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‘Limite’, de Mário Peixoto, é destaque de festival mundial

Versão restaurada do clássico do cinema mundial, exibido em festival da World Cinema Foundation, é destaque no 'New York Times'

‘Limite’, de Mário Peixoto, é destaque de festival mundial
Imagem de 'Limite', de 1930

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Dos 12 filmes internacionais que serão exibidos no festival da World Cinema Foundation, o longa brasileiro “Limite”, de Mário Peixoto, tem sido o centro das atenções.

A versão restaurada de duas horas do filme experimental de 1930, que já atraiu atenção de nomes internacionais como Orson Welles e David Bowie, foi destaque de matéria do New York Times sobre a mostra, que começa nesta quarta-feira.

Na matéria, o periódico ressalta o status de “lenda” da película entre os cinéfilos, um filme mais comentado do que necessariamente visto, e o classifica como “visualmente poético” e “levemente abstrato”.

“’Limite’ é uma excelente obra do cinema mundial, no sentido de que é um filme completamente independente que mantém um lugar único na história do Brasil e do cinema”, declarou Kent Jones, diretor executivo da fundação. “É um filme glorioso, uma obra de requintada e artesanal beleza visual que supera sua reputação.”

História complexa

A história da produção do filme é complicada. Mário Peixoto mal havia completado 20 anos quando filmou o longa-metragem, essencialmente caseiro, alimentando seu gosto pelo avant-garde. Encontrando rejeição no mundo comercial, Peixoto nunca mais fez nenhum filme, mas “Limite” se tornou um ícone cult em clubes de cinema e universidades.

“Esse filme era pra ser muito vanguardista. A ala direita cultural que dominava na época simplesmente o detestou, enquanto distribuidores o consideraram muito difícil para espectadores”, declarou Saulo Pereira de Mello, diretor do arquivo de Mário Peixoto no Rio de Janeiro.

Contudo, ao fim da década, cópias de “Limite” haviam desaparecido ou estavam tão degradadas que o filme corria risco de se perder totalmente. A restauração do que se acreditava ser a última cópia restante começou em 1959, e continuou desde então, mais recentemente supervisionada pela Cinemateca Brasileira – que o designou, em 1988, o melhor filme brasileiro já feito.

Entre os muitos admiradores do filme, está o diretor Walter Salles, de “Central do Brasil” e “Diários de Motocicleta”. Ele descreveu “Limite” como um filme de “poesia transcendental e imaginação sem limites”, e criou o Arquivo Mário Peixoto, em 1994, para guardar documentos, correspondências e artefatos relacionados a Peixoto.

Além de “Limite”, o festival terá filmes do Egito, Turquia, Índia, Senegal, Coreia do Sul, Hungria, Marrocos, Taiwan, México e Kazaquistão, alguns em cores e outros em preto e branco.

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Fontes:
Nytimes - Brazil’s Best, Restored and Ready for a 21st-Century Audience

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