Início » Exclusiva » ‘Bolshoi confidencial’ de Simon Morrison
LIVROS

‘Bolshoi confidencial’ de Simon Morrison

Os bastidores da história fascinante do Teatro Bolshoi desde os tsares à Rússia atual

‘Bolshoi confidencial’ de Simon Morrison
Escândalos e intrigas fazem parte da história de uma das maiores companhias de balé do mundo (Foto: Flickr/DanceTabs)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Em 2013, o Bolshoi foi manchete dos principais jornais do mundo, quando um homem encapuzado jogou ácido no rosto do diretor artístico, Sergei Filin. O mistério da agressão foi desvendado pouco tempo depois por um bailarino que confessou ter planejado o crime. O motivo foi o fato de sua namorada não ter sido escolhida para o papel principal do balé O Lago dos Cisnes.

O caso de Sergei é um dos muitos que revelam os escândalos e intrigas, que fazem parte da história de uma das maiores companhias de balé do mundo. No livro Bolshoi confidencial publicado pela Editora Record, Simon Morrison, historiador e professor de música da Universidade de Princeton, percorre 250 anos da história do Teatro Bolshoi, a mais russa das instituições culturais, assim como o balé é a mais russa das artes.

O teatro nasceu da iniciativa de Catarina, a Grande, que em 17 de março de 1776, concedeu ao príncipe Urusov direitos exclusivos de organizar a programação artística em Moscou. Quatro anos depois, o inglês Michael Maddox, um homem misterioso, que havia sido matemático ou funâmbulo, associou-se ao príncipe. Urusov e Maddox construíram o Teatro Petrovski inaugurado em 30 de dezembro de 1780. O teatro tinha uma programação versátil de balés russos e estrangeiros, além de óperas.

Após o incêndio do Teatro Petrovski em 1805, Dmitri Golitsïn, governador-geral de Moscou, decidiu construir um novo teatro na cidade. O teatro, em estilo neoclássico, um projeto arquitetônico luxuoso aprovado pela Academia Imperial das Artes, foi inaugurado em 6 de janeiro de 1825, com o balé Cinderela.

Morrison, que teve acesso a arquivos do governo e a fontes exclusivas, descreve ao longo das 488 páginas do livro a carreira dos artistas no palco e nas coxias. Mostra como os orfanatos forneceram a mão de obra artística servil e criaram as bases para o rigor e a qualidade do corpo de balé imperial. A tradição de obediência e trabalho só se fortaleceu com o regime bolchevique e estalinista.

O teatro foi palco de coroações de tsares no final do século XIX, e os governantes soviéticos o usaram como local da realização de congressos e cerimônias políticas. Hoje, reflete as ambições neoimperiais do presidente Vladimir Putin.

Desde a sua fundação, o governo viu o Bolshoi como um símbolo do poder, ideológico, comercial ou ambos. O estilo do balé, forte, musculoso, que transmite a consciência de sua importância histórica, também é emblemático, um reflexo da aspiração nacional.

“O balé é a arte mais cruel e mais magnífica, uma disciplina e um sonho que pede às pessoas que aspirem ao angelical em um processo competitivo demoníaco. Ao longo do tempo, os resultados desse processo no Bolshoi provaram ser artisticamente refinados, pessoalmente destrutivos e fisicamente catastróficos”, escreveu o autor. Mas o Teatro Bolshoi continuará a surpreender, encantar e fascinar as plateias do mundo inteiro.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *