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Obituário

Morre Tomie Ohtake, a grande dama da arte brasileira

Nascida em Kioto e radicada no Brasil, artista plástica começou a pintar aos 40 anos e logo ganhou fama internacional. Ela morreu em São Paulo, aos 101anos

Morre Tomie Ohtake, a grande dama da arte brasileira
Tomie em frente ao Monumento do Trabalhador, em 2013 (Reprodução/Veja)

A artista plástica Tomie Ohtake, considerada a grande dama da arte brasileira, morreu nesta quinta-feira, 12, em São Paulo, aos 101 anos. Tomie estava internada por causa de uma pneumonia desde 2 de fevereiro, no Hospital Sírio-Libanês. Ela reagia

Escultura no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo (Reprodução/Veja)

Escultura no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo (Reprodução/Veja)

bem ao tratamento, mas na terça-feira, 10, teve uma parada cardíaca e foi internada na UTI do hospital.

O velório vai acontecer nesta sexta-feira, 13, no Instituto Tomie Ohtake, centro cultural em São Paulo, das 8h às 14h e será aberto ao público. Seu corpo será cremado em cerimônia fechada para a família, também na sexta.

Relembramos abaixo um trecho do artigo de Chica Granchi que publicamos em homenagem à artista quando ela completou 97 anos:

Tomie Ohtake: uma dona de casa que se tornou artista internacional
Por Chica Granchi

As linhas de Tomie (Reprodução/Internet)

As linhas de Tomie (Reprodução/Internet)

Tomie Nakakubo nasceu em Kioto, Japão, e veio a passeio visitar um irmão no Brasil. Tinha 23 anos na época. Coube ao destino, se é que este existe, se encarregar do resto, para sorte de quem aprecia arte.

A situação política internacional impediu que Tomie retornasse à terra natal. Assim, acabou se casando com o engenheiro agrônomo Ushio Ohtake e teve dois filhos, Ruy e Ricardo Ohtake. Por um longo período dedicou-se aos afazeres para os quais foi criada: esposa, mãe e vida doméstica.

 

Contra a vontade do pai

Ainda na infância, a pequena Tomie, contra a vontade do pai, começou a

Escultura de Tomie (Reprodução/Internet)

Escultura de Tomie (Reprodução/Internet)

se arriscar na pintura. Seu passatempo preferido era desenhar e pintar. Mas foi somente aos 40 anos que ela pôde se dedicar ao que tanto amava. Separada do marido, Tomie conheceu o artista e professor de arte e pintura, Kelsuke Sugano, que a incentivou a seguir seu sonho. Ela então retomou os lápis e os pincéis e se juntou ao Grupo Seibi, que era uma associação de japoneses que só aceitava integrantes nipônicos ou seus descendentes.

Junto com Shiró, Manabu Mabe, Fukushima, Kaminagai, e outros, Tomie foi logo notada e premiada. Começou com arte figurativa, retratando casas e paisagens da Mooca, bairro onde morava em São Paulo. Mas inquieta e investigativa, logo passou para o abstracionismo. Também dedicou-se às serigrafias, litogravuras, gravura em metal, esculturas, obras públicas, no Brasil e no mundo. E não parou mais.

Tomie respira e vive arte 

Com seu jeito de ser explicitamente oriental, fala e gestos equilibrados, Tomie vive num ambiente onde se respira arte por todos os lados. Em setembro fui visitá-la em São Paulo e pude ver os quadros que farão parte da próxima exposição. Tomando suco de melancia com ela e trocando ideias sobre arte, olhando sua nova produção cheia de vigor e energia, tive a certeza de que artista não tem idade. A lição de Tomie é disciplina, muito trabalho e meditação. Sim, porque Tomie trabalha até hoje diariamente. Sua determinação e amor pelas Belas Artes a elevam para o status de “Grande Dama da Arte Brasileira”.

 

 

Fontes:
Opinião e Notícia - Tomie Ohtake: uma dona de casa que se tornou artista internacional
Folha - Tomie Ohtake, grande dama da arte nacional, morre em SP aos 101 anos

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