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Mariana Baltar faz homenagem a três sambistas centenários

Cantora festeja seu aniversário interpretando três compositores centenários no Centro Cultural Carioca. Por Solange Noronha

Mariana Baltar faz homenagem a três sambistas centenários
Mariana Baltar em seu segundo disco (Fonte: Divulgação)

No ano do centenário de Pedro Caetano (1º de fevereiro), Assis Valente (19 de março) e Nelson Cavaquinho (29 de outubro), Mariana Baltar presta homenagem a estes três grandes compositores brasileiros. Serão dois shows, nas duas próximas quintas-feiras, dias 24 e 31 — sendo que este terá um sabor especial, pois coincidirá com o aniversário da cantora, que não esconde a idade: “Acho isso uma bobagem. Vou completar 38 primaveras e me sinto no auge da folia, cursando o segundo período de Licenciatura em Dança na Faculdade Angel Vianna”, conta Mariana, que, na adolescência, migrou da dança clássica para a dança de salão. Foi nessa época que ficou ainda mais íntima do gênero musical que já ouvia em casa, com os pais e avós: “O ambiente das gafieiras, que eu frequentava diariamente, me fez conhecer muitos sambas, inclusive alguns dos três autores. Tomei gosto pela coisa e a vontade de fuxicar parece que vai aumentando”, diz, entre risos. “Continuo descobrindo sambas e marchinhas dos três!”

Os homenageados Assis Valente e Nelson Cavaquinho

Os homenageados Assis Valente e Nelson Cavaquinho

A carreira teve início na noite — horário em que se apresenta nos próximos shows, a partir das nove — e no mesmo lugar que ajudou a criar — a casa da Rua do Teatro, no Centro do Rio, em que atuou cinco anos. Ali, bem como em rodas de samba e outros eventos, Mariana visitou os três autores em seu repertório — e se sente à vontade diante deles: “Mas sou dona de uma autocrítica feroz”, explica. “Faço questão de checar as melodias originais e trato com muita reverência cada canção. Em gravações, tenho uma aproximação maior com a obra de Assis Valente, que pesquisei muito quando comecei a cantar. No primeiro CD (‘Uma dama também quer se divertir’), incluí ‘Deixa comigo’, originalmente cantada pela Carmem Miranda. No segundo, que leva meu nome, entrou ‘Uva de caminhão’, também gravada por ela.”

Parceria além da música

As duas estarão nos shows, juntamente com “Brasil pandeiro” e “Fez bobagem”, do mesmo autor; “É com esse que eu vou” e “Onde estão os tamborins”, de Pedro Caetano; “Juízo final”, “Folhas secas” e “Rugas”, de Nelson Cavaquinho, entre muitas outras. A escolha foi feita com o marido, Josimar Carneiro, violonista e diretor musical do espetáculo: “Temos o hábito de ouvir música juntos e de trocar coisas do nosso gosto pessoal, de Bach a Villa-Lobos”, diz ele. “Na hora de montar repertório, a coisa é parecida. Experimentamos um ‘voz e violão’, começamos a ter idéias e acho que dá certo, porque a gente está sempre feliz com o que toca e canta.”

Mariana Baltar com seu marido, Josimar carneiro

Mariana Baltar com seu marido, Josimar Carneiro

Quanto à ideia da homenagem aos centenários mestres da MPB, Mariana conta: “Os três já estavam ‘me rondando’. Tornei-me amiga da Nara Valente, filha única do Assis, e já vinha pensando em celebrar a data por uma questão de justiça à sua memória e por razões afetivas. Quanto ao Pedro Caetano, os primeiros ‘sinais’ chegaram por meio do Josimar, que já era amigo de um sobrinho-neto dele e foi procurado pela nossa agora amiga Cristina Caetano, também filha única do compositor — fizemos uma espécie de abertura dos trabalhos de comemoração do seu centenário no Instituto Cravo Albin. Já o Nelson Cavaquinho sempre fez parte das nossas vidas. Com o convite para voltar ao Centro Cultural Carioca, vislumbrei a possibilidade de prestar esta singela homenagem ao trio.”

Personalidades marcantes

Para Mariana, o que aproxima os três é, acima de tudo, “a alta qualidade de suas composições e a brasilidade que influenciou as gerações seguintes de autores e intérpretes”. Josimar acrescenta: “Também não se pode deixar de comentar os traços do choro em seus sambas — e os choros propriamente ditos. Mas é impossível confundi-los, porque a personalidade musical de cada um é muito marcante. Pedro Caetano, especialmente nas parcerias com Claudionor Cruz, casa letra e melodia com absoluta beleza. Assis Valente tem sempre sutilezas nas entrelinhas dos versos e muito ritmo, é um cronista da sua geração. E Nelson Cavaquinho, além de ter criado algumas das maiores pérolas do nosso cancioneiro, foi um intérprete e músico admirável. Seu violão resume todo o arranjo das canções e sua voz imprime a autenticidade daquele que foi o maior intérprete de sua própria obra.”

O terceiro homenageado é Pedro Caetano

O terceiro homenageado é Pedro Caetano

Josimar é cofundador do Água de Moringa, base do grupo que acompanhará Mariana Baltar no palco — além dele, ao violão, Marcílio Lopes (bandolim e bandola), Jayme Vignoli (cavaquinho) e André Boxexa (bateria e percussão). “De fora”, só o percussionista André Vercelino, que está dando aulas à cantora e conheceu os outros músicos em oficinas ministradas em Londrina.

À ideia de levar a homenagem a outras cidades, Mariana reage com animação: “Não temos nada agendado, mas quem sabe? A batalha para realizar qualquer evento cultural de qualidade é enorme, tanto que resolvemos arregaçar as mangas para mais uma empreitada sem patrocínio. E ainda vamos receber convidados especiais, que toparam comparecer sem cachê. Quem tem amigos tem tudo. Quem tem amigos que compartilham boa música, então, tem tudo e algo mais!”

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3 Opiniões

  1. florindo abreu disse:

    Conhecí a Mariana Baltar por ocasião da criação do Centro Cultural Carioca, iniciativa do meu amigo Isnar Manso, até então um exímio professor de dança de salão na Estudantina. Após divergências com o franqueado do nome “Maria Antonieta”, chamado Ignácio (não me recordo o seu sobrenome) tomou a iniciativa de criar um espaço que juntasse a academia de dança com apresentações musicais. Mariana era uma excelente dançarina, mais de samba. Como cantora é excelente. Bela iniciativa da Mariana de prestar homenagens a esses mestres da música. Parabéns.

  2. nelson baltar disse:

    sou de Extrema mg gostaria de saber mais sobre a mariana Baltar, grato.

  3. Belito Souza disse:

    ACHO MARAVILHOSO UMA JOVEM ARTISTA, COMO MARIANA BALTAR,HOMENAGEAR TRES SAMBISTAR DA MAIOR QUALIDADE COMO ESTES. AFINAL A MÚSICA BRASILEIRA ESTÁ CARENTE DE BONS COMPOSITORES COMO OS DO PASSADO. ESVAZIOU-SE DE BOAS MÚSICAS NO CENÁRIO NACIONAL.
    MARAVILHA!!!

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