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Leonardo da Vinci, o ‘Homem do Renascimento’

Um homem além do seu tempo que, movido por uma extraordinária curiosidade, mergulhou no desconhecido e se abriu ao mistério

Leonardo da Vinci, o ‘Homem do Renascimento’
Leonardo da Vinci tinha a habilidade de entrelaçar arte e ciência (Foto: Wikimedia)

Com base nas milhares de páginas dos cadernos que Leonardo da Vinci manteve ao longo da vida e nas mais recentes descobertas sobre suas obras, Walter Isaacson tece uma narrativa que conecta arte e ciência, revelando facetas inéditas de uma das mentes mais brilhantes da história da humanidade. Desfazendo-se do mito sobre-humano muitas vezes atribuído de modo idealizado ao artista, Isaacson mostra que a genialidade de Leonardo fundamentava-se em características singulares de sua personalidade, como a curiosidade infinita, uma enorme capacidade de observação e uma imaginação extremamente fértil.

Leonardo criou duas das mais famosas obras de arte do mundo, A Última Ceia e Mona Lisa, mas se considerava um homem da ciência e da engenharia. Dotado de uma paixão que às vezes se tornava obsessiva, ele fez estudos revolucionários de anatomia, fósseis, voo dos pássaros, coração, máquinas voadoras, botânica, geologia, hidráulica, armamentos e fortificações.

Foi assim que ele se consagrou como o arquétipo do “Homem do Renascimento”, uma fonte de inspiração para todos que acreditavam que as infinitas obras da natureza estavam interligadas em uma só unidade. Sua habilidade em entrelaçar arte e ciência, convertida em ícone com o desenho de um homem de proporções perfeitas, com os braços e as pernas abertos dentro de um círculo e um quadrado, conhecido como o Homem vitruniano, fez dele o gênio mais criativo da história.

Leonardo dissecou cadáveres para conhecer a anatomia dos seres humanos e delineou os músculos que movem os lábios para pintar o sorriso mais inesquecível do mundo, o de Mona Lisa. Sua curiosidade não tinha limites. Em letra bem miúda escreveu anotações, rascunhos e fez desenhos nas mais de 7.200 páginas de seus cadernos. Além disso, escrevia as tarefas a fazer, algumas inusitadas, como “Descreva a língua do pica-pau”. Mas também fazia comentários bem-humorados, como, por exemplo, que o pênis tinha vida própria e, por isso, tomava decisões quando bem entendia.

Filho ilegítimo de um tabelião de Florença, sem educação formal, gay, vegetariano e, às vezes herético, o Leonardo da Vinci descrito nesta biografia é uma pessoa real, extraordinária em sua pluralidade de interesses e no prazer que sentia em combiná-los. Um livro fascinante não só pela descrição do artista Leonardo, mas também como um retrato da capacidade humana de inovar, da importância de não apenas assimilar o conhecimento, mas de se mostrar sempre disposto a questioná-lo, de ser criativo e de pensar diferente.

Walter Isaacson, um dos mais importantes biógrafos da atualidade, foi editor da revista Time e CEO da rede CNN. É autor de biografias de alguns dos personagens mais inovadores e influentes de nossa história recente, entre eles Albert Einstein e Steve Jobs. O livro Leonardo da Vinci será adaptado para o cinema com Leonardo DiCaprio no papel principal e com estreia prevista para 2019, ano em que se comemora os 500 anos da morte do mestre renascentista.

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