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A GUERRA SECRETA AMERICANA

Livro narra os bastidores da guerra civil do Laos

Com base em entrevistas e documentos sigilosos, livro relata o envolvimento dos EUA no sangrento conflito que tomou o país nas décadas de 1960 e 1970

Livro narra os bastidores da guerra civil do Laos
Em 1961, o Laos foi o foco da estratégia dos EUA de combate ao comunismo (Foto: Youtube)

O bombardeio de Laos na década de 1960 e início de 1970 sempre foi chamado de “guerra secreta” dos Estados Unidos. Essa denominação não é um erro ou um mal-entendido, e sim um terrível equívoco. Para os laosianos que se esconderam em cavernas para se proteger do pior bombardeio da história, a ofensiva militar dos EUA não era um segredo. O envolvimento dos EUA era um fato conhecido na capital, Vientiane, e divulgado pela imprensa internacional. Por fim, foi investigado pelo Congresso americano. Mas o rótulo “secreto” continuou a ser associado à guerra dos Estados Unidos no Laos, em parte por causa da recusa oficial em reconhecê-la e, também, pela indiferença do público. 

A visita do ex-presidente Barack Obama ao pequeno país do Sudeste Asiático em setembro, quando pediu mais recursos para encontrar e desativar as bombas não detonadas do Exército americano no Laos, embora sem um pedido de desculpa formal, não deixou mais dúvidas sobre a intervenção militar dos EUA.

Para os que se interessam por mais informações, o novo livro de Joshua Kurlantzick, A Great Place to Have a War: America in Laos and the Birth of a Military CIA, é um relato instigante e lúcido do ataque aéreo maciço ao Laos.

Novas entrevistas e o acesso recente a documentos sigilosos do governo americano mostram a evolução do envolvimento dos EUA e as consequências da longa e devastadora guerra no país. Mas Kurlantzick, um membro sênior do Council on Foreign Relations e antigo colaborador da revista The Economist, enriquece sua pesquisa com a ligação das atividades paramilitares da CIA no Laos às guerras secretas atuais no Iêmen, Somália e em outros lugares. Em 1961, o Laos foi o foco da estratégia dos EUA de combate ao comunismo no Sudeste Asiático, um assunto prioritário do presidente Dwight Eisenhower antes da posse de seu sucessor, John Kennedy.

Uma operação da CIA começou a treinar e lutar junto com um exército composto, em sua maioria, pela minoria étnica hmong contra os guerrilheiros comunistas Pathet Lao, ou “Terra do Laos”, apoiados pelo Vietnã do Norte. Ao atacar o Pathet Lao ao norte e na trilha Ho Chi Minh ao sul, a Força Aérea americana bombardeou o país, em média, a cada oito minutos durante quase dez anos. Em 1970, milhares de soldados apoiados pelo governo dos EUA combatiam na guerra civil do Laos, com um custo anual de US$3,1 bilhões em valores atuais. Quando a ofensiva militar terminou em 1973, um décimo da população do Laos havia sido dizimada. Milhares de mortes acidentais foram causadas pela explosão de bombas enterradas durante a guerra.

Em seu livro, Kurlantzick faz um retrato vigoroso de protagonistas como Vang Pao, um líder militar que imigrou para os EUA, onde foi preso em 2007 por conspirar contra o governo de Laos, e Tony Poe, um agente da CIA que vivia na selva e colecionava orelhas de inimigos mortos. Kurlantzick conclui que, no futuro, “a CIA não deveria cercear a liberdade de ação de agentes como Poe; ao contrário, deveria recrutar mais agentes com o perfil de Tony Poe”.

Mas o livro não se limita a discutir a operação paramilitar da CIA na guerra do Laos. A pesquisa de Kurlantzick estendeu-se à suposta venda de heroína e ópio por agentes da CIA. Embora não tenha encontrado provas sobre o envolvimento da agência no tráfico de drogas, resta o fato de a CIA ter ignorado a venda de drogas pelos militantes hmong.

Fontes:
The Economist-America’s secret war in Laos

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1 Opinião

  1. Jorge disse:

    É muito bom resgatar as verdadeiras historias dos fatos que foram omitidos.
    Mas é muito perigoso que essas coisas são feitas apenas sobre os atos dos EUA e nada sobre a URSS.
    Esse desequilíbrio acaba gerando mais desinformação, pois fato é que ambas potencias faziam essas coisas.
    As coisas que não sabemos ou não queremos ver tem mais poder sobre nós do que as coisas conhecidas.

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