O jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, que assina uma coluna no jornal “O Globo”, do Rio, acaba de lançar um livro com o nome acima. Trata-se da biografia da atriz que fez algum sucesso no final dos anos 60 e início dos 70. Seu grande sucesso foi o filme “Todas as mulheres do mundo”, de 1966, junto com o ator Paulo José e dirigido por Domingos de Oliveira, que tinha sido marido de Leila durante dois anos. Lembro-me de ter visto o filme e gostado. Em seguida gostei também de uma espécie de continuação, “Edu coração de ouro”, com o mesmo galã como companheiro.
A pessoa
Ela começou a carreira como atriz da primeira novela da Globo, “Ilusões perdidas”, de 1965. O fato de estar casada com Domingos de Oliveira, diretor da casa, parece ter ajudado a conseguir o papel. Mais tarde ela foi banida da Globo. A autora de novelas Janete Clair teria dito: “Nas minhas novelas não tem lugar para pu..”.
Fora os dois filmes mencionados acima, Leila trabalhou em vários outros insignificantes e como vedete do teatro rebolado em várias “revistas”, como eram chamadas. Mas o que a tornou mais famosa, pelo menos no Rio, foi o fato de ter ido à praia de biquíni, estando grávida, exibindo a barriga a todos. Coisa corriqueira nos dias de hoje, mas um pequeno escândalo na época. Essa foi a vez em que seu nome, e foto, correram o país. O outro fato que contribuiu para sua fama (principalmente na Zona Sul do Rio de Janeiro) foi uma entrevista que deu para o semanário “O Pasquim” em 20 de novembro de 1969.
Para quem não é daquele tempo, ou não é do Rio, “O Pasquim” foi um jornal em formato tablóide, liderado por jornalistas de alto nível como Millôr Fernandes, Paulo Francis e outros, que usava o humor para fazer oposição sutil (ou muitas vezes não tão sutil) ao regime militar. Nessa entrevista, Leila falava sobre sua liberdade sexual com extrema abertura, além de usar palavrões sem parar. O livro cita a entrevista publicada e também trechos não publicados, em que os palavrões eram mais cabeludos ainda. E conta detalhes da vida sexual de Leila, que foi muito ativa nessa área.
Leila era filha de um casal de militantes comunistas, ateus e adeptos da liberdade total de comportamento, que usavam a linguagem chula na frente dos filhos. Também se faziam mutuamente carícias sexuais na frente das crianças, de modo que Leila cresceu acostumada a um comportamento que não era o usual na família brasileira.
Não vou contar o final do livro, já que podem existir leitores que não saibam sobre como terminou a carreira de Leila.
O livro
Leila se tornou famosa no Rio. Como disse alguém, “Ipanema não é o Rio, e o Rio não é o Brasil”. Os cariocas tendem a pensar que Leila é um grande personagem nacional, quando ela o é, na verdade, apenas na Zona Sul do Rio. Verdade que, como dizia Getulio, “O Rio é o tambor do Brasil”, o que acontece lá repercute mais do que acontecendo em outro lugar.
O autor se deslumbra um pouco com esse brilho ipanemense, mas é um jornalista experiente e se sai razoavelmente bem. Me incomoda o uso do que costumo chamar de “jurnalistiquês muderninho”, uma linguagem criada nas redações do Rio para supostamente dar um tom moderno ao texto. Alguns exemplos: chamar o então compositor e hoje escritor Paulo Coelho de “o mago Paulo Coelho”; chamar Vinicius de Morais de “poetinha”; referir-se a Tom Jobim como “o grande maestro da bossa nova” (ele foi o grande compositor, foi arranjador esporádico – por que “maestro”?); abusar de linguagem chula, não apenas citando palavras de Leila mas em seu próprio texto; ao falar da conquista de uma atriz americana chamada Candice Bergen, famosa na época, pelo jornalista do “O Pasquim” Tarso de Castro o autor diz que: “… a moça caiu de quatro e passou longas temporadas no Brasil, quase o tempo todo na mesma posição…”. Senhor Joaquim Ferreira dos Santos, o que quer dizer isso exatamente?
Comete certos exageros, como dizer que a entrevista de Leila ao “O Pasquim” “… está para a história da mulher brasileira como a carta-testamento de Getulio para a República…” e chamar a mesma entrevista de “um espetacular escândalo nacional”.
Mas, no geral, o livro relata bem a história dessa pessoa que não foi nem grande atriz nem grande vedete do teatro rebolado, mas foi possivelmente uma grande pessoa? Mas lembrem-se, ipanemenses: Ipanema não é o Rio de Janeiro, e o Rio de Janeiro não é o Brasil.


recado para Marcio Silveira: a sua reportagem está mais para opinião de leitor do que para artigo de jornalista. Respeito sua opinião, assim como a de qualquer pessoa, mas acho que o seu discurso está muito tendencioso. Dizer que Leila Diniz fez "algum sucesso"? Então explique por que seu nome foi dado a uma maternidade aqui no Rio de Janeiro? Dizer que ela rompeu com padrões de comportamento da época, então o que dizer de Chiquinha Gonzaga? E George Sand? Por favor… (obrigado pelo espaço)
Gostei muito do texto de Marcio Silveira. Sempre tive a impressão de que endeusavam uma mulher que não exatamente merecia tanto endeusamento. Agora, uma coisa é certa sobre Leila Diniz: ela acabou com tabus idiotas. Se não fosse por ela, até hoje teriamos muito mais falso moralismo.
Prezado Joao Demetrio
Ter uma maternidade com seu nome não quer dizer muita coisa, não? Qualquer mãe de vereador pode ter uma… Será que tem outras coisas com nome dela no resto do país? Aqui em São Paulo não conheço.
Leia o livro e você entenderá melhor.
Temos que lembrar que, graças à Leila, as grávidas de hoje podem mostrar suas barriguinhas na praia e não precisam usar aquele aventais horrorosos para escondê-las…
Como eu nunca fiquei grávido a questão de mostrar a barriguinha não me diz nada. Mas aqui no Piauí o nome Leila Diniz é pouco conhecido, acho que ela foi realmente importante no Rio, Ipanema. Mas os cariocas acham que sua cidade é o centro do mundo…
Caramba! Você fez pouco de alguém que teve uma enorme importância no país. Não por ser atriz, carioca ou seja lá o que for. A importância da Leila Diniz foi por ter aberto portas que, com certeza, você usufrui. Ipanema não é o Rio e muito menos o Rio é Brasil, mas com certeza Leila Diniz é Brasil. Muito feia a sua coluna.
nem toda mulher e leila diniz……graças a deusssss…….
Realmente Leila foi uma figura que marcou os anos 60, mais pela irreverência e alegria – em plena ditaduradava uma aliviada na tensão e terror predominantes – do que por talento, seja como atriz ou vedete, nem mesmo sabia dançar direito. Mas é óbvio que existem exageros e endeusar alguem so porque falava palavrões e exibir barriga de grávida e daí dizer que isso significava revolucionar costumes, bem acho que é superficial demais.
Discordo do seu comentário. Leila era famosa em todo o Brasil. Eu era pequeno, não morava no Rio e me lembro de algumas novelas dela. O Sheik de Agadir foi seu ponto máximo, na Globo, mas Dez Vidas chamou a atenção por falar da vida de Tiradentes…
Curiosamente, o auge da popularidade dela aconteceu como jurada do programa Flávio Cavalcante. Um trabalho menor, é verdade, mas muito assistido na época. Fiquei sem entender porque Leila tinha sumido do programa. O livro explica isso… No cinema Leila teve outros momentos mágicos em Fome de Amor e na comédia de costumes Os Paqueras – precurssora da pornochanchada.
Nossa! Que texto pouco sutil e avaliacao historica distorcida! Contextualize um pouco! Anos 60/70, ditadura militar, rigidos conceitos morais na sociedade, mulheres na entresafra do lar e trabalho. E tendenciosa. O paragrafo que fala da familia de Leila e um vexame! Podia ter sido uma avaliacao e critica ponderada, mas escorregou feio no preconceito, heim? Mas falar de Leila e sempre um sucesso, ne? E isso que fazem as estrelas, mesmo as que passam rapido! Mas ficam e para sempre: Leila!