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Resenha

Céu de origamis, de Luiz Alfredo Garcia-Roza

Eu já tinha ouvido falar nesse curioso escritor. Teve uma carreira respeitada como psicanalista e professor de psicologia e filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro e ao se aposentar resolveu se dedicar a escrever livros policiais. Amante que sou da literatura policial, tendo começado a ler Sherlock Holmes lá pelos dez anos de idade, Agatha Christie aos doze e tendo prazer até hoje com a grande britânica P. D. James (que odeia ser chamada de “a nova Agatha Christie” por ser, ou pelo menos se considerar, muito superior a ela), tendo tido nesse meio tempo muitas e muitas horas aprazíveis na companhia do inspetor Maigret, do americano Nero Wolfe e de tantas outras figuras divertidas ou apaixonantes, sempre achei que brasileiro não sabia escrever livro policial. As poucas vezes que tentei ler algum me decepcionei rapidamente.

Por essa razão nunca tinha lido nenhum livro de Garcia-Roza, que acaba de lançar o livro mencionado acima, o sexto ou sétimo da sua série policial (sem falar na sua extensa e respeitada obra acadêmica). Por sorte minha amiga Miriam me deu o livro de presente de Natal. Surpresa: o livro é ótimo!

O autor soma o manejo elegante e culto do português a uma trama bem urdida que nos deixa em suspense o tempo todo, da primeira à última página. O herói é o delegado Espinosa, que aparentemente também é o investigador dos livros anteriores. Figura pouco romântica, sem charme, objetivo e frio, seu nome nos remete ao filósofo Spinoza, que suponho seja um dos ídolos do autor.

Espinosa tem uma namorada, mas ela pouco aparece – nada de cenas românticas ou de sexo. Ele mora no Bairro Peixoto, um recanto ainda charmoso dentro da decadente Copacabana, no Rio de Janeiro, e anda de ônibus e metrô, nada de carros velozes e bonitos. De vez em quando ele se permite tomar um taxi.

Mas tenaz e inteligente, nosso herói não larga suas pistas e mesmo sem o apoio de seus colegas persevera até chegar a elucidar o mistério com um final surpreendente. Vale a pena ler!

Céu de origamis, de Luiz Alfredo Garcia-Roza

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2 Opiniões

  1. Dorival Silva disse:

    Afinal um escritor policial brasileiro — viva Luiz Alfredo Garcia-Roza!

  2. Raysa disse:

    Concerteza, VIVA. Enfim adorei a resenha.

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