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Música nas escolas

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Incluir o ensino da música no currículo escolar é iniciativa antiga. O Maestro Heitor Villa-Lobos, nos idos dos anos 30 do século passado, conseguiu instituir o canto orfeônico em todas as escolas.

Porém, em 1971, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) — lei nº  5692/71 — promoveu uma reforma educacional nos antigos 1º e 2º graus, e transformou o ensino das artes em Educação Artística, com foco nas artes plásticas. A intenção era valorizar principalmente as habilidades manuais, destacando ao mesmo tempo uma visão utilitarista e imediatista da arte. A música foi perdendo, assim, seu espaço na grade escolar. A nova LDB, de 1996, tornou a destacar o ensino das Artes como complemento fundamental para a formação humana. Mas, por não ser específica, nem aí a música teve seu valor recuperado, continuando a ênfase nas outras linguagens artísticas.

Luta pela música

Apesar de muitas escolas particulares oferecerem educação musical aos alunos dos anos iniciais do ensino fundamental, por parte dos governos municipais, estaduais e federal não houve, ao longo das últimas décadas, uma oferta sistemática de aulas de música nas escolas públicas.

O professor José Nunes Fernandes, chefe do Departamento de Educação Musical do Instituto Villa-Lobos, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro — Uni-Rio, explica que esse descompasso começou a ser discutido por um grupo de músicos em 2006, que resultou no Grupo de Articulação Parlamentar Pró-Música, do qual ele faz parte. O GAP é um movimento que hoje atua em nível político com o objetivo de colaborar na tramitação de projetos de lei que envolvem questões da música no país. Uma das iniciativas do Grupo foi a elaboração do Manifesto pela educação musical no país: “Foi uma forma de iniciar efetivamente o processo. Com essa nova lei, acreditamos que o ensino da música finalmente vai mudar”.

Ele se refere à lei nº 011769/2008, criada em dezembro do ano passado, que torna obrigatório o ensino da música em todas as escolas do Brasil.

Por que a música no currículo escolar?

Villa-Lobos dizia que um compositor sério deveria estudar “a herança musical do seu país, a geografia e etnografia da sua e de outras terras, o folclore de seu país, quer sob o aspecto literário, poético e político, quer musical.” Ou seja, a música não é apenas um código a ser aprendido, é uma fonte de cultura e de história que faz parte da identidade de cada povo, e também por isso deve ser incorporada ao processo educacional.

Fora os benefícios mais do que comprovados por meio de pesquisas realizadas em outros países — de que o ensino da música melhora a concentração, ajuda a disciplinar a criança e aguça sua sensibilidade artística — ela faz parte de uma educação integral: “É como comer. Nós podemos comer algo que tenha poucos nutrientes ou muitos nutrientes, o que seria o ideal. É como acontece nos países ricos”, afirma o professor. Ele destaca ainda a vantagem que o brasileiro tem sobre os outros povos: “Somos um povo com excelência musical inata, temos tudo para aproveitar bem o ensino da música nas escolas”.

De tudo um pouco

Como a nova lei é pouco específica na forma como as escolas poderão oferecer a música, há espaço para tudo: coral, banda, orquestra… “É difícil ditar modelos, os contextos é que definem os métodos em educação, e o MEC dá bastante autonomia para os governos decidirem sobre isso”, afirma José Fernandes. Para ele, é importante que o professor tenha formação musical, pois, em muitos casos, por causa da polivalência do ensino das artes, modelo adotado a partir de 1971 e ainda em vigor, a música era oferecida de forma improvisada por professores sem formação adequada. Isso também contribuiu para a educação musical perder prestígio, e causou sérios prejuízos.

Para essa nova lei não desafinar, segundo José Fernandes, é preciso que toda a sociedade cobre das escolas e dos governos o seu cumprimento: “Nos estados e capitais, já encontramos grupos e associações de músicos que estão agindo junto aos Conselhos Estaduais e Municipais de Educação para operacionalizar a lei.”

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10 Opiniões

  1. Vera Lucia disse:

    Nem acredito no que estou lendo; que colocarão música nas escolas de novo…poderiam colocar aulas de religião (opcionais)também para ajudar nossos jovens.

  2. Dorival Silva disse:

    Fico na dúvida se sou a favor ou contra. Por um lado é muito bonito, cultura e etc e tal. Por outro, a prioridade deveria ser aprender a ler e escrever razoavelmente, e a somar e subtrair. A cada nova matéria que é inserida no currículo, mais se tira o foco dessas matérias básicas.

  3. Elga Ferraço disse:

    Quando estudei, eu fiz aulas de música,trabalhos manuais etc e isto só veio a contribuir com o meu intelécto ,pois é uma terapia,ir para a escola era uma alegria,até hoje sou apaixonada pela música,seja instrumental e canto,não atrapalha nada,só ajuda a criança.

  4. MARKUT disse:

    A questão não é somente introduzir ou não a disciplina da música.
    O ensino básico, como um todo, tem que ser totalmente remodelado.
    Para isso, antes de tudo, é preciso despertar o apetite político dos nossos lamentaveis representantes.
    Dentro dos limites esquálidos dessa gente, falar em ensino dá arrepios, pois, alem de não ter muita visibilidade eleitoreira, corre-se o risco de tornar o cidadão mais consciente dos seus direitos e isso, francamente, não interessa.

  5. Geruza Maria de Almeida disse:

    Valeu a batalha pela cultura!
    A música estimula a concentração, espírito de grupo e conhecimento.
    Através da música podemos navegar por um mar repleto de aprendizado. Acredito que nossas crianças só irão ganhar com este estímulo. Vamos aprender também história… história da música.
    Assim eles estarão mais estimulos a criar, ousar.
    Parabéns! Na escola de meus filhos a matéria foi inserida este ano e pelo que pesquisei o professor da pasta é super competente, pois possui o conhecimento da música e a didática para ensinar.

  6. heloisa disse:

    Grande notícia. Parabéns ao GAP e aos jovens. Porque demorou tanto? Tinha na Grécia antiga, tinha na minha escola. O artigo e a leitora Geruza definiram bem o ganho que teremos. Sem tirar a importância de tudo mais que a escola tem a obrigação de oferecer.

  7. Armelindo Prando disse:

    Parabéns pela iniciativa pois a música tornar-se a um diferencial, e ao mesmo tempo pode gerar oportunidades descobrindo novos talentos.

  8. Simone Prando disse:

    Música nas escolas – A música vai além do movimento, das emoções, do imaginário….A música é sem sombra de dúvida algo extremamente fantástico, ela proporciona motivações, energias positivas, etc. Parabéns por esta bela iniciativa.

  9. WELLER MARCOS disse:

    Qualquer que seja o resultado com a implantação do ensino da músicana escola fundamental, essa é uma excelente notícia. Fico tão eufórico quanto todos os que manifestam aqui tal satisfação. Também quero concordar com o sr.Markut que desja uma reforma ampla, geral e irrestrita na educação brasileira. Mas, este é um passo decisivo, e certamente contribuirá para todas as outras sonhadas e desejadas mudanças.Contudo, preciso será o maior cuidado para não tornar o ensino banal e de qualidade ruim, pois a música que desperta a consciência cultural não é, certamente, a que está ai exposta com tamanha vulgaridade.

  10. luiz cesar "ganso "Nogueira disse:

    DEVEMOS FAZER UM MOVIMENTO EM PROL DESTA NOBRÍSSIMA CAUSA ,essa deve de ser uma meta nacional,principalmente pelos profissionais da area , educadores ,pretensos profissionais e amantes da boa musica, pois, quem tem concienscia sabe que nosso Pais é rico nesta area artistica , mais carece de educação musical pois tem muito lixo rolando na midia e isso tem influencia na vida das pessoas , imagine a musica usada nas escolas como auxilio na educação e formação do cidadão “nóis arrebentaria” e quem ta ligado sabe oleque de beneficios que podemos obter,pra encurtar o papo,tenho feito a minha parte na minha cidade e com amigos e nas opurtunidades que tenho, e voce ja deu seu passo hoje em prol da causa …?

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