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Explorando uma nação improvável

Livro conta as histórias e facetas da Indonésia

Decodificando uma nação de 13.466 ilhas, 360 grupos étnicos e 719 línguas

Livro conta as histórias e facetas da Indonésia
No livro, Pisani conta histórias sobre a Indonésia que nem os próprios habitantes conheciam (Reprodução/Internet)

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Conversas a respeito do quarto país mais populoso do mundo, conforme Elizabeth Pisani observa em seu novo livro, tende a provocar “um olhar um tanto angustiado nos olhos das pessoas …  em festas em Londres ou Nova York”. À ignorância generalizada sobre o lugar soma-se a sua diversidade exuberante e a sutil complexidade de sua sociedade e política.

Em um relato escrito belamente e altamente divertido do ano que ela passou viajando pelo arquipélago, ela entrelaça um conhecimento profundo do país adquirido pela primeira vez como repórter lá, e em seguida como epidemiologista. Seu primeiro livro, “The Wisdom of Whores” (A sabedoria das prostitutas), que foi publicado em 2008, tratava da epidemia de HIV/AIDS da Indonésia.

Em seu novo livro, Pisani aborda muitos temas importantes –  democracia, descentralização, corrupção, desigualdade, os fracassos do sistema educacional da Indonésia e o Islã radical, bem como os fantasmas das centenas de milhares de pessoas mortas quando Suharto assumiu o poder em 1965.

O livro funciona bem apesar da decisão da autora de adotar uma abordagem aparentemente gratuitamente perversa. Após lamentar o quão pouco os estrangeiros sabem sobre a Indonésia, Pisani dedica grande parte de “Indonesia Etc” a partes do país sobre as quais a maior parte dos indonésios não sabe nada. Java, com quase 60% da população, não aparece muito, e Bali, a parte da Indonésia que os estrangeiros conhecem, mal é abordada.

Quando o seu presidente fundador, Sukarno, proclamou sua independência, a autora observa que – ele estava libertando uma nação que não existia de fato, impondo uma união nacional a um balaio de ilhas que tinham apenas um verniz de história em comum, e pouca cultura compartilhada. Após suas viagens Pisani concluiu que a Indonésia é uma criação mais robusta que a imersão em alguns de seus cantos mais remotos poderia sugerir: “Os fios que unem essa nação não serão facilmente dissolvidos”. Um deles é a fé religiosa.

Mas os elos mais fortes são aqueles que ela chama de “coletivismo” – as redes de obrigações mútuas que ligam famílias, clãs, vilas e ilhas e oferecem uma sensação de segurança. As redes pessoais são tão importantes que obrigações privadas podem se sobrepor às públicas. A corrupção, argumenta desconcertada, ajuda a manter a Indonésia unida.

Fontes:
The Economist-The road ahead

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