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Preparem os ouvidos, os corações e… os pés! A maratona da Rio Folle Journée começa na próxima semana pela segunda vez, toda dedicada este ano a Beethoven.
Serão mais de quarenta concertos em pouco mais de quatro dias, entre a quarta-feira 4 de junho e o domingo seguinte.
O princípio a gente já conhece: concertos de menor duração, concentrados em espaços próximos (a Sala Cecília Meireles e o Teatro Municipal com respectivos anexos, mais três locais das imediações) e a preços populares (entre R$ 1 e R$ 5).
O principal, claro, é o espírito de voracidade aventureira, de mergulho festivalesco e descoberta convivial que caracteriza o evento inventado em 1995 por René Martin na cidade francesa de Nantes, de onde se espraiou também, a partir dos anos 2000, para Bilbao na Espanha e Tóquio.
Martin teve a idéia desse tipo de ferveção clássica ao levar os filhos para um show da banda de rock U-2: por que não atrair os jovens e os públicos não conhecedores — mas também os que já conhecem e gostam, claro! — para um evento “de massa” em torno da música de mais alta qualidade e refinamento que já se fez?
A primeira edição da Folle Journée carioca, ano passado, atraiu um público de cerca de 16 mil pessoas em três dias, em torno das músicas das escolas nacionalistas européias e brasileira na passagem dos séculos XIX parta o XX. Em Tóquio, na terceira edição local, foram 1 milhão de melômanos!
Desta vez, teremos uma amostra substancial da obra de Beethoven, com direito às integrais dos quartetos de cordas, das sonatas para piano, para violino e piano e para violoncelo e piano, além de todos os trios com piano.
Ouviremos também outras peças esparsas para conjuntos de câmara e algumas sinfonias e concertos.
Vários músicos franceses e russos que aqui estiveram em 2007 voltam a se apresentar desta vez. É o caso dos pianistas Claire Désert, Jean-Efflam Bavouzet, Jean-Frédéric Neuburger e Andrei Korobeinikov (os dois últimos jovens revelações realmente impressionantes), nas sonatas, e Boris Berezovsky, em concertos e nas sonatas para violino e piano; do violoncelista Alexander Kniazev; e do violinista Dmitri Makhtin.
Entre os artistas que aportam à nova maratona estão dois conjuntos franceses reputadíssimos, o Quarteto Ysaÿe e o Trio Wanderer, e o nosso grande Quinteto Villa-Lobos no Quinteto para piano e sopros, acompanhados de Lilian Barretto.
Virão também nosso muito conhecido Antonio Meneses, tocando as sonatas para violoncelo com seu grande parceiro Menahem Pressler (eles estão lançando CDs com a integral); grandes solistas brasileiros como Clélia Iruzun e Eduardo Monteiro participando da integral das sonatas para piano; Daniel Guedes dividindo a integral das sonatas para violino com Makhtin e os pianistas Ilan Rechtman e Berezovsky.
Os quartetos serão percorridos pelos Ysaÿe na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa, em frente à Sala Cecília Meireles. É a primeira vez em que a integral será tocada no Rio desde a que teve lugar em 2002 no contexto do Rio Cello Encounter, com quatro conjuntos diferentes.
Na integral das sonatas para piano, vou querer ouvir especialmente o pianista franco-libanês Abdel Rahman el Bacha, um príncipe do teclado que já aportou por aqui em 2005 com uma arte concentrada e depurada que deve ser muito interessante em Beethoven.
A maratona começa na noite do dia 4 com um concerto da Orquestra Sinfônica Nacional da UFF regida por Ligia Amadio, com a Sinfonia nº 5 e o Concerto nº 3 solado por Eduardo Monteiro.
Horas antes, uma mesa-redonda reunirá Luiz Paulo Sampaio, Haroldo Costa e Alexandre Valuzuela Simões em torno do tema “Beethoven e seu tempo: o Brasil e o mundo”, no Centro Cultural da Justiça Federal.
Como o objetivo é atrair e formar novos públicos, cerca de cinco mil ingressos serão distribuídos em escolas da rede pública do estado do Rio de Janeiro. Mais informações a respeito no site da Secretaria de Estado de Educação: www.educacao.rj.gov.br
A programação completa da Rio Folle Journée pode ser encontrada em www.riofollejournee.com
Veja aqui a programação completa para Rio de Janeiro e São Paulo.