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Museu na Polônia

Muito além do Holocausto

O novo Museu da História dos Judeus Poloneses deve intensificar o debate sobre como museus devem representar questões de identidade nacional

Muito além do Holocausto
A tentativa de contrabalancear a história do sofrimento dos judeus poloneses com uma celebração da sua prosperidade é um sinal dos tempos (Reprodução/Economist)

Do século XVI até 1939 a Polônia foi o centro global do povo judaico, com a maior população de judeus e convergência de atividades religiosas, culturais e políticas. Porém, para os visitantes mais recentes, tais como os milhares de estudantes de escolas israelenses que todos os anos vão visitar os campos de concentração nazistas, a história dos judeus poloneses virou a história da sua exterminação. O Museu da História dos Judeus Poloneses, cuja exibição permanente abre este mês, é uma tentativa de restaurar algum equilíbrio. “Nós temos a obrigação moral de honrar as formas com que os judeus poloneses viveram por mil anos,” diz Barbara Kirshenblatt-Gimblett, que dirige a exibição. “O Holocausto não é o começo dessa história, nem o fim.”

Kirshenblatt-Gimblett, judia nascida no Canadá cujo pai emigrou da Polônia em 1934, tem uma filosofia sofisticada sobre exposições, de resistência a narrativas grandiosas. Ela prefere deixar os espectadores mergulharem no material e chegarem às suas próprias conclusões. Mas há claramente um viés político na forma com que a exposição é projetada. Os poloneses do pós-guerra, reprimidos pelo comunismo soviético, não tiveram chance de falar sobre o Holocausto até cerca de dez anos atrás, e muitos se irritam com as acusações de que seu país teve papel ativo na exterminação de judeus. A apresentação da longa história da coexistência de judeus e poloneses, junto com os episódios de violência, e permitir que os visitantes interpretem esses fatos como quiserem, ajuda a esclarecer esses pontos.

Essa tentativa de contrabalancear a história do sofrimento dos judeus poloneses com uma celebração da sua prosperidade é um sinal dos tempos. Nos últimos 25 anos o governo polonês se manteve pró-Israel. Sua promoção de uma nova narrativa de tolerância religiosa durante os “anos dourados” na Polônia faz parte de uma tentativa de associar o país com valores europeus. Ao mesmo tempo, o país vem passando por um surpreendente renascimento de cultura judaica. Entre artistas e intelectuais, a identidade judaica está na moda. Se está cada vez mais claro que uma exposição sobre judeus poloneses não deve pôr ênfase exclusiva no seu desaparecimento, isso é em parte, e surpreendentemente, porque eles parecem estar voltando.

Fontes:
The Economist - Shtetl of honour

1 Opinião

  1. olbe disse:

    Uma fNTÁSTICA INICIATIVA. SOUBE QUE OS JUDEUS, QUE VÃO VISITROS CAMPOS DE EXTERMÍNIO DA PLÔNIA AINDA SÃO ESPEZINHADOS PELA POPULAÇÃO.ESTE MUSEU PODE AJUDAR A QUEBRAR ESTE PRECONCEITO QUE ESTÁ ENRAIZADO.

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