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ÀS VÉSPERAS DO NATAL

Movimentos buscam estimular comércio de livros

Vem pra Livraria, Desafio das Livrarias e Presenteie com Livros têm um objetivo em comum: convidar os brasileiros ao mercado literário

Movimentos buscam estimular comércio de livros
Mercado de livros tenta se recuperar após anos ruins (Foto: Divulgação/ANL)

O mercado editorial brasileiro está em crise. Nos últimos meses, duas das principais livrarias brasileiras, Saraiva e Cultura, entraram com um pedido de recuperação judicial. Agora, às vésperas do Natal, três movimentos ganham força nas redes sociais para estimular a leitura e o comércio de livros.

O principal movimento, chamado de Vem Pra Livraria (#VemPraLivraria), foi lançado pela Associação Nacional das Livrarias (ANL) ao longo da última semana. Em parceria com editoras e livrarias, a ANL tenta resgatar a paixão dos brasileiros em estar em um local de venda de livros, imerso naquele ambiente mágico.

Milhares de pessoas já usaram a hashtag pelas mídias sociais para compartilhar o seu amor pela leitura. Artistas e jornalistas famosos integram a lista e aderem à iniciativa. Além disso, segundo um comunicado da ANL, é possível usar, nas redes sociais, uma moldura com a hashtag #VemPraLivraria, disponível nas páginas de livrarias e editoras.

“A Associação Nacional de Livrarias (ANL) abraça o movimento #Vempralivraria por acreditar na importância do varejo do livro em nosso país. A comunhão entre o Leitor, a Livraria e o Livro é a dose exata para o sucesso. O estímulo ao gosto pela leitura não é somente uma questão técnica, ele deve estar acompanhado de emoção e afeto. Um gesto simples como presentear alguém com um livro pode mudar para melhor o curso de uma vida”, afirmou o presidente da ANL, Bernardo Gurbanov.

Por outro lado, o movimento Presenteie com Livros (#PresenteieComLivros) não fala diretamente sobre livrarias, mas a respeito do fato de usar as obras como presentes de Natal, como uma forma de estimular o mercado literário no Brasil. Centenas de pessoas já usaram as redes sociais para mostrar integração à iniciativa, que promete crescer nos próximos dias.

Por fim, o movimento Desafio das Livrarias (#DesafioDasLivrarias), lançado pela editora Sextante, estimula os usuários das redes sociais a ir às lojas, comprar uma obra e gravar um vídeo, desafiando outros três amigos a fazer o mesmo. A ideia é criar uma corrente de apaixonados pela leitura para estimular a cultura e resgatar o comércio de livros brasileiros.

Em abril deste ano, a Câmara Brasileira dos Livros (CBL) já havia feito um movimento para tentar estimular o mercado de livrarias no Brasil. Para isso, a entidade lançou um guia voltado para as livrarias independentes, ou seja, aquelas que não pertencem às grandes redes. Segundo uma nota da CBL, o guia foi criado “incentivar empreendedores a iniciar o negócio, mostrar todas as necessidades e o passo-a-passo para a montagem de uma livraria”.

Em termos de livros, a obra mais vendida ao longo do ano de 2018 foi “A Sutil Arte de Ligar o F*oda-se”, da editora Intrínseca. De acordo com números da Publishnews, foram vendidos 396.555 exemplares da obra. Em seguida aparecem “As Aventuras na Netoland com Luccas Neto”, da Pixel, com 362.622 exemplares vendidos, e “O Milagre da Manhã”, da BestSeller, com 173.096 cópias vendidas.

Mercado de livros

Após anos em queda, o mercado de livros tenta se reerguer. De acordo com números do Painel de Vendas de Livros do Brasil, exposto pelo G1, o mercado cresceu 3% ao longo de todo o ano de 2017. Apesar do número positivo, o setor registrou apenas a primeira alta em quatro anos. Em 2015, o mercado encolheu 7%, enquanto, em 2016, 9%.

Porém, o mercado literário e o setor editorial brasileiro ainda estão muito longe de se recuperarem. Segundo dados divulgados pela CBL em maio deste ano, o setor editorial encolheu 21% em 11 anos, entre 2006 e 2017. A redução representa uma perda de R$ 1,4 bilhão.

No entanto, se observado em menores períodos, é possível notar uma queda acentuada no setor nos últimos anos. Isso porque, entre 2006 e 2011, o mercado estava em franca expansão, chegando a faturar R$ 7 bilhões em valores constantes. Porém, nos últimos três anos, entre 2014 e 2017, o faturamento caiu aproximadamente 20%, com o setor mais afetado sendo o de Científicos, Técnicos e Profissionais (CTP), com um decréscimo de 32% nas vendas totais.

Uma pesquisa do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), por outro lado, mostra uma recuperação do mercado de livros em 2018, se comparado, em períodos, com 2017. Separada em nove períodos, a pesquisa mostra que o ano de 2018 se saiu melhor do que 2017, em volume, em sete períodos. A expansão variou de 3,65% a 17,75%. Enquanto isso, a redução, registradas nos períodos 6 e 7, foram de 4,11% e 11,45%.

Físico x Digital

Algumas pessoas atribuem a queda no número de vendas de livros ao comércio de obras digitais, os populares e-books. É verdade que o comércio de e-books está em expansão, mas o mercado ainda está dando os seus primeiros passos em território brasileiro. Por exemplo, a CBL, em conjunto com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), realizou o primeiro censo de livro digital, tendo como ano base 2016.

Segundo o estudo, o mercado de livro digital faturou, naquele ano, R$ 42,54 milhões.  Enquanto isso, no mesmo período, o setor dos livros físicos totalizou R$ 3,872 bilhões. Dessa forma, de acordo com a pesquisa, os e-books ainda representam apenas 1,09% do mercado total de livros no Brasil.

 

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