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Tendências e Debates

Nelson Motta e as porcentagens polêmicas

Por Camila Leporace

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nmotta1Durante sua palestra na quarta edição do evento Porto Musical, esta semana em Recife, Nelson Motta fez declarações capazes de gerar bastante discussão, que foram publicadas no Globo Online na última segunda-feira e podem ser lidas também no site do evento. Entre outros comentários, o produtor musical e jornalista afirmou que 90% da música brasileira produzida hoje é “porcaria”. O Opinião & Notícia procurou ouvir algumas opiniões sobre o assunto e traz o tema para o debate, convidando os leitores a opinar.

“Do jeito que a declaração chegou, parece que o Nelson Motta está generalizando. Mas temos de lembrar que ele é um sujeito, historicamente, bem informado sobre música brasileira”, afirma Julio Daio Borges, editor do site Digestivo Cultural. “Se estiver falando do que toca no rádio, acredito que tem razão. Mas não por causa da música em si e, sim, por causa das crises dos meios de comunicação, que não divulgam como antes. A boa música está mais na internet do que nunca; saiu do antigo hit parade”, complementa Julio.

O crítico Jamari França, que mantém um blog no Globo Online, acredita que Motta — muito engajado na música brasileira, conforme ele enfatiza — tenha sido motivado por dois fatores ao emitir essa opinião: desabafo e provocação. “Se olharmos a lista das 20 músicas mais tocadas computada toda semana pela empresa Crowley Broadcast Analisys do Brasil (multinacional especializada em monitoramento eletrônico de rádio), observamos uma ausência crônica de boa música.” Jamari critica o que estaria por trás dessa falta de qualidade. “Como a execução está atrelada aos contratos comerciais, leia-se jabá, as gravadoras investem apenas em canções de fácil assimilação por artistas populares”, afirma, complementando que “música de qualidade teria poucas chances nesse modelo.”

Segundo Jamari, os números citados por Nelson Motta não procedem. “Não acho que seja possível dizer a sério que 90% da música feita no Brasil atualmente é um lixo, até porque temos uma enorme quantidade de artistas anônimos de boa qualidade que não chegam ao conhecimento nem de quem trabalha com música. E uma quantidade enorme de artistas com boa produção que não têm a menor chance no mainstream, tanto conhecidos quanto menos conhecidos. Nas vezes em que fui a alguns dos festivais de rock que acontecem em diversas partes do país, vi bandas que poderiam estar fazendo sucesso mas estão restritas a este circuito.”

Oliver Bastos, professor de música e compositor da banda Malibu, destaca que músicos contemporâneos muitas vezes nem mesmo têm como objetivo principal sair do circuito do qual Jamari fala. Grupos musicais que têm um determinado número de fãs preferem fazer shows para esse público, onde vendem CDs e DVDs a preços acessíveis, e disponibilizam suas músicas na internet para que o público tenha facilidade de conhecê-las. Bastos comenta que essas bandas provavelmente sabem que seu som não atingirá as massas, por ser mais específico e muito trabalhado, e então se dedicam mais à arte e à música propriamente ditas do que à comercialização do que produzem. Fazer shows, gravar discos e vender muito acabariam sendo consequências disso, na opinião dele.

Oliver, músico da banda Malibu

Oliver, músico da banda Malibu

Polêmica proposital

Na opinião do músico, compositor e tecnólogo Osmar Ricardo Lazarini, também conhecido como Sonekka, Motta fez uma declaração propositalmente polêmica. “Não consigo conceber que um cara com a experiência dele seja capaz de dizer bobagens assim e sustentá-las. Ele considera lixo tudo o que não é do seu gosto pessoal.” Lazarini levanta pontos importantes para discussão, remetendo à opinião de Jamari França. “Muita coisa ruim é feita em todas as áreas artísticas, só que os espaços são limitados e só vinga o que é bom? Errado. Só vinga na mídia o que é pago pra ser markeateado, como qualquer produto. Só o universo musical moderno tem outra dimensão.” Ainda de acordo com o músico, Nelson Motta deveria explicar o que considera ruim — “a música em geral ou a música comercial?” — porque, segundo ele, com o avanço tecnológico, muita gente passou a poder produzir e com muita qualidade, e o conceito de bom e ruim foi desmistificado.

Lazarini não é o único a afirmar que Nelson Motta fez uma declaração baseada em seu gosto pessoal, e condena a forma como as críticas de música são feitas. “Quem conhece tanto e tão profundamente a música brasileira atual para fazer uma afirmação assim?”, questiona o compositor e produtor Alexandre Lemos. “O que chama mais a atenção nisso tudo é o vazio pleno que serve de contexto para a afirmação em questão. Frase típica do jornalismo brasileiro, onde o achismo ocupa, há décadas, o lugar da crítica especializada”, complementa.

Assim como Sonekka, o jornalista e crítico musical Arthur Dapieve encara a afirmação de Nelson Motta como uma provocação. Mas Dapieve acredita que tenha sido uma provocação benvinda. “Não creio que apenas 10% da música brasileira não seja uma ‘porcaria’, mas é bom sermos lembrados de que não é tudo bom, como se pode imaginar pela leitura de parte da imprensa, muito acrítica. Porque, certamente, a maior parte (70%? 80%?) não é boa mesmo. Como, aliás, em quase qualquer tempo e quase qualquer lugar.”

Antonio Carlos Miguel, crítico de música, também compara os tempos atuais com o passado ao comentar a afirmação de Motta. “Não vejo esses números de forma negativa. Esse percentual não é um “privilégio” dos tempos atuais. O que acontece é que, muitas vezes, só lembramos de coisas boas do passado. Mas, mesmo nos gloriosos anos 1960, no auge dos festivais competitivos, é possível que 90% não prestassem.” Ele diz que “há muita coisa boa nesses 10% de hoje” e conta que o Prêmio de Música deste ano recebeu 600 discos. “Se 60 deles forem bons, já é um feito notável.”

Em sua palestra, Nelson Motta apimentou mais a polêmica ao dizer que quem se propõe a fazer música no Brasil hoje compete com músicos estrangeiros. “Outra besteira”, afirma Lazarini, complementando que “aparece quem paga e ele bem sabe que custa caro. Estamos na era do conteúdo, na qual as pessoas vão escolher o que ouvir e descartar ou conservar a seu bel prazer o que é lixo ou bom.” Jamari França aponta uma direção para a solução do problema de os músicos não alcançarem os ouvidos dos brasileiros. “Cabe a formadores de opinião do setor musical batalhar para que este quadro se reverta, mesmo que, a exemplo de Dom Quixote, estejamos investindo contra moinhos de vento.”

Caro leitor,

Qual a sua opinião sobre a declaração de Nelson Motta?

Você concorda ou discorda dospontos expostos pelos entrevistados?

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  1. Wolneir Brizola Alves disse:

    Trata-se de uma afirmação leviana. Quantas músicas ele ouviu para classificar apenas 10% como de boa qualidade? Qual o critério utilizado por ele para definir a música considerada como lixo? O gosto pessoal dele? E o gosto pessoal dele é idêntico ao do restante da população brasileira?
    Penso que ele perdeu uma boa oportunidade de permanecer calado.

  2. Luiz CPF Vieira disse:

    Não tenho dúvidas quanto ao que se ouve nas rádios e nas televisões, como temas de novelas e outros fundos musicais: é mesmo uma doideira, um desprestício a quem faz e gosta de coisa boa. É latente que não se mostra o que temos produzido de melhor, de popular, de qualidade mesmo. Aliás, a música e o conteúdo desses programas muito deixam a desejar. Quem são essas pessoas que mostram os nossos sucessos hoje em dia? Quem disse que devemos nos afinar com os sons artificiais de vozes de sucesso duvidoso que nos chegam do exterior? Procurar qualidade é ir a salas específicas e fazer apenas estatísticas do a mídia oferece. Talvez o Sr. Nelson não tenha tido tempo de fazer isso ou esteja com seu gosto muito afetado pela massificação liquificadorizada da atmosfera norte-americana a que está mais assiduamente ligado hoje em dia.

  3. Evandro Correia disse:

    Eu acho que Nelson Motta foi generoso. Está mais para 99% de lixo. Um país que teve Tom Jobim e a bossa nova, que foi considerada internacionalmente a melhor música do mundo, o que tem hoje? A rara produção dos veteranos, e só. Não surgiram novos compositores de valor.

  4. REGINALDO NUNES BARBOSA disse:

    APENAS QUANDO SOMOS INSTRUIDOS PELA REALIDADE E QUE PODEMOS MUDA LA.

    O polemico Nelsinho Motta,

    Quem ja leu ou acompanhou o nosso maior produtor musical entenderia completamente essas declaracoes,
    Primeiro, o termo produzir para ele nao significa criar uma musica e sim industrializa la e coloca la no mercado, isso sempre foi seu maior merito.
    Segundo, por ser a figura mais notoria dessa area e do pensar inteligente no nosso Pais, ele ao fazer essa afirmacao realiza um trablho sem tamanho ao musico que nao encontra espaco para mostrar seu trabalho e com isso vir a ter um produtor e ser tocado pela midia convencional.
    Veja, temos a doce ilusao de que o que toca e o que ha de melhor e nao o e!
    O que toca e o que deixam tocar, generalizadamente nosso mercado fonografico e repleto de jaba , pois senao como se explicaria a quantidade enorme de musica americana massivamente tocando e sem sombra de duvidas o mundo inteiro nao tera musica melhor ou pelo menos a altura?
    Tem sim ! E do nosso ladinho, conhecemos inumeros herois que lutam pela divulgacao de seus trabalhos e nao conseguem sequer serem ouvidos, tendo que em via de regra tocar de graca para mostrar seus trabalhos, sendo uma migalhinha de abrir um show de determinada banda uma honra.
    Oras, temos gente maravilhosa que faz e acontece pelo seu talento muito mais do que pelo QI( Quem Indica ).
    Lembrem se do quadro do Domingao do Faustao em que artistas inseriam lancamentos desconhecidos e os intitulavaam de padrinhos.
    No nosso Pais a politica do padrinho e o normal e nao a capacidade e o talento, por isso Nelsinho coloca de forma limpida e transparente ess M…….. NO VENTILADOR e com isso nos poe a pensar no tema,

    Parabens NELSINHO , continuo seu fa de carteirinha.

    Reginaldo Nunes Barbosa

  5. Marco Leão Gelman disse:

    Provocação elaborada partindo da linguagem (ao gosto), do marketing comercial, com fins de estímulo à melhoria de qualidade da música PRODUZIDA e EDITADA, não, COMPOSTA, esta não está em questão! Nelson Motta sabe o que fala!

  6. Armando disse:

    Está claro que a intenção do Nelson Motta é polemizar e oportunizar o debate, o que é muito saudável. Pelo que entendi, ele se refere à música que se torna pública de alguma forma, seja pela mídia tradicional ou pela internet. Se há algum gênio desconhecido em algum canto, até mesmo na rede, só poderá ser identificado na medida em que for acessado e reconhecido, ainda que por um pequeno grupo. Nas rádios e televisões, é público e notório que predomina o jabá, salvo raríssimas exceções.
    Quanto aos percentuais, o que ele diz é que há uma tal avalanche de porcarias ofertadas que a música de qualidade fica como que soterrada. O que vale, aliás, para tudo que circula na rede, que se organiza pelo conceito de Cauda Longa – que é positivo, à princípio, e em oposição ao de Cauda Curta, que sempre orientou o mercado tradicional.
    Significa o seguinte, a grosso modo: ao invés de poucos produtos – os hits de sucesso – que tenham que ser consumidos em massa, para cobrirem os altos custos e remunerarem o investimento, a oferta ilimitada de uma enorme quantidade de produtos de baixo custo, consumidos por igual quantidade de pequenos grupos – os chamados nichos de consumo. O que já é uma realidade estatística, com o segundo (a Cauda Longa) superando o primeiro. Daí decorre um predomínio da quantidade sobre a qualidade, mas o mérito está em que se ampliam vertiginosamente a diversidade dos conteúdos ofertados e a liberdade de escolha, tornando possível – embora não garanta – uma gradual seleção pela qualidade. Enquanto na Cauda Curta esses são impostos goela abaixo a um consumidor incauto e manipulado.

  7. Everson Dias disse:

    Eu não seria tão radical quanto a porcentagem mas, que a música nacional anda mal das pernas, isso é verdade.
    Corrigindo o Lazarini:
    “com o avanço tecnológico, muita gente passou a poder produzir música ruim”

  8. Carlos Fernando Alencastro Muniz Freire disse:

    Osmar Ricardo Lazarini tem certa razão em suas afirmações, na medida em Nelon Motta hoje se considera acima da média e, por isso mesmo, no direito de fazer declarações desse tipo.
    Tem razão também ao afirmar que essas declarações são feitas baseadas em seu (do Nelson) gosto pessoal.
    Por outro lado, em minha opinião, que mudou radidcalmente foi o perfil do consumidor de músicas, em geral.
    O gosto do brasileiro médio mudou.
    A grande maioria dos “sucessos” é de músicas de baixa qualidade.
    Mas é isso o que vende, à exemplo de programas de rádio e TV, hoje em dia.
    Há alguns anos, em entrevista, perguntaram ao apresentador Ratinho porque ele fazia programas de tão baixa qualidade.
    A resposta(literalmente)foi :
    “Faço m… porque m… vende”.
    Temos sim músicos de excelente qualidade, mas que infelizmente não aparecem nas “paradas de sucesso” por várias razões

  9. Markut disse:

    Concordo plenamente com o Nelson Motta. Aliás, essa marketização da música não é só problema nosso.
    Na verdade, hoje, a banalização da música é uma decorrência da agressiva comercialização e massificação, em que a “linha de produção” é o que prevalece.
    Muito sintomática é a expressão “baixar’ uma música e que o bom é poder “baixar ” 500 ou 5000 ou 50000 músicas(?). O que é isso senão a massificação da porcaria?
    Do outro lado, do consumidor, vemos uma massa totalmente anestesiada pelas angústias de problemas sociais mal resolvidos e que se refugia nesse suposto consolo, mas sem condições de separar o joio do trigo.
    Está claro que , a essa altura, a “boa” música,aquela que alcança com naturalidade a alma e a emoção do ouvinte não tem vez. E, para isso, não precisa ser, necessariamente, a música dita erudita.
    Veja-se o recente caso da Susan Boyle, que , ainda por fora da máquina troglodita da indústria musical, conseguiu emocionar aquela mesma platéia que urra quando esses energúmenos do show business musical se contorcem no palco, com suas roucas guitarras eletrônicas , ou quando uma menina, que se diz cantora, exibe,do modo mais cafageste possivel, mais do que os dons musicais, outros atributos físicos que nada têm a ver com a boa música.
    Quem sabe, o Nelson Motta está mesmo sendo o Dom Quixote, utópico, mas necessário, para tentar reverter esse lamentavel quadro do lixo que está sendo atirado na nossa direção.

  10. Luiz Cezar Marinho disse:

    Nelson Motta é um intelectual. E aí o mora o perigo. A maioria dos intelectuais se fecham em seus paradigmas. Suas verdades, seus argumentos. O que ele fala tem fundamento. As músicas que chegam aos seus ouvidos são ruins. Ou 90% destas. Chegam através de canais de Tv, rádios e cantores famosos. A música boa está no Myspace, nas turnês virtuais, no Youtube e videolog. Os compositores dessa geração não tem espaço na Folha de São Paulo ou no O Globo. E sim em pequenos sites de música, no marketing boca a boca e nos festivais micros que se estabelecem por todo o país. A música boa de hoje não sai da garagem e vai tocar no Vivo Rio ou no Morumbi. Ela fica em pequenos espaços e conquista fãs do país inteiro. A legião de fãs não pede pra tocar na rádio, porque a maioria dos fãs são jovens. E a maioria dos jovens não ouvem rádio. Eles Tem um podcast. Ouvem tudo pela web. E se gostam, baixam. Afinal, Deus inventou os artistas e os jovens, o download. E podem baixar música de todos eles. De cada canto do mundo.
    Nelson motta está absolutamente correto ao dizer que só tem ouvido música ruim. Ele deve ligar a tv no domingo.Ver as bandas que tem se apresentado nos programas de platéia. Ele deve ser convidado para ir ver a volta dos cantores que abalaram uma geração. Eles até voltam, mas o sucesso… Fico surpreso de ser 90%. Dessa forma, podia até ser mais. Nelson Motta mostra ser flexível. Mas então fica o convite para ele e todos os outros entrarem em sites de música jovem e perceberem o que se está produzindo nos dias de hoje. Nem você, nem o Nelson Motta vão se arrepender! Criem já o seu playlist e bom entretenimento!

  11. Sylvio Flores disse:

    Nelson Motta sempre foi produtor de boa musica.
    Eu acho que ele deveria dirijir sua critica aos marketeiros. E se perguntar o porque de nao mais ganhar dinheiro como ganhava produzindo antigamente. Lutando contra essas forcas que dominam a midia brasileira, ai sim ele seria um dom quixote.Eu conheco um musico com o maior talento, com uma producao que nunca atingiu a midia, que precisando ganhar a vida se dedicou a musica comercial. Nelson precisava ouvir a verdadeira obra de vinny Bonotto

  12. Carlos Lopes disse:

    Não existe época pior e melhor para música ou artes, existem pessoas diferentes e resultados diferentes.

  13. Aureliano Lopes disse:

    Ao ler principalmente a colocação de Antonio Carlos Miguel sobre a polêmica, me lembrei de uma fala do historiador Sérgio Cabral nos shows em homenagem à Carmen Miranda no CCBB: saudosistas dizem que seu tempo que foi bom porque naquele tempo eles eram jovens. Afirmar que 90% da música atual é ruim é uma posição parecida, pois há a suposição de que algum dia grande parcela da música foi boa. Veja-se o preconceito que já houve com o samba e o quanto ele é exaltado hoje em dia. Veja-se quantas cantoras pop foram vistas como descartáveis anteriormente e hoje são tomadas como referência da própria música pop. Música existe para todos os gostos e estamos em uma indústria que prioriza sim o que é de fácil assimilação e cantores fantásticos não chegam ao grande público. Mas isso sempre aconteceu, não é um fenômeno novo; ele só foi atualizado segundo “nosso tempo”. Às vezes me parece muito mais uma questão geracional do que realmente musical.

  14. acm disse:

    Ha uns anos atras montei uma discoteca no meu pendrive para meu uso pessoal, usando todo o tipo de fonte disponivel (Internet, Radio, K7, CDs, LPs etc.) Para o folder “Pop Brasil”, selecionei 151 musicas q considerei boas.
    Como elas surgiram de 1930 a 2005, vi que, em media, apareceram duas musicas boas por ano. Ou seja, apenas duas musicas por ano resistiram ao tempo: o resto foi para o lixo.
    Logo os 90% de porcaria de Nelson Motta estao muito conservadores…
    Historia magistra vitae.

  15. Marcus Caffé disse:

    Caríssimos, sou Marcus Caffé intérprete cantor cearense com mais d 20 anos de vida profissional. Há uma série de observações à serem feitas sobre a “polêmica”. Nelson Motta certamente não é conhecedor do universo de canções oriundas de grupos de estudos, tlavez isso seja imposível dada a grande quantidade de grupos virtuais ou presenciais que se plamam em escolas inclusive. Considerar que boa a música fruto des eu gosto pessoal é considerá-lo um perfeito alienado, um profissional com seu gabarito não falaria assim levianamente, porém, se conhecer o contexto da pergunta e da resposta é fácil uma conclusão igualmewnte parcial. O que importa considerar é que Nelson Motta convive com o meio da produção musical profissional, não haveria exagero ou parcialidade em dizer que um fração grande da produção seja descartável por lhe faltar elementos fundamentais para o bom encaminhamento de uma obra musical como veículo de comunicação. O conteúdo do que se vai informar está sujeito à regras sim…Como tudo ao nosso redor necessita de bom senso a música não seria o resultado de um ato atônito, um refluxo estomacal…isso sim seria pessoal, cheio de indícios, mas inútil…
    Música não é exercício profissional de todos, me perdoem os ramânticos (amadores), música é resultante de um trabalho exaustivo que pode originar-se até de um refluxo estomacal mas à partir dele e não somente ele. Há conteúdo e forma à se pensar, projetar, escolher, finalizar..Há estudo muito, há talento raro para se fazer música; tirar um som é outra coisa e nao cabe nessa discussão, penso eu.

  16. Leo de Abreu disse:

    Nelson Motta tem participação importante na história da música brasileira, desde o tempo em que ainda era uma espécie de Forrest Gump do meio artístico, sempre presente e bem posicionado nos eventos marcantes dessa história.

    Realmente, graças ao tempo e recursos investidos nessas participações, aliado ao seu senso de oportunidade, montou um arquivo considerável, com que vem alimentando os livros que escreve. Além da intensa atuação testemunhal na música, chegou também a criar algumas letras de canções que, reforçadas por boas parcerias, vieram a se converter em clássicos da MPB.

    Toda essa bagagem, muito bem marqueteada ao longo dos anos, ajudou a consolidar a marca Nelson Motta, personalidade jurídica que hoje está associada, de forma indelével, ao show business brasileiro.

    Artistas em começo de carreira o procuram na esperança de obter o precioso apoio, gravadoras solicitam seus conselhos para a formação de seus “casts”, a mídia pesada frequentemente o consulta sobre esse ou aquele movimento musical…

    No entanto, tudo isso não lhe fornece credenciais suficientes para vaticinar que 90% da música feita hoje no Brasil é porcaria, ou lixo.

    Primeiramente, porque NM não conhece boa parte do que é produzido hoje no Brasil, pois basta ver a quantidade de jovens compositores que lhe enviam material para avaliação sem obter qualquer retorno. Nem ao menos de que esse material tenha chegado às suas mãos.

    E os inúmeros shows de artistas consagrados por seu público, muitos já com boa bagagem musical, que acontecem todos os dias, e que nunca tiveram o privilégio de ter NM em sua platéia? E olha que tem muita gente boa por aí, que ele não pode ter a ousadia de ignorar…

    E as centenas de gravadoras independentes que, incansáveis, lutam bravamente para lançar seus artistas de talento comprovado por uma audiência fiel e crescente, infelizmente só não em maior escala justamente devido aos bloqueios provocados pelos representantes das “majors”?

    Aliás, era assim que se costumava chamar as grandes gravadoras em seus bons tempos, antes de começarem a ter suas entranhas ferozmente devoradas pelo mercado livre da internet…

    Mas seu estiver absolutamente equivocado (não creio, pois também tenho meus arquivos…), resta o consolo de podermos desfrutar dos 10% restantes, que, felizmente, congregam uma imensa legião de gente talentosa e produtiva, cuja maioria, entretanto, provavelmente jamais terá a “honra” de tocar os ouvidos do nosso honorável especialista.

    Abraços,

    Leo

  17. Paola Oliveira disse:

    Nelson Motta tem toda razão na sua assertiva, mas na verdade as emissoras de rádio tocam aquilo que o povo quer ouvir. Apesar de concordar com Nelson, acredito também que a culpa da decadência da música popular brasileira é também da população que opta por esses estilos musicais atuais.

  18. Adroaldo Bauer Corrêa disse:

    Quem seria Nélson Mota, hojer em dia.
    Que estupidez uma generalização tamanha.
    Onde ele escutou tudo o que se produz, se onde ele tabalha só reproduzem o que interessa à dominação e ao selo som livre.
    1984 sempre em voga, se é livre, tem escravidão.
    Uma vez, no milênio passado, Esse senhor já acompamnhou um pouco mais da cena de produção musical… com menos acidez e bilis.
    Luz pra ele também.

    Adroaldo Bauer

  19. Vuldembergue Faris disse:

    Dizer uma asneira dessas é no mínimo ser desinformdo. É o escutador de apenas uma ou duas rádios, nas quais se alicerça para afrmar beteira. Além do mais, o Nelson deveria anotar quu 90% da múica boa não está nas rádios comerciais, mas na produção independente que sequer chega aos ouvidos da população atrves das rádios em virtude do jabá.
    Nelson, se dê ao trabalho de escutar as mais de 8.000 músicas do site http://www.clubecaiubi.ning.com e para de dizer bobagem.

  20. Milton da Silva Machado(NOTLIM) disse:

    Por mais respeito que Nelson Motta merece como Critico e Produtor Musical, de onde ele tirou esses números? Ou será que foi gosto pessoal? tem muitos músicos anônimos e talentosos por aí. Acho que ele devia pesquisar mais antes de sair atirando bobagens por aí.

  21. kleuber garcez disse:

    ele nao deixa de ter razao, porém alguma coisa aconteceu desde que o jabá afastou a boa musica do publico comum. Um musico que tem como referencia a tv e as fms está condenado a mesmice.
    mas tem muita coisa boa por ai

  22. Helio disse:

    Os entrevistados mostram que Nelson Motta tem razão e que Dapiève acerta principalmente quando diz que “que a maior parte da música não é boa mesmo, como em quase qualquer tempo e quase qualquer lugar”. Se, como diz J. Borges, a internet se abriu para tantos, 10% de boa música é bastante. AC Miguel tem a expressão correta para este percentual: “já é um feito notável”. Convenhamos que é difícil, senão impossível, criticar o que não ouvimos. Este é o caso de muitos artistas anônimos de qualidade que segundo Jamari só se interessam pela sua arte, e não por comercializá-la, ou quando diz que só aparece o músico que paga caro. Isto é realmente uma pena. Mas querer que Nelson Motta, ótimo crítico e grande conhecedor da música brasileira, ouça o não publicado é esperar demais dele, no mínimo que seja Deus.

  23. Antonio Uchoa Neto disse:

    se ele toma como parâmetro a programação radiofônica, concordo em gênero, número e grau…mas há muita música de qualidade sendo feito nesse instante no Brasil, apenas não chega ao conhecimento do público, e, por incrível que pareça, dos assim chamados formadores de opinião…

  24. Alexandre disse:

    Não sei se 90% das músicas é um número correto, mas que tem muita música ruim , isso tem. Tem também músicas boas que não são conhecidas do grande público.

  25. renato vasconcellos disse:

    Pelo que escuto ùltimamente acho que o percentual de Nelson procede, a não ser que tenha coisas que eu não esteja escutando. Claro que sempre existem as exceções, mas que a maioria é uma porcaria, isto é verdade.

  26. MARCOS BICALHO disse:

    Nelson Motta diz que dez por cento da música brasileira é excelente.Tudo no mundo é assim. Que bom. Dez por cento do povo brasileiro ganha bem; dez por cento lê livros; dez por cento das pessoas em todas as profissões fazem sucesso. Ótimo. Eu, se músico fosse, me incluiria nos dez por cento das músicas boas. Ele não citou nomes.

  27. Monika Mendonça disse:

    Tenho 54 sou da geração boom de boa música e qcho que Nelson Motta deveria andar um pouco por ai e se atualizar, pois o que tenho visto nas minhas noites é um outro booooom enorme de boa musica chegando, acontecendo rápido e com uma qualidade tão grande ou maior ainda que a geração 60/70 são jovens, são compositores, musicos e da melhor qualidade, portanto alguém do conhecimento e do acesso a midia como Nelson poderia ser mais atuante na ajuda desses novos talentos a chegarem mais rápido a midia radiofonica e televisiva e não se restringir a se sentar e ficar na posição crítica…saia e conheça, eu conheço e sei o que digo! tem coisa genial acontecendo…é estupendo!

  28. Thiago Monteiro disse:

    Nenhum tema é tão apaixonante para o ser humano como a música – assim nos asseverou Erasmo de Rotterdam quando disse: O amor ensina música. É natural que tenhamos diferentes opiniões, seja sobre esta ou aquela melodia, uma letra fútil ou uma de maior rebuscamento poético, um arranjo simples e direto a um grotesco e complexo, uma performance exageradamente festiva de outra mais concentrada e interpretativa, a música pseudo-original com sua miscibilidade rítmica da “batida perfeita” ou aquele velho e bom original, enfim… o importante é o valor sinestésico que ela possa nos trazer, que a música possa se moldar ao nosso mundo, e não que sejamos senhor dela, de sua evolução e difusão. É no mínimo idiossincrásico tratar com tanta objetividade algo abstrato como a música. Outros já tentaram e fadaram a permanecer solitários com suas opiniões, – muitas vezes radicais – no claustro de seus gostos próprios e paradigmas – assim como ocorreu com o Dr. Bacamarte por conta do seu singular conceito de loucura (O Alienista, Machado de Assis). Dessa forma o que tenho a dizer é que pra mim no reino da subjetividade só viga a alienada soberba, e sem mais vou ouvir Raulzito.

  29. CELSO RODRIGO BRANICIO disse:

    O comentário feito pelo Nelson Motta está totalmente correto se formos de fato analisar o que é tocado nas rádios hoje em dia, principalmente nas FM. Algumas rádios chegam ao cúmulo de escolher apenas 20 músicas e ficar o dia todo tocando apenas estas músicas, como se fossemos um bando de ignorantes sem cultura, ou seja, é um mercado restrito e como foi falado depende mais de quem tem mais dinheiro para fazer seu marketing e aí a qualidade fica em segundo plano, toca o que as gravadoras querem que seja tocado e quase sempre dão valor maior para as músicas de fácil aceitação pública.

    Quando fui músico num banda marcial me lembro bem que nossa banda marcial arrasava nas apresentações em públicos nos desfiles, porém, nos concursos tínhamos notas baixas até que trocamos nosso repertório por músicas clássicas, aí nossas notas saltaram substancialmente, pois os jurados valoriza a execução de boas músicas devido ao alto grau exigido na execução.

    Não acredito que o Brasil tenha apenas 10% de músicas boas, na verdade isto foi mais uma provocação dele, agora se formos analisar o que se toca nas rádios aí sim até acredito nesta tese e em alguns momentos este percentual pode ser até maior, sem contar que as músicas tocadas são em sua maioria estrangeiras e boa parte das nacionais se restringe mais as sertanejas, mais tocas nas rádios AM.

    Nos shows, internet e outras mídias as músicas boas são mais valorizadas e tocadas, então a meu ver ele apenas quis provocar e cutucar a ferida para que possamos de fato discutirmos a realidade do mundo artístico no que tange a música, temos uma população com um sistema de educação falho e que gera muitos analfabetos funcionais e isto reflete também na questão cultural e a maneira como as rádios estão trabalhando só vem a agravar esta situação, quando na verdade deveria estar tentando reverter o sistema, mas num mundo capitalista como o nosso o dinheiro fala mais alto do que a valorização da cultura e da boa música.

    Nós como cidadãos conscientes temos de lutar para tentar reverter esta situação, é muito triste vermos de fato bons conjuntos e intérpretes com vozes lindas se perderem por não encontrar espaço neste mercado restrito ou ficarem presos a um pequeno grupo de admiradores, o que é bom deveria a priori ser valorizado. Acredito que para a cultura musical brasileira evoluir e manter o nível técnico que conseguiu atingir principalmente no passado, é necessário uma revolução e uma inversão no sistema atual, caso contrário estamos fadados a desestimular os grandes talentos que sempre brotam em nosso país na área musical e isto é ruim para a cultura e péssimo para o país.

    Celso Rodrigo Branicio – Barretos-SP

  30. João Cândido da Silva Neto disse:

    Nelson Motta até que foi generoso ao citar o índice de apenas 90% de lixo. Há dez anos deixei de ter televisão e rádio em minha casa para poupar meus ouvidos e cérebro da imundície de que se ocupam esses dois veículos. Tenho 56 anos e vivi aquilo que de melhor se produziu no Brasil e no mundo no campo da música. É lamentável que as gerações mergulhem tão fundo no mau gosto musical; as gravadoras e emissoras só divulguem porcarias a troco de “jabá” ou sob qualquer ótica: e se chame a isso de Cultura Musical Brasileira. Viajando pelo País percebe-se o quanto o povo vive atrelado à mídia. O lixo já se generalizou ocupando todos os espaços. Se existe boa música no Brasil está na hora de mostrá-la. Eu adoraria ver e ouvir.

  31. ROSANGELA FRIEDRICH CAMARA disse:

    Muito me admira que esta afirmação venha de Nelson Motta, pois sabemos que a qualidade da música brasileira, não está restrita ao que ouvimos nas rádios e programas de TV. Ele como profissional da área, deve ter acesso a outros meios, onde se encontra música boa e de qualidade indiscutíveis.
    O que não podemos negar é que, como em tudo, acontece uma evolução de padrões, interpretações e gostos, se compararmos a música de hoje, e aqui não me refiro a grupos, cantores e artistas “fabricados”, com o que vivemos musicalmente no passado, o senso crítico tanto de quem compõe como de quem ouve a verdadeira música brasileira, se repete. Os críticos musicais, os formadores de opinião, “puxam” para o seu lado o que lhes interessa. Se interessava ao Nelson Motta emitir este tipo de opinião, seja por convicção ou para gera polêmica, uma coisa ele conseguiu: chamar a atenção sobre sí, a ponto de nos fazer discutir sobre sua afirmação.
    Quanto ao exposto pelos entrevistados, Júlio Dário Borges concordo quando diz que Motta está generalizando, assim como concordo com Oliver Bastos, quando diz que algumas bandas que já tem seu público, preferem fazer shows e vender seu Cds e DVDs a preços acessíveis.
    Quanto ao Jamari, desabafo ou provocação neste nível, não condizem com uma pessoa do gabarito de Nelson Motta, além do além de usar uma estatística inverídica (90% da música brasileira seria uma “porcaria”), ele deve saber como “funciona” o trabalho de colocar uma determinada música para tocar.
    É como diz Osmar Ricardo Lazzarini: “Ele considera lixo tudo que não é do seu gosto pessoal” e Arthur Dapieve com quem também concordo, quando diz que “apenas 10% da música brasileira não seja porcaria”. E continuo a defender a tese de que esta e as demais declarações, nada mais foram do que uma estratégia de marketing pessoal.
    Quanto a opinião de Antônio Carlos Miguel, a afirmação de que “às vezes só lembramos de coisas boas do passado”, não levando em conta o que foi deixado de lado, me parece um pouco “em cima do muro” e são estes e outros críticos, que deveriam fazer o trabalho do passarinho tentando apagar o incêndio da floresta, que deveriam fazer a sua parte.

  32. Francine Santos disse:

    Nelson Motta, parabéns pelo seu passado! Você já pensou em se aposentar?

  33. Patrícia Mello disse:

    Acredito que Nelson Motta anda muito relapso em suas audições, é uma lástima uma personalidade como ele dar um depoimento tão absurdo e vazio como esse. O que vc anda ouvindo Sr.Motta? “Vá as ruas”, ouça as produções que não tocam nessas rádios populescas que vc deve estar ouvindo e se baseando para sua afirmativa!! Não é preciso ser um especialista para saber que o melhor da música brasileira está fora dessas rádios… tire um tempinho e dê uma passada no Myspace, Clube Caubí de Compositores, Jazz and Bossa, Palco MP3 e tantas outras redes sociais que vc vai ter uma bela surpresa em ouvir muita música brasileira de qualidade!!!!

  34. Ednamay Cirilo Leite disse:

    Nelsinho não consegue expor seu bom gosto musical sem correr o risco de perder a mamata que sustenta seu ganha pão, daí coitado, perdeu a credibilidade entre os bons músicos.

  35. Benedito Lacerda disse:

    Não simpatizo com Nelsinho Motta, que considero um marketeiro aproveitador. Mas neste caso concordo com ele. Tivemos a música criada por João Gilberto e Tom Jobim que foi considerada internacionalmente a melhor do mundo. Tivemos a geração que veio depois, com Chico, Edu, Caetano, Gil e Milton que ainda fez grande música. Depois disso, o lixo mesmo.

    Cada um que escreve aqui na linha do “você precisa conhecer a minha turma” está falando bobagem.

  36. Acacio Brasil disse:

    Puxa vida, Benedito, você não devia ser tão radical.

  37. MPBobo disse:

    Acho que 90% do que o Nelson fala é porcaria…

  38. Ari Jorge disse:

    Bem,concordo se for com relação ao que ouvimos na midia, agora uma pessoa bem informada como ele deveria separar essas situações. Para quem não conhece, pesquise e verá que temos mais Tom Jobim, Caetano, Noel Rosa, Djavan e muitos outros que só não tiveram a oportunidade desses maquinificos da MPB.

  39. Luciana disse:

    Acho que 90% das musicas mais tocadas nas radios e divulgadas na midia são realmente ruins. Gostaria que pessoas com influencia fizessem algo para divulgar a musica boa que não conhemos

  40. J. Magno disse:

    Na verdade não quero dar uma opinião, e sim, fazer uma pergunta.
    é verda que funcionava nas rádios a obrigatoriedade de tocar música Brasileira numa menor porcentagem que as estrangeira na época da ditadura no Brasil?
    agradeço J. Magno