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Séries de televisão

Lá como cá, os atores se repetem

Achar novos rostos na hora da escalação de elenco, ou casting, parece não ser problema exclusivo da nossa TV. Por Solange Noronha

Lá como cá, os atores se repetem
Tony Ramos e Glória Pires fizeram par romântico em diversos filmes e novelas (Fonte: R7)

Fim de ano é época dos mesmos especiais de sempre nos canais abertos e de reprises nos canais por assinatura. Uma olhada em velhos episódios de algumas séries que já estão se despedindo do público, pois não emplacaram lá fora, e de outras ainda em fase de exibição de inéditos leva o espectador a uma conclusão: não é só por aqui que as emissoras sofrem para não repetir os mesmos rostos trabalho após trabalho, ou para encontrar bons intérpretes em faixas etárias específicas, com biotipo adequado a certos papéis etc. e tal.

O aumento do número de produções tem levado autores e diretores brasileiros a reservar atores com uma antecedência impensável não muito tempo atrás. Afinal, há que se ser Tony Ramos na vida para se desdobrar em dois (como em “Baila comigo”) e incorporar não só a Glória Pires, como típicos representantes de países diversos, da Grécia à Índia — passando algumas vezes pela Itália, entre outros. Enquanto isso, nas séries que nos chegam via TV paga, é possível ver o mesmo ator (o “bom companheiro” Mike Starr) vivendo um policial corrupto aposentado à tarde e um paramédico ladrão à noite, em diferentes filhotes de “Law and order”.

O ator Mike Starr

Há casos que beiram a onipresença — e que só não comprometem quando o ator faz tipos variados; se ele fica marcado como vilão, basta entrar em cena para todos saberem que é culpado de alguma coisa na história. A irlandesa Paula Malcomson, por exemplo, conseguiu a proeza de viver personagens importantes, simultaneamente no ar, em “The event”, “Sons of Anarchy” –que também dividem o veterano Hal Holbrook — e “Caprica”, esta última já cancelada (sua trama foi considerada complexa demais até pelos fãs de “Battlestar Galactica”, da qual era “prequel” — que as outras tenham melhor destino!).

A atriz Paula Malcomson

Muito antes do anúncio do cancelamento de outra série interessante, “Rubicon” — será que seremos obrigados a nos conformar com enredos tolinhos ou fórmulas consagradas? — Dallas Roberts, texano como sugere o nome, já havia batido ponto — e esperemos que emplaque — como o irmão de Alicia Florrick (Julianna Margulies) em “The good wife”. Na atual temporada, a mesma série — que mistura dramas familiares com casos jurídicos e cenas de tribunal — teve ainda a participação do ator principal de “In plain sight”, o polivalente Frederick Weller, que no ano passado começou também a se exercitar nas funções de roteirista e diretor.

Pequenas e marcantes participações

Falando em “In plain sight”, quem passou por lá e anda pulando de série em série é Laura San Giacomo, atriz que já foi protagonista de sitcom de sucesso — “Just shoot me”, de 1997 a 2003. Agora, foi candidata ao programa de proteção a testemunhas em Albuquerque, na pele de uma mulher de personalidade forte, doente terminal; uma vizinha muito estranha de Allison Dubois (Patricia Arquette) em “Medium”… e assim por diante. No mesmo episódio de “In plain sight” que teve Laura, também esteve presente o simpático Michael Badalucco, que passa por situação semelhante à da colega: depois de integrar o elenco fixo de “O desafio” (“The practice”), participou de um ou mais episódios de seriados diversos e este ano pôde ser visto no Brasil também em “Boardwalk empire” e “Private practice”.

A atriz Laura San Giacomo

Outro caso similar é o de Kenneth Mitchell, que em 2010 teve a chance de reencontrar o “irmão” (dos tempos de “Jericho”) Skeet Ulrich, que agora dá plantão em “Law and order: Los Angeles” como ator principal. “Lie to me”, “Criminal minds” e “Hawaii Five-0” foram alguns dos outros títulos em que ele deu as caras, sempre com competência.

Famoso por estas bandas desde que foi o chefe dos agentes Mulder (David Duchovny) e Scully (Gillian Anderson) em “Arquixo X”, o igualmente competente Mitch Pileggi não para e, como Paula Malcomson, conseguiu emplacar personagens de longa duração em mais de uma série ao mesmo tempo: “Supernatural”, “Medium” e “Sons of Anarchy”. Isto sem contar que atuou em “Castle” e em mais de um episódio de “Grey’s anatomy”.

O ator Mitch Pileggi

Figurinhas fáceis

A lista das figuras facilmente encontradas na televisão é grande, especialmente para quem é fã dos outrora chamados “enlatados” — ou as séries estrangeiras ainda são denominadas assim?

Este ano, além de trabalhar como dubladora de seriado infantil de animação, Kelly Hu — que já foi Miss Teen Estados Unidos e assinava Kelly Ann Hu — saiu de “Vampire diaries” diretamente para a terra de parte de seus ancestrais, no episódio de “Hawaii Five-0” exibido esta semana por aqui.

Titus Welliver, por sua vez, fez mistério no final de “Lost”, como “o homem de preto”, passou rapidamente por “The closer” e agora alterna sotaques como o promotor público rival do inescrupuloso Peter Florrick (Chris Noth), em “The good wife”, e o assassino e contrabandista de armas irlandês Jimmy O’Phelan, em “Sons of Anarchy”. Porém, diferentemente de Paula Malcomson — que voltou às origens na pele de Maureen Ashby, da filial de Belfast dos Filhos da Anarquia — ele é norte-americano de Connecticut e foi criado na Filadélfia e na cidade de Nova York.

Vale a pena lembrar que, com a promessa de muitos extras, acaba de ser lançada em DVD a última temporada de “Lost”, que foi uma vitrine e tanto para muita gente. Houve períodos em que Mark Pellegrino, o Jacob, parecia estar em todos os canais de séries, especialmente quando encarnou Lúcifer em “Supernatural”, embora permanecesse na ilha. Está com saudades?  Em breve ele poderá ser visto em “Being human”, versão USA. Daniel Dae King, o coreano Jin Kwon, agora é o detetive Chin Ho Kelly de “Hawaii Five-0”. Henry Ian Cusick (escocês nascido no Peru) foi Desmond e já ressurgiu em dois novos episódios de “Law and order: Special Victims Unit”. Nestor Carbonell, o eternamente jovem Richard Alpert, também apareceu em dose dupla na divertidíssima “Psych” e já era bastante conhecido por essas bandas, desde o “Law and order” original e de “Veronica’s closet” e de “Suddenly Susan” e…

O ator Nestor Carbonell

Bom, melhor parar por aqui, pois, como já foi explicado, a lista é grande. Com tantos atores se desdobrando em tantos papéis na televisão, dá até para brincar de “seis graus de separação”, teoria científica que virou uma espécie de jogo na internet, a partir do ator Kevin Bacon e suas ligações com colegas e afins. Entre lá e experimente, por exemplo, ligar nosso Rodrigo Santoro, que esteve em “Lost”, a CCH Pounder, que hoje acumula “Warehouse 13” e “Law and order: SVU”.  Ou Benito Martinez, outra figurinha carimbada, a Blair Underwood — no ar em “The new adventures of old Christine” (rebolando!) e “The event” (como presidente dos EUA). Ou…

As possibilidades são infinitas. Boa diversão — na TV ou na tela do computador. Como dizia o Tony Ramos, você decide.

Caro leitor,

Entre os atores e atrizes vistos com frequência na TV em papéis coadjuvantes, você tem um preferido?

Acha que confunde o público ver o mesmo rosto em diferentes personagens ao mesmo tempo?

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2 Opiniões

  1. Peter Pablo Delfim disse:

    As novelas estão um verdadeiro desatino. Uma insanidade. Fogem completamente ao razoavel do cotidiano das pessoas. É só nisso que se ouve falar. Os autores são sempre os mesmos e parecem viver em outro mundo. Viciaram as pessoas a estarem em frente a tv em determinado horário assistindo uma novela a qual fazem severas críticas mas não as abandonam de vez. As audiencias mentirosas são a única verdade desse devaneio sem sentido algum. Muita propaganda e igual frustração. Assim ocorre também com os atores. As mesmas caras, os mesmos dramas insuportáveis. Péssimo.

  2. helio disse:

    Os atores devem e podem desempenhar papéis diferentes. Talvez o que mais me incomoda é a pobreza do assunto das novelas, a repetição de folhetim, a completa distância da realidade brasileira. As novelas já foram melhores, os seriados, com excelentes exceções, são de repetida mediocridade.

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