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Nova temporada

‘Law and order’: mudam os cenários, mas não a fórmula de sucesso

Os primeiros episódios desta 12ª temporada mostram que há tramas fortes, que ainda conseguem surpreender e até chocar os espectadores após todos esses anos. Por Solange Noronha

‘Law and order’: mudam os cenários, mas não a fórmula de sucesso
Skeet Ulrich and Mariska Hargitay em Law and Order (Fonte: TV Guide)

É difícil avaliar pela estreia uma série nova, ou mesmo a nova temporada de uma velha conhecida do público. Porém, uma meia dúzia de episódios depois — ou mais, se levarmos em conta a exibição no país de origem — já é possível dizer alguma coisa sobre a filha caçula de Dick Wolf, Lola, e também, da mais velha em atividade, já que a primogênita se aposentou — quer dizer, primogênita de seu casamento bígamo com a Lei e a Ordem em 1990, pois antes, quando ainda assinava Richard A. Wolf, o fertilíssimo papai já tinha dado outras crias.

“Lola” — como “Law and order: Los Angeles” já foi apelidada nos EUA — entrou no ar com uma cena de abertura que mais lembrava a Las Vegas de “CSI”, mas logo foi adquirindo a luminosidade e as características de sua cidade-título. A fórmula criada por Wolf em 1990 está toda lá. A metade inicial da trama é dedicada à investigação criminal e a final, ao julgamento e às implicações jurídicas — e, muitas vezes, políticas — do caso. Há uma dupla de detetives, sua chefe, um promotor público, o casal de promotores assistentes, em que o homem é mais velho e/ou mais experiente que a mulher…

Bom, na promotoria há uma novidade, que, pelo andar da carruagem, pode até não durar muito tempo. Como ocorria em Nova York, o cabeça do departamento, que é eleito e atua mais nos bastidores, aparece menos que os subalternos, que frequentam a corte — uma pena para os fãs de Peter Coyote, mas não esqueçamos que esta regra mudou quando Jack McCoy (Sam Waterston, ator da série original desde 1994) assumiu o posto, após anos como A.D.A. (Assistant District Attorney). Agora, porém, temos quatro D.D.A. (Deputy District Attorney). Seja qual for a diferença entre um cargo e outro, ela não se faz notar muito. O que se destaca é o fato de dois pares se revezarem na função — além da surpresa de ver o excelente Alfred Molina meio perdido em seu papel.

Sam Waterston como Jack McCoy

No original, a melhor fonte de inspiração

Nascido em Londres, filho de um espanhol e uma italiana, Molina já teve chances de mostrar seu talento em filmes dos mais variados gêneros, de “Frida” a “Homem-Aranha 2”, de “Magnólia” a “O código Da Vinci”. Em “Lola”, parece haver uma tentativa de fazer dele um promotor mais emotivo, bonzinho, enquanto seu colega assume o legado do combativo Jack McCoy. Quem ganha com isso é Terrence Howard, que viveu Rhodey, o amigo de Tony Stark (Robert Downey Jr.) em “Homem de Ferro”: além de aparecer mais vezes no ar, seu atual personagem já teve chance de viver alguns momentos marcantes no tribunal.

Na delegacia, Corey Stoll está bem como o “segundo” detetive e Tamlyn Tomita tem tudo para entrar no elenco fixo como a médica legista. O desafio maior é do protagonista Skeet Ulrich, que ainda ostenta um quê de rapaz rebelde, apesar de estar prestes a completar 41 anos. Não que se espere dele, já de cara, que fique confortável e à vontade como o saudoso Jerry Orbach na pele do cínico Lenny Briscoe — papel que interpretou de 1991 a 2004, ano de sua morte. Mas o ator ainda não encontrou o tom.

Corey Stoll e Skeet Ulrich em "Lola"

Aliás, de forma geral, ainda falta uma “pegada” a “Lola”, que tem seus melhores momentos quando se aproxima da matriz nova-iorquina — que, não à toa, rendeu 20 temporadas de sucesso e vários spin-off, ou filhotes. Um exemplo disso são os embates, dentro do sistema judiciário, entre se aplicar a lei ou atender a interesses políticos, pois nem sempre é possível conciliar as duas coisas.

Na renovação, os melhores momentos

Em “Law and order: Special Victims Unit”, ocorre justamente o inverso: é quando se afasta dos cacoetes das 11 temporadas anteriores que ela vive seus melhores momentos.

Os primeiros episódios desta 12ª são explícitos: a série está “arrumando a casa” — o que se traduz em obras na delegacia, mudança de ambiente e também de promotora especializada na área de crimes sexuais (até agora, o cargo sempre foi ocupado por mulheres, talvez porque geralmente as vítimas são também do sexo feminino, ou crianças).

Há tramas fortes, que ainda conseguem surpreender e até chocar os espectadores após todos esses anos, mas também certa tendência a deixar meio de lado a dupla Fin e Munch (Ice T e Richard Belzer, cujo personagem tem sempre ótimas tiradas) e uma irritante mania dos roteiristas de levar o drama para a vida pessoal dos detetives vividos por Mariska Hargitay e Christopher Meloni. Quando isso acontece, pode contar: os detetives Benson e Stabler perdem as estribeiras, ela fica careteira, ele se excede na agressividade… Enfim, um festival de déjà vu que ninguém merece, pois dá a sensação de se estar assistindo a uma reprise. Um pouco mais de criatividade não faz mal a ninguém…

Mariska Hargitay e Christopher Meloni em SVU

Falando em criatividade, recomenda-se que ela seja estendida — em “Lola”, “SVU” e seriados em geral — à escalação. Na primeira, por exemplo, Shawnee Smith, marcada para sempre como a Amanda de “Jogos mortais”, ganhou um banho de loja para o episódio de estreia. Mesmo assim, como não achar que ela é “o mordomo” da história? Não seria interessante transformá-la não apenas numa senhora chique, mas também numa mulher correta, talvez até boazinha?

No mais, a prole de Dick Wolf com a Lei e a Ordem vai muito bem, obrigada, apesar da já citada aposentadoria da primogênita (clonada — e ainda ativa — no Reino Unido) e da morte anunciada de seu irmão mais esperto e mais sofisticado, “Law and Order: criminal intent” (que teve adaptações na França e na Rússia). Os fãs ficarão um pouquinho menos tristes se, como foi noticiado, o inimitável detetive Goren criado por Vincent D’Onofrio voltar para a despedida.

Caro leitor,

Qual o seu “Law and order” preferido?

Dos principais personagens da franquia, qual acha mais marcante?

Acredita que a criação de Dick Wolf ainda pode render outros spin-off? Tem alguma sugestão?

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3 Opiniões

  1. Mariana disse:

    A mudança foi muito bem elaborada. A transição foi feita de forma profissional e não afetou a trama. O ator Skeet Ulrich, muito embora tenha uma aparência razoável e carisma, é medíocre e inexpressivo, aliás, sempre foi, desde Jericho. Já Alfred Molina é um excelente ator, quer seja por Spider Man, na pela do Doctor Octopus, ou Código Da Vinci, Magnólia, Frida, quer seja como o assassino em série de SVU, entretanto, não convenceu como o promotor Morales. Terrence Howard, todavia, convenceu e muito como promotor Dekker, talvez por isso a saída mais inteligente tenha sido matar Skeet e transferir Molina para a “força”, já que é inegável sua capacidade de atuação, porém, também é inconteste que ele não teve a mesma química que Terrence teve com o público. Mas essa é a essência de Law e Order, não há um elenco fixo, não há protagonistas de fato, pelo menos na série original e em suas spin-off, exceção feita a SVU, que se mantém quase fiel a seu elenco original, excetuando as promotoras. Dick Wolf inovou ao jamais fazer com que a série dependa de uma personagem. Na série original tivemos três promotores de justiça, cinco procuradores, mais de meia-dúzia de promotores assistentes e diversos detetives. A delegacia foi comandada por dois oficiais; primeiro o Cap. Cragen, que se muda para SVU, e dps a Tenente Van Baurren. As personagens sempre transitaram perfeitamente entre as spin-off. Lástima seja que no Brasil somente tenham sido exibidas 03 “franquias” dessa série que sem dúvidas fez história na TV americana, e quase bateu o recorde como a série drama a mais tempo no ar, 20 longas temporadas.

  2. helio disse:

    Gosto do Lola, mas tenho saudades dos suspenses de Miss Marple e do excelete Maigret e outros seriados de crime franceses que se passam em lugares clamos e belos. SVU tem Hargitay, que muda sempre o visual e increditavelmente é a filha de Jane Mansfield.

  3. Olga disse:

    Tem uma dupla de policiais novos em algum desses Law and Order que é interpretada por dois canastrões pavorosos, Jeremy Sisto e Anthony Anderson. Não sou fã de carteirinha da série, mas vez por outra assisto. Só não dá pra ver quando entra essa dupla horrível.

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