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OBITUÁRIO

Morre, aos 86 anos, o produtor musical André Midani

Midani foi um dos grandes nomes da produção musical da Bossa Nova, da geração tropicalista e da MPB

Morre, aos 86 anos, o produtor musical André Midani
Midani enfrentava um câncer há quatro meses (Foto: Produção Cultural no Brasil/Wikimedia)

Morreu na noite da última quinta-feira, 13, o produtor musical André Midani, aos 86 anos. O produtor, que estava internado na Casa de Saúde São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro, lutava contra um câncer há quatro meses.

A morte foi confirmada pelo hospital e por familiares. Não há detalhes sobre o velório, mas os amigos indicaram que deve ser fechado e apenas para pessoas próximas.

Nascido na Síria, em 1932, Midani chegou ao Brasil em 1955, após uma bem-sucedida carreira na França, onde começou a trilhar sua trajetória. Em solo brasileiro, foi um dos grandes nomes da produção musical da Bossa Nova, da geração tropicalista, da MPB e, mais tarde, nos anos 1980, do rock brasileiro.

Ao longo de toda a segunda metade do século XX, Midani deixou seu nome marcado na indústria fonográfica mundial. Em 1990, o produtor musical chegou, inclusive, aos Estados Unidos, para atuar como presidente da Warner para a América Latina. Sua maior condecoração ocorreu apenas em 2005, quando o governo francês lhe concedeu a medalha da Ordem Nacional da Legião de Honra.

Diferentes profissionais da indústria fonográfica brasileira usaram as redes sociais na manhã desta sexta-feira, 14, para lamentar a morte de Midani. O produtor musical Liminha classificou Midani como “o mestre dos mestres”, fazendo alusão aos grandes nomes musicais com quem trabalhou, como Caetano Veloso, Chico Buarque, Elis Regina e Gal Costa.

“Nosso querido André Midani se foi. O mestre dos mestres. Com ele aprendemos muito. Eu não teria feito tudo que fiz, sem seus ensinamentos e a liberdade que me deu para criar. A música no Brasil não seria o que foi sem a sua presença, seu entusiasmo, seu olhar artístico, sua sensibilidade e sua firmeza de não permitir ingerências de fora”, escreveu Liminha no Instagram.

Já o músico Arnaldo Antunes destacou as qualidades de Midani como pessoa, classificando-o como “alegre, inventivo e afetuoso amigo e parceiro”. Ademais, exaltou como o produtor revolucionou a indústria fonográfica brasileira, desde a produção até a comercialização. O cantor Leo Jaime, por sua vez, apontou a possibilidade de Midani ser o “maior nome da indústria musical brasileira”.

Trajetória

Midani começou a sua carreira na indústria fonográfica em 1952, na gravadora Decca, na França. Na época, trabalhava como apontador de estoque. Trabalhou também como vendedor, mas se destacou como descobridor de projetos, função que desempenhou em seguida.

Chegando ao Brasil em 1955, por causa da Guerra da Argélia, Midani fez contato com diferentes gravadoras encontradas nas Páginas Amarelas. Interessou-se, então, pela Odeon Records (atual EMI), na qual se tornou responsável pelo lançamento da Capitol Records.

Na Odeon, identificou que o mercado fonográfico brasileiro não dava atenção para as músicas dos jovens, que era bastante comum na França. Identificou em Tom Jobim e João Gilberto dois grandes talentos para atender a essa carência no setor.

Deixou a Odeon em 1960, quando fundou a Imperial. Lá, ascendeu na indústria fonográfica latino-americana, vendendo discos para outros países, como Argentina e México.

Em seguida, foi convidado para instalar a Capitol Records no México e em Los Angeles, nos Estados Unidos. Trabalhou na Capitol até 1968, quando foi convidado para ser presidente da Phillips Brasil (atual Universal Music).

Chegou à Phillips em um momento de crise e recebeu um prazo de três anos para conseguir tornar a empresa lucrativa. Uma de suas primeiras medidas foi reduzir o cast de artistas de 155 para 50, cortando quase dois terços dos profissionais.

Na época, trabalhou com nomes como Elis Regina, Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, entre muitos outros. Com a empresa voltando a gerar receita, chegaram outros músicos para fortalecer o cast, como Toquinho, Chico Buarque, Maria Bethânia, Vinícius de Moraes, Tim Maia, entre outros.

Em 1976, deixou a empresa para começar a montar a Warner Brasil. Na companhia, trabalhou com Ney Matogrosso, Raul Seixas, Pepeu Gomes, entre outros. Iniciou com uma participação no mercado fonográfico de 3%, mas rapidamente a fez saltar para 14%.

Nos anos 1980, Midani se tornou um dos principais responsáveis pela ascensão do rock brasileiro, investindo em nomes como Lulu Santos, Titãs, Kid Abelha, entre outros. Em seguida, começou a levar a Warner para outros países latino-americanos, como a Argentina (1983) e o México (1984). Em 1990, foi para Nova York, nos Estados Unidos, assumir o cargo de presidente da Warner para a América Latina.

Voltou a morar no Brasil em 2002. Trabalhou na ONG Vivo Rio e, mais tarde, em 2005, exerceu a função de comissário-geral do Ano do Brasil na França, tendo sido convidado pelo então ministro da Cultura, Gilberto Gil. No mesmo ano, foi condecorado pelo governo francês com a medalha da Ordem Nacional da Legião de Honra.

André Midani também foi considerado pela revista Billboard uma das 90 pessoas mais importantes da história da música. Em 2008, o produtor lançou a sua autobiografia Música, Ídolos e Poder: do Vinil ao Download, relembrando a sua carreira na indústria fonográfica.

Fontes:
O Globo-Morre André Midani, nome por trás de grandes astros da música brasileira, aos 86 anos
Estadão-Morre o produtor musical André Midani
G1-André Midani, produtor musical, morre no Rio

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