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OBITUÁRIO

Morre, aos 77 anos, o cineasta italiano Bernardo Bertolucci

Diretor de 'O Último Tango em Paris' (1972) e o 'O Último Imperador' (1987), Bertolucci morreu em casa, em Roma. Segundo assessora, ele lutava contra um câncer

Morre, aos 77 anos, o cineasta italiano Bernardo Bertolucci
Ao longo da carreira, Bertolucci conquistou Oscar, Palma de Ouro e Leão de Ouro (Foto: Divulgação)

O cineasta italiano Bernardo Bertolucci morreu na manhã desta segunda-feira, 26, aos 77 anos, em sua casa, em Roma. A causa da morte não foi confirmada oficialmente, mas sua assessora, Flavia Schiavi, afirmou que o diretor lutava contra um câncer.

Nascido em 1941, em Parma, Bertolucci é reconhecido como um dos maiores diretores cinematográficos, sendo um dos grandes nomes do cinema italiano. Como suas maiores obras destacam-se “O Último Tango em Paris” (1972), o premiado “O Último Imperador” (1987) e “Os Sonhadores” (2003).

Em “O Último Imperador”, filme que conquistou, além de outros prêmios, nove estatuetas do Oscar, como Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Adaptado – premiações comumente atribuídas ao trabalho do diretor. Em 2007, Bertolucci recebeu o Leão de Ouro honorário, no Festival de Veneza. Já em 2011, recebeu a Palma de Ouro honorária, no Festival de Cannes. Ambos os prêmios foram pela contribuição do diretor à história do cinema.

Bertolucci cursou Literatura Moderna na Universidade de Roma. Aos 21 anos, atuava como poeta, influenciado pelo pai Attilio Bertolucci, que era um conhecido poeta e escritor. Bernardo Bertolucci chegou a ganhar prêmios literários, sendo reconhecido como um prodígio, mas optou por se dedicar ao cinema, onde teve imenso sucesso e reconhecimento.

Ao longo de sua carreira, o italiano dirigiu cerca de 20 produções. No século XXI, Bertolucci dirigiu apenas dois filmes, “Os Sonhadores”, de 2003, e “Eu & Você” (2012), reconhecido como o último longa do diretor. Desde 2003, Bertolucci estava confinado a uma cadeira de rodas depois de uma cirurgia de hérnia de disco.

A polêmica do estupro em “O Último Tango em Paris”

Em 2016, Bertolucci esteve envolto em polêmica por conta de uma cena do filme “O Último Tango em Paris”. Em 2007, a atriz Maria Schneider, que na época da gravação do filme tinha 19 anos, revelou ter sido enganada por Bertolucci durante a gravação da cena da manteiga. Nela, o ator Marlon Brando protagoniza uma cena de estupro da personagem de Schneider. A cena, no entanto, não estava no roteiro, e Schneider somente foi avisada de seu teor minutos antes da gravação.

“Aquela cena não estava no roteiro original. Na verdade, foi Marlon quem teve a ideia. Eles [Marlon Brandon e Bertolucci] somente me contaram antes de começarmos a filmar e fiquei com tanta raiva. Eu deveria ter ligado para meu agente ou advogado para que viessem ao set [de filmagem] porque você não pode forçar alguém a fazer algo que não estava no roteiro, mas, naquela época, eu não sabia disso. Marlon me disse: ‘Maria, não se preocupe. É só um filme’, mas durante a cena, mesmo sabendo que o que Marlon fazia não era real, minhas lágrimas eram verdadeiras. Senti-me humilhada e, para ser honesta, um pouco violentada por Marlon e Bertolucci. Após a cena, Marlon não me consolou ou pediu desculpas”, disse a atriz ao jornal Daily Mail.

Em 2013, Bertolucci confirmou as declarações de Schneider. O diretor disse que, embora se sentisse culpado, não se arrependia do que fez. “Queria sua reação como menina, não como atriz”, disse Bertolucci sobre o fato. O episódio tornou a vir à tona em 2016, na esteira do movimento #MeToo, contra a cultura do estupro e assédio sexual contra atrizes em Hollywood.

Fontes:
Variety-Bernardo Bertolucci, Oscar-Winning Director of ‘The Last Emperor,’ Dies at 77
Adoro Cinema-Morre o diretor Bernardo Bertolucci, aos 77 anos
The Guardian-Bernardo Bertolucci, Last Tango in Paris director, dies aged 77

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1 Opinião

  1. Carlos U Pozzobon disse:

    O filme Último Tango em Paris foi proibido no Brasil quando do lançamento. Em 1977, passeando pela cidade do México vi uma aglomeração na rua. Era a fila de entrada para exibição do filme. Como a proibição no Brasil tinha gerado muita polêmica, esperei a sessão seguinte para assistir. O filme tratava da influência da geração de 68 nos costumes, especialmente no tocante a crise existencial e à sexualidade livre. Não há nada mais do que o charme do apelo à transgressão dos valores tradicionais em que a juventude queria ter o direito de fazer sexo sem o compromisso do casamento e de formação de família. Hoje em dia esta questão se tornou banal, mas quem viveu naquela época sabe como a falta de liberdade sexual afetava a felicidade, principalmente das mulheres.
    O conservadorismo teocrático costuma atribuir a mudança de costumes a influência dos filósofos. Trata-se de uma tentativa de colocar os pensadores como guia da humanidade, o que é uma besteira descomunal. A libertinagem sempre existiu em qualquer época histórica. Apenas não se fazia publicidade.

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