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Como a frustração política e social revolucionou a era vitoriana

O crescimento econômico do Reino Unido estimulou o descontentamento político e social na era vitoriana

Como a frustração política e social revolucionou a era vitoriana
As décadas de 1820, 1830 e 1840 foram marcadas por protestos (Foto: Wikimedia)

No século XIX, o antigo inimigo do Reino Unido, a França, estava derrotado. O processo de industrialização do país progredia mais rápido do que o dos seus vizinhos europeus, ao mesmo tempo em que preservava a monarquia e o sistema parlamentar. Aos poucos, o Reino Unido ficou mais democrático e acrescentou novas colônias ao seu mapa imperial. Ferro, aço, algodão e ferrovias enriqueceram os britânicos no início da globalização.

Em meados do século, dois quintos dos produtos comercializados no mundo eram produzidos no Reino Unido. Um quarto do comércio mundial era realizado através dos portos do país. Em 1851, a renda média dos ingleses era superior em 65% à média da Alemanha e em 30% acima da média dos Estados Unidos. Em 1900, o Reino Unido governava cerca de um quarto das pessoas do mundo inteiro, com gastos militares inferiores a 4% do PIB. Cidades como Melbourne, Wellington, Palmerston North, na Nova Zelândia, Port Stanley, nas ilhas Falkland e Salisbury, atual Harare, no Zimbábue, homenagearam os primeiros-ministros da era vitoriana com seus nomes.

Mas, apesar de tantas conquistas, muitos ingleses sentiam-se insatisfeitos. Como David Cannadine descreve com perspicácia em seu novo livro, Victorious Century: The United Kingdom, 1800-1906, um dos volumes da série Penguin History of Britain, o crescimento econômico estimulou o descontentamento político e social.

As décadas de 1820, 1830 e 1840 foram marcadas por protestos. O luddismo, o movimento da classe trabalhadora contrária à mecanização do trabalho, a luta pela melhoria das condições sociais e financeiras dos trabalhadores, a grande fome na Irlanda provocada por uma doença que contaminou as batatas, a principal fonte de alimento, e as greves dos sindicatos agitaram o cenário político e social do período do reinado da rainha Vitória.

Canadadine argumenta com razão que esse descontentamento político e social é a chave para a compreensão do chauvinismo arrogante e da rigidez dos princípios morais da sociedade vitoriana nos anos 1880 e 1890, que deram origem, entre outras medidas moralizadoras, à lei de condenação à prisão de homossexuais aprovada em 1885. Apesar da ausência de personagens importantes da época, como o engenheiro Isambard Kingdom Brunel, construtor do maior navio da era vitoriana, e do grande escritor Charles Dickens, Canadadine atrai o leitor com sua narrativa de um período de prosperidade e paz, porém marcado por movimentos nacionalistas e reivindicações sociais, que mudaram a história do Reino Unido.

Fontes:
The Economist-Why pessimism is key to understanding the Victorians

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