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Literatura

1964: o ano em que o Mississipi conheceu a liberdade

Livro relembra o verão em que jovens foram ao sul dos EUA registrar eleitores

1964: o ano em que o Mississipi conheceu a liberdade
Capa do livro

Em seu livro “Freedom Summer: The Savage Season that Made Mississippi Burn and Made America a Democracy”, Bruce Watson se concentra no verão de 1964. Nesse ano, cerca de 700 jovens norte-americanos foram até o Mississipi, o mais reacionário dos estados sulistas, lecionar nas “escolas da liberdade” e registrar eleitores. O livro conta a história de jovens inocentes do norte se alojando na área rural do estado, de negros locais aprendendo a confiar nos primeiros brancos que os trataram com um mínimo de respeito e de racistas como o xerife Lawrence Rainey, que se regozijava espancando e prendendo os voluntários e seus ajudantes negros.

Fannie Lou Hamer

Fannie Lou Hamer (Fonte: Getty Images)

Os heróis do livro não são apenas idealistas de Berkeley e do Brooklyn, mas também Robert Moses, secretário do Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC), que comandou as caravanas da liberdade, e Fannie Lou Hamer, que chocou a Convenção Nacional dos Democratas com o relato de seu espancamento perpetrado pela polícia do Mississippi. Seus vilões são vários: além da polícia local e da Ku Klux Klan, há também o FBI, que Watson acusa de má-conduta na investigação de dois voluntários judeus e de seu ajudante, um negro local.

Apesar dos riscos de encarar a questão como uma luta entre o bem e o mal, Watson amplia seu contexto. Ele descreve o choque dos voluntários com as condições de vida do sul, e relata o ressentimento e as tensões que surgiram na população local com a tendência dos nortistas em assumir a liderança do movimento. Stokely Carmichael – que anos mais tarde seria um dos principais nomes dos Panteras Negras – foi um dos líderes do SNCC que perdeu a fé na tática da não-violência ao encarar a brutalidade policial.

Teria sido o verão da liberdade de 1964 um catalisador para a mudança ou uma provocação desnecessária? Watson cita John Lewis, um dos muitos participantes do movimento, e hoje um congressista pelo estado da Geórgia: “se não fosse pelos veteranos do verão da liberdade, não haveria Barack Obama”.

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Fontes:
Economist - America in 1964: Mississippi burning

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