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Municipal encerra temporada com ópera sobre Oswaldo Cruz

27/11/2006 | Enviar | Imprimir | Comentários: 2 | A A A

Oswaldo Cruz visto por dentro de sua própria mente. Esse é o mote principal da ópera O cientista, que encerra a temporada lírica do Theatro Municipal do Rio, com sete récitas a partir do dia 8 de dezembro. Coro e orquestra do Theatro, num total de cerca de 200 pessoas estarão no palco. O barítono Sebastião Teixeira fará o papel de Oswaldo Cruz e Claudia Riccietelli o de sua esposa, Emilia; Luciana Botelho será a mulher e Lívio Bruno, Rodrigues Alves, então presidente do Brasil. O melhor amigo de Oswaldo Cruz, Sales Guerra, será vivido por Marcos Lizemberg.

Com libreto escrito pelo poeta Bernardo Vilhena – que leu mais de 600 correspondências do sanitarista e textos do Senado Federal, pesquisou em jornais da época e teve consultoria da Fundação Oswaldo Cruz – e música composta pelo maestro Silvio Barbato, O cientista vai contar a história do sanitarista Oswaldo Cruz nos primeiros anos do século 20 no Rio de Janeiro e de sua importância para a saúde pública brasileira. Oswaldo Cruz e o prefeito do Rio Pereira Passos implementaram mudanças importantes para remodelar a cidade e acabar com as doenças que matavam milhares de moradores, como a peste bubônica, a febre amarela e a varíola.

Segundo Eduardo Álvares, diretor do espetáculo (e diretor artístico do Municipal), a ópera não faz um relato autobiográfico de Oswaldo Cruz e abdica da idéia do tempo. Procuramos retratar a figura humana riquíssima que ele era, com uma ligação profunda com sua mulher, mas ao mesmo tempo com várias amantes; o que é um campo fértil para ser usado pelo lado fantasioso. Ele vai aparecer como homem de família, como homem mundano e como cientista, que se imola por causa do ideal de sua vida. Vamos falar de amor bandido – não existe ópera sem conflito amoroso. Queremos mostrar a participação fundamental de Oswaldo Cruz na saúde pública brasileira, sem montar hipóteses do contexto social da época. A história de O cientista não mostra a morte de Oswaldo Cruz. Ele desaparece, como Isolda. É um símbolo iluminado, explica.

Para compor a música de O Cientista, Silvio Barbato usou uma linguagem leve, conectada com a ópera tradicional. Busquei a música que escuto na rua, não tenho interesse na vanguarda. Essa ópera é a exteriorização da minha linguagem musical, tendo como modelos Cláudio Santoro, meu grande mestre, Villa Lobos, Carlos Gomes e Tom Jobim, explica o maestro, que convidou os músicos Leo Gandelman e Kiko Horta para participações especiais. A música moderna, como a gafieira presente no espetáculo, faz um contraponto com a renascentista e é para isso que ele usa o saxofone de Galdelman, na cena de um cabaré da Lapa e o acordeon de Kiko Horta, em uma canção francesa.

Na cena em que a revolta das vacinas é lembrada, um grupo de capoeiristas aparece em cena. A última resistência daquela revolta foi por um grupo de capoeiristas no Morro da Providência, quando aparece o exército para dizimá-los. É uma cena muito forte, diz Eduardo Álvares.

O cenário, de Marcelo Dantas, é um dos destaques da ópera. Virtual, simples – todo em preto e branco – às vezes abstrato, vai contar, pela primeira vez nos últimos anos, com todos os recursos do palco do Municipal. Os elevadores cênicos, parados há algum tempo, foram reformados e serão acionados para dar diferentes níveis ao cenário.

Um grande espelho, de 120 metros quadrados, será uma das novidades que Marcelo Dantas vai usar para efeitos especiais. A ópera tem dois atos divididos em três cenas e foi montada como no século XIX, grande período da ópera no mundo, onde os velares são levantados para dar lugar aos diferentes cenários.

Segundo Helena Severo, presidente da Fundação Theatro Municipal, a produção teve um custo de R$ 600 mil, bancados pela Faperj (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e pela Fundação Oswaldo Cruz. Agora a produção está em busca de recursos para que possa ser gravado um dvd.Acredito que com mais R$ 300 mil, conseguimos fazer. Será uma pena se um trabalho dessa magnitude não ficar gravado. Helena lembra que a construção do Theatro Municipal está inserida na reforma de Pereira Passos, portanto, dentro do contexto da obra de Silvio Barbato. Além disso, no ano em que a varíola foi extinta na cidade, o theatro estava sendo inaugurado.

O cientista

Dia 8 às 20 horas – Preços Usuais
Dia 10 às 11 horas – Domingo no Municipal
Dia 13 às 20 horas – Preços Populares
Dia 15 às 20 horas – Preços Usuais
Dia 17 às 11 horas – Domingo no Municipal

Preços Usuais
Frisa/Camarote – R$180,00
Platéia/balcão Nobre – R$ 30,00
Balcão Simples- R$20,00
Galeria- R$ 10,00

Domingo no Municipal – R$ 1,00

Preços populares
Frisa/Camarote – R$ 60,00
Platéia/Balcão Nobre – R$ 10,00
Balcão Simples – R$ 7,00
Galeria – R$ 5,00

Libreto Bernardo Vilhena
Música Silvio Barbato
Direção Eduardo Álvares
Cenário Marcelo Dantas
Figurino Marcelo Olinto

Solistas
Sebastião Teixeira (Oswaldo Cruz)
Claudia Riccitelli ( Emília)
Luciana Bueno (mulher)
Lívio Bruno (Rodrigues Alves)
Marcos Lizemberg (Sales Guerra)

Mais informações
Básica Comunicação
Ester Lima – 2532-9919 / 9427-9448
Erica Avelar – 2532-4106

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2 opiniões para o artigo: Municipal encerra temporada com ópera sobre Oswaldo Cruz

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Opinião de Luiz Paulo F.C. Braga
Na data: 15 de outubro de 2007 as 12:44

Belissima !

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Opinião de Monique Tavares
Na data: 19 de dezembro de 2006 as 11:44

Nunca tinha ido assistir a uma ópera.Vendo que O Cientista era em português animei-me a ir conferir e saí de lá maravilhada com o espetáculo que alí presenciei.Os solistas eram maravilhosos,mas o elenco de atores e os capoeirista simplismente me deixaram de queixo caido,literalmente…Quero parabenizar os realizadores e espero que essa belíssima ópera volte para os palcos não só do Rio,mas de todo o Brsil e do mundo para todos verem que nós temos muitos talentos,tanto nas artes quanto na ciência!!!!