma seleção de hits que inclui Ganymed, Heideröslein, Du bist die Ruh, Rastlose Liebe e Der Erlkönig. Por e-mail, Frau Kirchschlager respondeu às perguntas do Opinião e Notícia.

– Você costuma dizer que o colorido vocal é importante na sua arte. Como se dá isto num recital Schubert e Händel como o que apresentará no Rio?
Angelika Kirchschlager: As cores são emoções, e essas emoções são influenciadas de muitas maneiras num recital, até pelo público e a acústica da sala. Assim, minhas cores são diferentes a cada vez.

– Sua voz tem algo doce e próximo da voz de soprano. Como se explica que os papeis de travesti sejam frequentes no seu repertório?
A. K.: As duas coisas não são contraditórias. Os papeis de travesti são destinados a mulheres e portanto uma certa doçura e feminilidade é mesmo necessária e intencional.

– Você diria que o interesse do público pelo Lied e a canção não é o mesmo que há 30 ou 40 anos? Por este motivo é que os recitais temáticos e com duetos se tornam mais frequentes na Europa?
A.K.: Os tempos mudaram muito nos últimos 30 ou 40 anos. Há tanto barulho
no mundo hoje, e a atenção está voltada muitas vezes para coisas sem importância, o que faz com que as pessoas pensem que os recitais de Lieder estejam esquecidos, mas não é verdade. Sinto que ultimamente vem aumentando a demanda de recitais. Em nossas sociedades tão apressadas, um recital oferece a oportunidade de dar uma parada e se deixar tocar pela música.

– Quais os papéis que se prepara para cantar no momento?
A. K.: Estou me preparando para novas produções de Ascensão e queda da cidade de Mahagonny, de Kurt Weill, na Ópera de Viena, e de Pélleas et Mélisande, de Debusy, na Ópera Nacional da Finlândia – além, claro, de muitoas recitais mundo afora. No ano que vem, farei uma turnê de recitais em meu país, a Áustria, cantando em cidades pequenas para levar essas canções a um público que nem sempre pode comparecer a grandes festivais ou salas de concerto.

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2 Opiniões

  1. Markut disse:

    Kirschlager tem razão. Quanto mais barulho, lá fora, mais esse gênero intimista, ainda em voz feminina, atrairá mais apreciadores.

  2. Felipe Cunha disse:

    E não teremos uma resenha sobre o delicioso concerto que aconteceu no TMRJ no último sábado? 😉

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