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Municipal do Rio terá R$ 45 milhões

Três gigantes do setor público brasileiro anunciaram na última sexta um aporte de R$ 45 milhões para a reforma e restauração do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

O BNDES, a Eletrobrás e a Petrobras contribuirão cada um com R$ 15 milhões para o total de R$ 50,2 milhões em que foi orçado o empreendimento. O restante será fornecido por outros patrocinadores. A TV Globo entrará com patrocínio de valor igual, corporificado em divulgação do conjunto do projeto “Centenário Teatro Municipal”.

Este, além da reforma e de uma programação comemorativa especial que deverá se estender até dezembro de 2010, contemplaria — segundo informações extra-oficiais — um documentário e um livro sobre o teatro.

Entre outubro, quando o teatro fecha para obras, e 14 de julho de 2009, quando se dará a reabertura, na data do centenário da inauguração, serão nove meses de gestação de um Municipal livre de ameaças a sua integridade física e em condições de funcionamento condizentes com sua importância para a cultura e o patrimônio da cidade e do país.

O governador Sérgio Cabral, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, a Secretária de Cultura, Adriana Rattes, a presidenta da Fundação Teatro Municipal, Carla Camurati, e os dirigentes das empresas patrocinadoras reuniram a imprensa e convidados na manhã desta sexta-feira, no próprio teatro, para dar a boa nova.

Assumindo seus postos no meio da temporada de 2007, Rattes e Camurati começaram já em março deste ano a cuidar da preservação do patrimônio físico, com a primeira etapa do projeto de restauro arquitetônico e dos equipamentos: a descupinização e recuperação do telhado.

A segunda etapa, imediata, será a reforma elétrica e hidráulica. A terceira, a partir do fechamento em outubro, beneficiará fachadas, foyers e a sala de espetáculo: restauração das pinturas e outros elementos de decoração, troca de poltronas, aparelhos de refrigeração e elevadores, projeto de acústica e iluminação, modernização dos equipamentos cenotécnicos, adaptação para acesso de portadores de necessidades especiais.

A restauração artística inclui a revitalização das telas de Eliseu Visconti, das esculturas e pinturas dos irmãos Bernardelli, dos mosaicos e pinturas murais, assim como a recuperação da águia que fica no ponto mais alto do edifício, além dos vitrais, lustres e clarabóias. A quarta e última etapa visará a parte interna da construção, a que o público não tem acesso, e o Salão Assyrius.

Adriana Rattes lembrou na cerimônia de sexta que o teatro foi construído em quatro anos (1905-09), na gestão do prefeito Pereira Passos, a um custo que correspondia a 2% do orçamento da União. Seria o equivalente hoje, estimou o representante do BNDES, a R$ 14 bilhões! O tempora, o mores!

Carla Camurati e o diretor artístico da casa, o maestro Roberto Minczuk, só divulgarão os concertos e montagens da temporada do ano que vem quando já tiverem todos os elementos concretos.

Camurati está em contato no momento com grandes cenógrafos brasileiros, para encaminhar os detalhes da modernização dos equipamentos de palco e coxias. Minczuk procede a partir deste mês às primeiras audiências para contratação de novos músicos (16, substituindo apenas professores que se aposentam) e 20 membros do coro.

Nesta terça-feira, 29 de julho, Adriana Rattes estará à frente de uma audiência pública sobre o encaminhamento do projeto de transformação da Fundação Teatro Municipal numa organização social, o que permitirá entrar mais decisivamente pelo caminho da captação de recursos privados.

A medida poderia permitir, por exemplo, elevar os salários dos músicos (hoje entre R$ 2.300 e R$ 4.500) e obter deles exclusividade -– além, claro, de enriquecer a programação e melhorar o nível, que não tem sido brilhante, dos artistas (especialmente cantores de ópera) contratados para as temporadas.

No financiamento da programação artística, a Associação dos Amigos do Teatro Municipal, fundada em 1984 e hoje presidida por Carlos de Laet, tem um papel importante. Com cerca de 170 filiados, sobretudo pessoas físicas, ela recolhe anualmente contribuições que variam de R$ 800 a R$ 2.100. Foi através dela que a Petrobras forneceu em 2007 patrocínio de R$ 2.400.000 para montagens de ópera e a Eletrobrás, de R$ 1.000.000 para montagens de balé. Mas a direção do teatro não pôde estimar ainda que proporção do orçamento artístico isto representa. Segundo Camurati, o aporte global do governo do estado ao Teatro Municipal em 2007 foi de R$ 40 milhões.

Veja aqui a programação completa para o Rio de Janeiro e São Paulo.

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1 Opinião

  1. LUIZ CARLOS disse:

    45 MILHÕES PARA REFORMA DE UM TEATRO PARA OS RICOS FREQUENTAREM, ENQUANTO NAS ESCOLAS PÚBLICAS DESTE ESTADO PROFESSORES PASSAM FOME E CRIANÇAS FICAM CADA DIA MAIS SEM EXPECTATIVA E SE TRANSFORMAM EM FAVELADOS E CAMELÔS. Que cultura é essa, que país é esse????

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