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O mistério em torno da morte de Rasputin

Livro narra detalhes do assassinato de Grigory Rasputin, o monge russo que enfeitiçou o czar Nicolau II e a czarina Alexandra com seus supostos poderes milagrosos

O mistério em torno da morte de Rasputin
A verdadeira história de Rasputin foi contada em detalhes em um novo livro de Douglas Smith (Foto: Wikimedia)

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Poucos assassinos vangloriam-se de seus crimes. Mas o príncipe Felix Yussupov não foi um assassino comum, nem sua vítima, o “monge louco” Grigory Rasputin, era uma pessoa banal. No centenário do assassinato de Rasputin em 30 de dezembro, a reedição da autobiografia de Yussupov, “Lost Splendour and the Death of Rasputin”, proporciona uma visão oportuna do mundo fantástico, embora condenado à destruição, da aristocracia russa e seu colapso em meio à revolução russa de 1917.

Sua compreensão dos fatos não é linear e seus motivos são egoístas. Mas a descrição da vida do príncipe, de seus prazeres e hábitos é, ao mesmo tempo, fascinante e repulsiva. As passagens que descrevem o prazer que Yussupov sentia em se travestir e as noites loucas passadas na companhia de ciganos mostram um lado curioso e não convencional de seu comportamento. As brincadeiras infantis que costumava fazer, como soltar coelhos e galinhas no salão do Carlton Club em Londres, eram bem mais divertidas para ele do que para os criados que tinham de limpá-lo.

A parte mais importante do livro é a descrição do assassinato de Rasputin. O humilde camponês siberiano enfeitiçara o czar Nicolau II e a czarina Alexandra com seus supostos poderes milagrosos. Seus assassinos aristocratas, recrutados por Yussupov, acreditavam que a Rússia, mergulhada em uma profunda crise política, só seria salva se a família real se libertasse da influência maligna do monge decadente.

Em 1916, Yussupov convidou Rasputin para jantar com alguns de seus amigos, no qual lhe ofereceu vinho e uma torta envenenada com cianeto de potássio. No entanto, o veneno não fez efeito. Então o príncipe, que o havia aconselhado a rezar, atirou em seu peito. Mas alguns minutos depois Rasputin levantou-se, com uma baba espumosa na boca, “saído da terra dos mortos pelos poderes do mal…e só nesse momento percebi quem era Rasputin…a reencarnação do Diabo”. Depois de diversos tiros para matá-lo, os assassinos jogaram o cadáver em um rio.

Grande parte desse relato, assim como os motivos do príncipe, é questionável. O tom lúgubre foi adequado à narrativa, porque a família Yussupov perdeu quase toda a sua enorme fortuna na revolução. Outras fontes sugerem que a história do veneno é falsa; Rasputin foi assassinado com três tiros e o relato de sua ressurreição demoníaca é um mito. A verdadeira história de Rasputin foi contada em detalhes em um novo livro de Douglas Smith, um especialista americano em história russa. Mas a narrativa do príncipe Yussupov é emocionante.

Fontes:
The Economist-How Rasputin was killed

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1 Opinião

  1. Carlos Calimba disse:

    Rasputin é a reencarnação de um poderoso mago que fazia uso da magia negra para seus planos diabólicos. Alguns dizem ser ele o feiticeiro Balaão da bíblia, mas não acredito. A questão é que ele tinha um poder hipnótico alto, era advinho e praticava projeção astral. A biografia dele documenta isso em detalhes.

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