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O iluminismo como raiz do ódio contemporâneo

Livro sugere que o atual descontentamento global tem raízes no iluminismo

O iluminismo como raiz do ódio contemporâneo
Autor diz que 2016 ainda não foi o auge da frustração global (Foto: Wikimedia)

O fim da União Soviética coroou o capitalismo de livre mercado como o sistema mais eficiente para organizar a economia global. Porém, hoje, a noção de que o capitalismo é capaz de trazer paz e prosperidade erodiu.

Essa percepção é evidente no tumultuado cenário internacional que culminou na ascensão de políticos como Donald Trump e Marine Le Pen e na saída do Reino Unido da União Europeia. Esse período caótico e marcado pelo ódio é tema do livro Age of Anger: A History of the Present, de Pankaj Mishra.

O livro choca por diversos fatores. Primeiro, o autor não acredita que o ano de 2016 foi o auge da era do ódio e do nacionalismo errático. Em vez disso, ele afirma que o mundo se tornará cada vez mais dividido e desordenado. À medida que as economias desaceleram, aumentará a sensação de que as elites poderosas foram as únicas a desfrutar da prosperidade econômica. E as reações serão raivosas e perversas.

O livro sustenta que a raiva e frustração vistas nos dias atuais começaram a ser semeadas tempos atrás. Segundo Mishra, as raízes remontam à época do iluminismo, quando o mundo se dividia entre as massas sem voz e as elites que governavam em benefício próprio. Ao final do livro, Mishra prega a compreensão. Porém, num mundo onde a política é feita do caos, isso parece improvável.

Fontes:
The Economist-The deep roots of modern resentment

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2 Opiniões

  1. Natanael Ferraz disse:

    Não li o livro, nem lerei, mas o fato de que “a raiva e frustração” são fortes em países que não viveram o iluminismo enfraquece a teoria de Mishra.

  2. Carlos U Pozzobon disse:

    Mais um aparvalhado que nada entende a falar mal do Iluminismo. No Brasil já estamos até pelo pescoço com ignorantes deste quilate. O Iluminismo pode ser reduzido ao direito de crítica que surge com a mudança de mentalidade no final do século XVIII, a partir da expansão do comércio produzido pela revolução industrial nascente que vai irrigar novas ideias em todo o mundo. Como as redes sociais hoje em dia são o ponto de encontro da crítica, e o instrumento mobilizador por excelência de grupos, evidentemente que a desordem geral do mundo provoca insurgências de alto a baixo no planeta, cujas origens diz mais respeito as assimetrias do desenvolvimento intelectual entre os povos das diferentes nações do que a liberdade de expressão. Foi a consolidação da democracia e o fim das ortodoxias religiosas que garantiu o desenvolvimento progressivo da ciência, garantindo uma melhor qualidade de vida da população e uma distribuição de renda generalizada nos países que souberam se livrar do ranço feudal. Os que ficaram presos ao velho sistema colonial, ou sob o controle de oligarquias e monarquias governantes, não evoluíram e passaram a viver o anacronismo dos benefícios tecnológicos sem o engajamento científico. Nesta situação dissemina-se o niilismo de forma surpreendentemente avassaladora, produzindo sociedades em que se reconhece perfeitamente uma parte combatendo a outra, sem qualquer capacidade de coesão social. As sociedades que tem na cátedra e na imprensa seus focos mais evidentes da propagação de ideias atrasadas, estão condenadas a viver na obscuridade de suas próprias confusões políticas e, via redes sociais, arrastar as mais sanas para a mesma turgescência do pensamento. É o que se nota de novo nos EUA com a eleição de Trump. Nunca antes na história dos EUA um presidente eleito foi combatido por inferência e sem o devido respeito ao processo eleitoral. Antes mesmo que se anuncie uma proposta de Trump, já aparece nas ruas aqueles grupelhos esbravejadores que tanto se distinguiram pelo Brasil na década passada. Isto significa que o niilismo avança com um descontentamento fabricado por demagogos profissionais.

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