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Livro revela bastidores de principal agência de inteligência britânica

Obra revela desafios de órgão especializado em codificação

Livro revela bastidores de principal agência de inteligência britânica
Capa do livro

“GCHQ: The Uncensored Story of Britain’s Most Secret Intelligence Agency”, de Richard Aldrich examina as “relações especiais” que existem entre o Reino Unido e os Estados Unidos, países cujas histórias se confundem, com um idioma em comum e uma aliança militar, que resultou numa longa troca de informações entre espiões dos dois países. As histórias envolvendo o MI-6 e a CIA são conhecidas, mas o órgão mais próximo dos EUA é o Government Communications Headquarters (GCHQ), que trabalha com envios de sinais codificados e é a maior e mais secreta agência britânica.

Os vários tratados secretos firmados durante os anos 1940 que se tornaram o alicerce da cooperação entre Estados Unidos e Reino Unido — e por consequência envolveram Canadá, Austrália e Nova Zelândia – tinham como principal objetivo a obtenção de informações secretas e códigos da União Soviética. Durante a Segunda Guerra Mundial, os britânicos revelaram aos Estados Unidos os segredos do Ultra, o grupo de decodificadores que decifrava segredos alemães. Anos mais tarde, os dois países combinariam seus esforços para decifrar o Venona, sistema soviético de codificação, que revelou a vasta extensão da espionagem russa no ocidente.

Orgulhosos de sua parceria privilegiada com a Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA), os empregados do GCHQ estão divididos entre a preocupação de que os americanos se cansem da parceria e a ansiedade gerada por sua dependência dos parceiros. Tanto britânicos quanto norte-americanos já retiveram informações uns dos outros, e a relação entre os países nem sempre foi amistosa. William Odom, diretor da NSA entre 1985 e 1988 declarou em notas que Peter Marychurch, seu equivalente britânico, era o líder europeu de codificações de que menos gostava. De acordo com o general Odom, Marychurch acredita que sua tarefa consistia em estar “completamente emaranhado no sistema americano, mantendo-se entre nós e o resto dos europeus”. Odom ainda usou termos pouco elegantes para reafirmar sua chateação com os britânicos.

Aldrich navega com talento pelas dimensões pessoais, políticas, militares e tecnológicas da espionagem eletrônica, e reconhece limites que até mesmo o mais sofisticado sistema de codificação apresenta: o GCHQ pode acompanhar a movimentação de forças armadas, mas nem sempre consegue compreender seus objetivos. Na era da Internet, a agência enfrenta dois desafios: como monitorar a enxurrada de informação digital que circula pelo planeta, e como manter legitimidade política para coletar e analisar dados pessoais, atrás de padrões de atividades criminosas ou terroristas.

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Fontes:
Economist - Sharing intelligence: A curious trade

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