Início » Cultura » Lugar de chimpanzé é no cinema
Planeta dos Macacos

Lugar de chimpanzé é no cinema

Testes científicos de laboratórios usam cada vez menos primatas, que voltam a ganhar destaque em “Planeta dos macacos: a origem”. Por Solange Noronha

Lugar de chimpanzé é no cinema
Chimpanzé é batizado de Caesar em homenagem ao personagem de Shakespeare (Reprodução/Internet)

Mais de quatro décadas depois da primeira — e bem-sucedida — adaptação do livro de Pierre Boulle, “O planeta dos macacos” volta à cena, agora com um imaginativo roteiro que tenta explicar sua origem, presente no novo título. Ou seja, o que transformou a Terra no que Charlton Heston encontrou no filme de 1968, dirigido por Franklin J. Schaffner? No topo das bilheterias norte-americanas, recém-estreado no Brasil e fazendo sucesso mundo afora, “Planeta dos macacos: a origem” coincide com uma ótima notícia: um dos últimos países a usar chimpanzés em testes de laboratório, ao lado do Gabão, os Estados Unidos analisam a possibilidade de acabar com a prática. A questão está em debate no Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciência dos EUA e a previsão é de que os resultados sejam apresentados até o fim deste ano.

Mais do que todos os demais símios, os chimpanzés são os que mais se assemelham aos humanos, demonstrando, inclusive, empatia como nós, de acordo com cientistas que estudam esses animais em cativeiro. É nessa empatia que está a força de “Planeta dos macacos: a origem”. E por trás do chimpanzé Caesar, a verdadeira estrela do filme, está o ator Andy Serkis, especialista em dar vida a personagens manipulados por computador, como o Gollum (ou Smeagol) de “O senhor dos anéis” e o gorila gigante do “King Kong” de Peter Jackson — também diretor da trilogia. O ator inglês já teve a chance de mostrar o rosto muitas vezes — e uma delas foi em “The escapist”, ao lado de Seu Jorge, entre outros, sob a direção do conterrâneo Rupert Wyatt, responsável pelo blockbuster da vez. Quem sabe, com o atual sucesso, alguém se anima a comprar o bom filme de fuga de prisão feito em 2008?

Um lugar no mundo

Voltando aos primatas, a palavra-chave do “Planeta” é ambientar-se. Mais até: é pertencer a uma sociedade, encontrar seu lugar no mundo. Durante boa parte do filme, há um contraponto entre dois personagens que lutam por isso: Caesar, levado ainda bebê para casa pelo Dr. Will Rodman (James Franco), e o pai do cientista, que batiza “a criança” inspirado em “Julius Caesar”, de Shakespeare. O primeiro cresce pensando que é gente; o segundo — um homem culto e sensível vivido por John Lithgow, grande ator tanto de dramas como de comédias — está perdendo a batalha contra o Alzheimer. E a ânsia de curar este mal faz Will fechar os olhos para a ética.

Freida Pinto e James Franco em "Planeta dos Macacos: a origem"

É esta ética que está em jogo no mundo real. Com cenas divertidas; a emoção que faltou à adaptação de Tim Burton, em 2001; um instante que faz lembrar “O show de Truman”; e mesmo alguns momentos à la King Kong, “Planeta dos macacos: a origem” pode ajudar os Estados Unidos a seguirem o caminho que a União Europeia tomou em 2010, banindo os primatas de seus laboratórios. É o que esperam ativistas do mundo todo, entre eles Jane Goodall e Frans de Waal, dois dos maiores especialistas em chimpanzés do planeta. Os efeitos especiais são outro trunfo para cativar plateias e cientistas: a técnica desenvolvida em “Avatar” finalmente exibe seu potencial e faz o espectador esquecer o truque para se deslumbrar com o resultado, como convém à boa mágica. Os macacos são tão humanos que parecem estar contracenando de verdade com os atores — e, entre estes, alguns dão vida a humanos que são verdadeiros animais. Fica difícil maltratar um chimpanzé depois de ver Caesar em ação. Tomara que os membros da Academia Nacional de Ciência dos EUA gostem de cinema.

Caro leitor,

Você é contra ou a favor da utilização de chimpanzés e outros animais de grande porte em pesquisas científicas?

O que espera do comitê do Instituto de Medicina dos EUA, criado para debater e decidir a questão?

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

2 Opiniões

  1. Ana Cecilia disse:

    Concordo plenamente com o Evandro Correia… sou contra o uso de qualquer animal para a realização de pesquisas cientificas…. eles tambem sentem dor e sofrem !!! Além do que tenho duvidas se a raça humana merece tamanho sacrificio desses animais….

  2. Evandro Correia disse:

    Qual a diferença entre usar animais de grande porte e de pequeno porte?

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *