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Dias de folia (Fonte: Reprodução/Revista Quem)
Cultura popular

O Carnaval no Brasil

O Carnaval chegou ao Brasil em meados do século XVII, no início da colonização, com o chamado Entrudo

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O Carnaval chegou ao Brasil em meados do século XVII, no início da colonização, com o chamado Entrudo — palavra que vem do latim introitus e que designa as solenidades litúrgicas da Quaresma — por influência dos colonizadores portugueses das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde.

O Entrudo, festejado até a Primeira República, nada tinha a ver com o Carnaval de hoje, a não ser pelo seu caráter popular. Consistia em algumas brincadeiras de mau gosto, como lançar, sobre os outros foliões, baldes de água, esguichos de bisnagas e limões-de-cheiro – feitos ambos de cera –, pó de cal — que poderia até cegar as pessoas atingidas -, vinagre, groselha ou vinho e até outros líquidos que estragavam, sujavam ou tornavam mal-cheirosas as roupas dos foliões. Essas brincadeiras, apesar da sua estupidez, eram toleradas e até bem vistas pelo imperador Pedro II. A nobreza chegou a aderir, tornando o Entrudo uma festa que acontecia não só nas ruas como na Quinta da Boa Vista e em seus jardins.

Entre 1870 e 1890, o Entrudo foi sendo substituído pelos bailes em clubes e desfiles nas ruas, com fantasias inspiradas em modelos europeus e as alegorias importadas da Itália. Seu desaparecimento foi gradativo, pois nem todos os foliões tinham posses para frequentar os bailes dos clubes, que eram pagos e feitos em teatros. A partir desse momento as festividades começaram a ser divididas em dois tipos distintos de comemoração: uma feita pelas classes mais ricas nos bailes de salão, nas batalhas de flores, nos corsos e desfiles de carros alegóricos; outra feita pelas classes mais pobres, nos maracatus, cordões, blocos, ranchos, frevos, troças, afoxés e, finalmente, em 1928, quando surgiu a Estácio de Sá, a primeira escola de samba, que ganhou esse nome por ser uma escola que ensinava samba.

Para Rosane Figueiredo, falar sobre o carnaval não é uma tarefa difícil, afinal desde 1960 ela participa de desfiles e blocos de rua. “O Carnaval de antigamente era para o povo, famílias inteiras participavam dos blocos, ranchos, havia coretos em praticamente todos os bairros com bandinhas tocando as marchinhas e todo mundo, de criança a idosos, podia participar da folia, pois gastava-se pouco dinheiro e havia muita alegria e respeito; e lógico, não existia essa violência, no máximo eram batedores de carteiras”, conta.

Hoje, diversos fatores colaboram para que muita coisa seja diferente de anos atrás, na opinião de Rosane. A violência e o custo alto pela diversão são os principais aspectos, segundo ela, que acredita que o antigo carnaval tinha muito mais vantagens e divertimento. “Eu prefiro o Carnaval de antigamente. Embora ainda desfile pela Portela, tenho certeza que a maioria dos portelenses e do povão em geral não podem assistir ao desfile de sua escola de samba, pois não têm como pagar os preços exorbitantes cobrados. Também não podem desfilar, pois o carnaval agora se resume em artistas e personalidades querendo aparecer e o verdadeiro folião fica em casa assistindo pela TV, ou em cima do viaduto vendo de longe sua escola preferida passar”, diz Rosane.

Além dos ingressos, alguns foliões ficam limitados a não participar do Carnaval devido ao custo alto das fantasias, que quanto mais bonitas e luxuosas mais caras podem custar.

 

 

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  1. Bete Bissoli disse:

    COMPLÔ DE MULHERES

    (Publicada em 07/02/2009, ano em que se comemora o centenário de nascimento
    de Carmen Miranda, a Pequena Notável)

    Bete Bissoli

    Até hoje, dois anos depois de a marchinha carnavalesca “Pra Carmen”, feita em homenagem a Carmen Miranda, ter sido premiada no concurso da Fundição Progresso/Programa “Fantástico” (Rede Globo), no Rio de Janeiro, muitas pessoas me perguntam de que forma, quando e onde a música foi feita. Como estamos no mês do carnaval e nesta segunda-feira, 9, se comemora o centenário de nascimento de Carmen (ela nasceu em 1909), vou falar um pouco mais sobre essa marchinha. Omito detalhes para não abusar do espaço que tão gentilmente me foi cedido e pelo qual carinhosamente agradeço.
    Bem, cada música, além de contar uma história, tem sua própria história. “Pra Carmen” percorreu um longo caminho até chegar ao concurso e ganhar o Troféu Chiquinha Gonzaga e sinto que houve mesmo uma conjunção totalmente favorável para que isso acontecesse.
    O começo do caminho foi em janeiro de 99, quando fiz a marchinha para ser apresentada no espaço cultural da Caixa Econômica Federal, em São Paulo, pelos cantores Sandra Pereira e Moacyr Santos. A Caixa inaugurava uma exposição de pertences da cantora, atriz e comediante Carmen Miranda, em homenagem aos 44 anos de sua morte. Na platéia, a presença de Aurora Miranda, sua irmã.
    Iniciei a música na parte da manhã e à tarde estava pronta. Foi andando pelo quintal da casa de minha mãe que a letra começou a se esboçar. Conhecendo e admirando Carmen por meio de discos, filmes, conversas (principalmente com minha mãe) e tendo acompanhado a cantora Sandra Pereira em pesquisas que fez sobre roupas e adereços da Pequena Notável, fui rememorando e anotando tudo o que me passava pela cabeça: como era Carmen, sua graça, personalidade, criatividade, maneira de cantar, atuar, brincar no palco, se apresentar, se vestir, seu jeito de corpo, gestual, enfim, sua alma.
    Pensei no significado dessa grande estrela dentro do panorama musical e cinematográfico do Brasil e do mundo. O que pretendia era, em poucas palavras, “fotografá-la”. (Opa, o mote da canção estava dado!).
    Pensei muito também no quanto o talento e a alegria de Carmen contribuíram para amenizar os horrores causados pela Segunda Guerra Mundial, nos países em que ela se apresentou. Imaginei também sua chegada “pro lado de lá”, aquele lado para onde acredito que todos iremos um dia, e a imagem que me veio foi a de uma chegada clara, festiva e muito bonita. A chegada de uma estrela maior! (Opa, o fecho do tema poético seria isso mesmo: “estrelas dando passagem pra Carmen Miranda passar”).
    O tema melódico foi se delineando. Letra e melodia começaram a tomar forma, caminhar juntas e, claro, só podia ser uma marchinha carnavalesca! Tudo me levava a compor uma que Carmen pudesse perfeitamente incluir em seu repertório, uma bem ao estilo Carmen. Eu até a imaginei cantando minha música!
    À tarde, liguei para a cantora Sandra que, com Moacyr, fez o arranjo. No dia da apresentação, “Pra Carmen” foi cantada e, graças a Deus, agradou muito, inclusive a Aurora, irmã de Carmen.
    Um dia, em uma oportunidade em que Marília Pêra estava em São Paulo apresentando um musical com o repertório da Pequena Notável, deixei uma fita para entregarem a ela, mas nada rolou.
    Tempos depois, os autores Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa levaram seu musical “South American Way” para São Paulo. Era a vida de Carmen no teatro. Tentei fazer chegar até eles uma fita e, novamente, nada feito. Na época, eu trabalhava à noite, mesmo nos fins de semana, e não podia ir assistir à peça. O tempo foi passando e eu continuava acreditando naquela marchinha que fiz de todo coração.
    No final de 2006, quase oito anos depois de compor “Pra Carmen”, fiquei sabendo do concurso de marchinhas, no Rio de Janeiro. Inscrevi a música e quase caí de costas ao receber um telefonema da Fundição Progresso, criadora e realizadora do evento: das 1.200 inscritas, a minha fazia parte das 10 selecionadas. Em princípio, pensei que era um trote, mas era verdade mesmo.
    Passado o susto, a alegria foi imensa. Eu estava felicíssima por poder homenagear esse ícone maior da nossa música, que o mundo reverenciou, e também por estar na lista que contava com nomes como Eduardo Dussek e Homero Ferreira, autor de “Me Dá um Dinheiro Aí” e de outros compositores conhecidos, que vivem de perto o carnaval do Rio (meu Deus! Justo no Rio, o berço artístico de Carmen Miranda, o berço da marchinha carnavalesca?). Tudo isso significava, pra mim, um grande prêmio.
    Outro “susto-surpresa” me estava reservado. Minha música seria interpretada por quem? Respondo: por Soraya Ravenle, cantora e atriz de muitos musicais de sucesso, entre eles “South American Way”. Lembra que tentei passar a música para os autores da peça e não consegui? Pois é, coisas que o destino apronta com a gente… “Pra Carmen” seria cantada por Soraya Ravenle, que fizera o papel de Carmen no “South American Way”.
    Alegrias mais vieram, entre elas deixar registrado em CD da Som Livre meu tributo à artista que, em sua época, além de inventar a maneira feminina de cantar, foi inovadora, sob vários aspectos, e revolucionou tudo na forma de se apresentar no palco. Carmen foi vanguarda.
    Sentir que na minha querida cidade de São Pedro, as pessoas torciam por mim e muitas divulgavam a marchinha pela internet deu um astral muito alto e uma energia muito boa à música. A ajuda da família e dos amigos, tanto os de perto quanto os de longe, e de órgãos de comunicação, tanto os da cidade e região como os de outras grandes cidades, foi importantíssima.
    Bem, das 10 classificadas, apenas três teriam o videoclipe exibido no “Fantástico”, que transmitia o concurso em tempo real. A emissora já tinha, antecipadamente, gravado o vídeo das 10 e só esperava a decisão do júri oficial, que definiria as três que iriam ao ar. Quando André Luiz Azevedo, repórter do “Fantástico”, anunciou “Pra Carmen” como uma das escolhidas para disputar o Troféu Chiquinha Gonzaga foi uma festa pra mim e minha irmã, que me acompanhava no festival. Nossos telefones não paravam de tocar. Havia uma alegria geral dos familiares e amigos, todos querendo festejar comigo, todos comemorando, todos querendo estar no Rio de Janeiro comigo e eu querendo estar com eles.
    No fundo eu sentia que, se a música ficasse entre as três, quando o vídeo fosse ao ar, com a Soraya Ravenle caracterizada de Carmen Miranda, cantando um absurdo e arrebentando tudo na apresentação, o telespectador se envolveria mesmo. Aconteceu! Soraya, a Banda Fundição e o arranjador Bilinho Teixeira deram show de bola.
    Resultado: 49% dos votos foram para a marchinha “Pra Carmen”.
    No momento de anunciar a vencedora, o barulho nos bastidores, a confusão, a adrenalina e expectativa de todos – compositores, intérpretes, platéia e torcidas – impediam que se ouvisse o que quer que se dissesse no palco.
    Ao ouvir meu nome, pensei que era terceiro lugar (geralmente os festivais premiam as outras colocações para, por último, premiar a vencedora). Eu, que já estava felicíssima com isso, de repente fui praticamente empurrada para o palco sem saber qual era a colocação de “Pra Carmen”. Entrei, achando que os outros dois finalistas também estavam vindo, mas, de repente, senti que estava sozinha. Nesse momento fiquei entre o não entender nada e o sacar que minha marchinha era primeiro lugar, mas tive medo de comemorar sem uma certeza absoluta. O medo de dar um fora e pagar um mico em rede nacional foi enorme. A certeza absoluta só veio quando Soraya entrou no palco para comemorarmos a vitória. O esperado, desejado, mas inacreditável, estava ali: “Pra Carmen” foi a vencedora, o que prova que Carmen Miranda ainda é uma referência, continua encantando e está mais viva do que nunca.
    Fiquei superemocionada, feliz, agradecida a Deus por esse presente e não conseguia acreditar, mas, depois, foi a maior alegria e fizemos o maior carnaval. É interessante como, em momentos como esse, a ficha demora a cair! Tive muitos carnavais felizes na minha vida, mas, certamente, esse é inesquecível!
    Outra alegria enorme foi receber o Troféu Chiquinha Gonzaga.
    Chiquinha, maestrina, uma compositora e pianista das mais significativas na história da música brasileira e autora da marcha-rancho “Ó Abre Alas”, a primeira a ser feita especialmente para Carnaval, é uma das figuras que mais admiro, tanto pelo seu talento quanto por sua personalidade. Receber um troféu com seu nome foi pra mim uma alegria imensa e um grande prêmio por tantos anos de luta dentro da música. Pelo que já ralei, ralo e ralarei sempre, foi um bálsamo. Eu amo fazer música. Compor, pra mim, é respirar.
    Para não ser injusta, volto a falar de outra grande artista à qual me refiro no começo do texto: Aurora Miranda, irmã de Carmen. Acho que também ela, que ouviu “Pra Carmen” em primeira audição, em 1999, sete anos antes de falecer, teve um pouquinho de responsabilidade nessa história toda. Deve ter “soprado” alguma coisa pra Carmen… Isso tudo me leva à reflexão de que cada coisa tem seu tempo dentro da vida da gente, e, assim como tudo o mais, cada música também tem sua hora. O momento de “Pra Carmen” era aquele!
    Carmen, Aurora, Chiquinha, Sandra, Soraya… Ter meu nome ao lado dos nomes dessas mulheres tão talentosas e maravilhosas me recompensa, me deixa honradíssima e até me faz parar para pensar: opa, mas isso tem cara de complô feminino… Ou seria mesmo uma cumplicidade cósmica?

    Bete Bissoli é jornalista e compositora.

  2. Bete Bissoli disse:

    A história pelas marchinhas
    Publicado por admin em 19/02/2010 (859 )
    Nem só de confete, serpentina, cordões, vermute e lança-perfume eram feitos nossos antigos carnavais. Claro que sem música não há carnaval! O samba, DNA musical do Brasil, o frevo, o maracatu e outros ritmos regionais sempre nos representaram muito bem, mas as marchinhas… Ah! As marchinhas! Elas foram peças fundamentais da festa!!! Mais que isso, fixaram-se no inconsciente coletivo do nosso povo mais que qualquer outro ritmo.

    Elas chegaram ao Brasil no início do século passado, trazidas pelos portugueses, e se caracterizam pela mistura da marcha portuguesa com ritmos norte-americanos. O talento, a criatividade e malícia de nossos compositores se encarregaram de fazer o resto e, na década de 30, o gênero se consolidou.
    Pra saber muito da história do Brasil, de política, políticos e de usos e costumes de 1920 até pelo menos 1960 é imprescindível ouvir marchinhas carnavalescas.

    Poeticamente falando, é principalmente nesse repertório irônico, engraçado, espirituoso, mordaz, escrachado, esculhambador e implacável que está gravada a nossa história de pelo menos cinco décadas.
    Mesmo tendo o Rio de Janeiro como berço, elas escreveram a crônica do dia-a-dia do brasileiro, foi delas a primazia de refletir uma época importantíssima e são elas que, na maior simplicidade, nos oferecem um grande aprendizado. Além de serem gostosíssimas de ouvir e de dançar.

    Enquanto ritmo dançante, a marchinha carnavalesca é superdemocrática. Todos têm o direito de dançá-la, pois não é necessário saber dançar!

    Não se aprende a dançar marchinha. Não é preciso… Cada um se expressa como quer, como sabe, como não sabe, como inventa! Pra dançar samba, frevo, tango ou qualquer outro gênero musical há que se aprender passos, movimentos, convenções. Na marchinha não… Basta fazer uso do espontâneo, mais nada. Pensando bem… Será por isso que a marchinha andou meio fora de circulação nos últimos tempos? Será que perdemos a simplicidade, a espontaneidade?

    Não, não fiquem tristes: a marchinha carnavalesca tá voltando com força total e há um número expressivo de jovens, tanto em grandes como em pequenas cidades, que procura e curte os ambientes em que o gênero tem destaque.

    Vai ver estamos recuperando o espontâneo e retomando a alegria perdida. Além do mais, o carnaval é uma festa tão democrática! Por que não abrir espaço para as marchinhas carnavalescas tanto quanto se abre para outras vertentes de nossa música popular como o samba, axé music, samba-reggae, etc?

    Quem não se lembra, e quem não gosta, de “Mamãe Eu Quero” (Vicente Paiva/Jararaca); “A Jardineira” (Benedito Lacerda/Humberto Porto); “Pó de Mico” (Dora Lopes/Renato Araujo/A. Souza); “Me Dá Um Dinheiro Aí” (Homero Ferreira/Ivan Glauco); “Fantasia de Toalha” (Sacomani/Arrelia/Ercílio Consoni); “Índio Quer Apito” (H. Lobo/Milton de Oliveira); “Roubaram a Mulher do Rui” (José Messias); “Vai com Jeito” (João de Barro); “Transplante Corintiano” (Manoel Ferreira/Ruth Amaral/Gentil Júnior); “Joga a Chave Meu Amor” (J. R. Kelly/J. Rui)?

    Quem não brincou velhos e novos carnavais ao som de “Máscara Negra” (Pereira Matos/Zé Kéti); “Aurora” (Mário Lago/Roberto Riberti); “A Lua É dos Namorados” (Cavalcanti/Klécius Caldas/Brasinha); “Cachaça” (Mirabeau/L. de Castro/H. Lobato); “Turma do Funil” (Mirabeau/Milton de Oliveira/Urgel de Castro); “Me Dá um Gelinho” (Manoel Ferreira/Ruth Amaral) “Cabeleira do Zezé” (João R. Kelly/Roberto Faissal); “Alá-lá-ô” (Nássara/H. Lobo) e “Taí”, de Joubert de Carvalho?

    O amor, o preconceito, a traição, as louras, morenas e mulatas, nomes de mulher, homenagens, profissões, falta de água, luz, tudo enfim que fez ou faz parte do nosso cotidiano já foi abordado à exaustão nas marchinhas, mas sempre mantendo a originalidade, simplicidade, graça e criatividade. Daí o encanto de suas letras.

    Foi pensando nisso que selecionei algumas, entre milhares, e convido você para, juntos, observarmos o recado poético que elas nos mandam. Então, vamos lá?

    A primeira marcha feita especialmente para carnaval foi “Ó Abre Alas”, uma marcha-rancho de Chiquinha Gonzaga, encomendada pelos foliões do Cordão Rosa de Ouro, em 1899. Essa música é importantíssima, pois antecipou em vinte anos a fixação desse gênero musical no Brasil: “Ó abre-alas que eu quero passar/Eu sou da Lira, não posso negar/Ó abre alas que eu quero passar/Rosa de Ouro é quem vai ganhar”.

    O triângulo amoroso Colombina, Pierrô e Arlequim foi retratado por Noel Rosa e Heitor dos Prazeres com extraordinária veia humorística em “Pierrô Apaixonado”: “Um Pierrô apaixonado/Que vivia só cantando/Por causa de uma Colombina/Acabou chorando, acabou chorando!/A Colombina entrou no botequim/Bebeu, bebeu, saiu assim, assim/Dizendo: ‘Pierrô cacete! Vai tomar sorvete com o Arlequim!’/Um grande amor tem sempre um triste fim/Com o Pierrô aconteceu assim/Levando este grande chute/Foi tomar vermute com amendoim”.

    As questões habitacionais sempre foram ótimo tema a ser enfocado por nossos compositores, como na espirituosa “Marcha do Caracol”, de Peter Pan/Afonso Teixeira: “Há quanto tempo não tenho onde morar/Se é chuva apanho chuva/Se é sol apanho sol/Francamente, pra viver nessa agonia/ Eu preferia ter nascido caracol/Levava a minha casa nas costas muito bem/Não pagava aluguel nem luvas a ninguém!/Morava um dia aqui, um outro acolá/Leblon, Copacabana, Madureira ou Irajá!”

    “Pedreiro Waldemar”, de Roberto Martins/Wilson Batista, aborda o tema pelo lado do protesto social: “Você conhece o pedreiro Waldemar?/Não conhece, mas eu vou lhe apresentar/De madrugada toma o trem da circular/Faz tanta casa e não tem casa pra morar/Leva a marmita embrulhada no jornal/Se tem almoço, nem sempre tem jantar/O Waldemar, que é mestre no ofício/Constrói o edifício e depois não pode entrar”.

    “Maria Candelária”, de Klécius Caldas/Armando Cavalcanti, satiriza funcionários públicos de alto escalão, hoje chamados de funcionários que têm QI (quem indica): “Maria Candelária é alta funcionária/Saltou de pára-quedas, caiu na letra ó, ó, ó, ó, ó!/Começa ao meio-dia/Coitada da Maria!/Trabalha, trabalha/Trabalha de fazer dó, ó, ó, ó, ó!/À uma, vai ao dentista/Às duas, vai ao café/Às três, vai à modista/Às quatro, assina o ponto e dá no pé!/Que grande vigarista que ela é!…”.

    Depois de anos de ditadura, tempo em que era obrigatório pôr a foto do líder da nação na parede de todas as repartições públicas, em 1945 Getúlio Vargas foi deposto. As fotografias foram retiradas das paredes. Em 50, ele candidatou-se à presidência e venceu as eleições. As fotos voltaram aos seus lugares, daí o “Retrato do Velho”, de Haroldo Lobo/Marino Pinto: “Bota o retrato do velho outra vez/Bota no mesmo lugar/O sorriso do velhinho/Faz a gente trabalhar, oi!/Eu já botei o meu/E tu não vais botar?/Já enfeitei o meu/E tu vais enfeitar?/O sorriso do velhinho/Faz a gente se animar, oi!”

    Já que estamos tratando de crítica política, vamos agora a uma marchinha que fala dos bajuladores e tem tudo a ver com o assunto: “Cordão dos Puxa-Sacos”, de Frazão e Roberto Martins, que diz: “Lá vem o cordão dos puxa-sacos, dando vivas aos seus maiorais/Quem está na frente é passado pra trás/E o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais/Vossa Excelência, Vossa Eminência/Quanta reverência nos cordões eleitorais/Mas se o doutor cai do galho e vai ao chão/A turma toda ‘evolui’ de opinião/E o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais”.

    Não poderiam faltar na lista duas marchinhas que fizeram sucesso duas vezes, ao serem lançadas e, mais recentemente, quando foram temas de novelas da Rede Globo: “Sassaricando”, de Luiz Antônio/Zé Mario/Oldemar Magalhães, de sentido ambíguo, é uma delas: “Sá-sassaricando/Todo mundo leva a vida no arame/Sá-sassaricando/A viúva, o brotinho e a madame!/O velho, na porta da Colombo/É um assombro/Sassaricando/Quem não tem seu sassarico/Sassarica mesmo só/Porque sem sassaricar/Essa vida é um nó”.

    “Cadê Zazá?”, de Roberto Martins/Ari Monteiro, fala de uma “dispensada” rápida e fulminante: “Cadê Zazá, cadê Zazá?/Saiu dizendo: ‘Vou ali e volto já’/Mas não voltou… Por quê? Por que será?/Cadê Zazá, Zazá, Zazá?/Sem ela vou vender o bangalô/Que tem tudo mas não tem o seu amor/Sem ela, pra que serve geladeira?/Pra que ventilador?/Pergunto, ninguém diz onde ela está/ Cadê Zazá, Zazá, Zazá?”.

    “Maria Escandalosa”, composta por Klécius Caldas/Armando Cavalcanti, junta uma bem-humorada crítica comportamental com um quê de sensualidade: “Maria escandalosa/Desde criança sempre deu alteração/Na escola, não dava bola/Só aprendia o que não era da lição/Depois a Maria cresceu/Juízo que é bom encolheu/E a Maria escandalosa/É muito prosa, é mentirosa, mas é gostosa/Hoje ela não sabe nada/De história, de geografia/Mas seu corpo de sereia/Dá aulas de anatomia/Maria escandalosa/É muito prosa, é mentirosa, mas é gostosa”.

    O duplo sentido também é marca de “Diabo sem Rabo”, de Haroldo Lobo/M. de Oliveira: “A minha fantasia é de diabo/Só falta o rabo, só falta o rabo/Eu vou botar um anúncio no jornal:/Precisa-se de um rabo pra brincar no carnaval/Já comprei lança, carapuça, comprei tudo/Até o pé-de-pato e a capa de veludo/Mas, que diabo! Puxa, puxa, que diabo!/Depois de tudo pronto eu notei que falta o rabo”.

    “Papai Adão”, de Klécius Caldas/Cavalcanti, comenta de forma bem-humorada a supremacia feminina: “Papai Adão, papai Adão/ Papai Adão já foi o tal/Hoje é Eva quem manobra/E a culpada foi a cobra/Uma folha de parreira/Uma Eva sem juízo/Uma cobra traiçoeira/Lá se foi o paraíso/Hoje é Eva quem manobra/E a culpada foi a cobra”.

    Nas questões político-econômicas, nada melhor que um recado desaforado aos norte-americanos com “Yes! Nós Temos Bananas” (João de Barro/Alberto Ribeiro): “Yes! Nós temos bananas/Bananas pra dar e vender/Banana, menina, tem vitamina/Banana engorda e faz crescer/Vai para a França o café/Pois é!/Para o Japão o algodão/Pois não!/Pro mundo inteiro/”Home”ou mulher/Bananas para quem quiser”.
    Se o carnaval pode ser responsável por muitos amores desfeitos, ele também pode salvar grandes amores. Certamente ao som de “Bandeira Branca”, de Max Nunes/Laércio Alves, muitos casais ficaram de bem em um baile carnavalesco: “Bandeira branca, amor/Não posso mais/Pela saudade que me invade/Eu peço paz/Saudade, mal de amor, de amor/Saudade, dor que dói demais/Vem, meu amor/Bandeira branca, eu peço paz”.

    Para fechar esta série de marchinhas tão representativas dentro da história musical brasileira, nada melhor que o “Hino do Carnaval Brasileiro”, composto por Lamartine Babo: “Salve a morena! A cor morena do Brasil fagueiro/Salve o pandeiro! Que desce o morro pra fazer a marcação/São, são, são, são quinhentas mil morenas! Louras, cor de laranja, cem mil/Salve, salve, meu carnaval Brasil/Salve a lourinha! Dos olhos verdes cor da nossa mata/Salve a mulata! Cor do café, a nossa grande produção!/São, são, são, são quinhentas mil morenas/Louras, cor de laranja, cem mil/Salve, salve, meu carnaval Brasil!”.

    Bete Bissoli é jornalista, compositora e pesquisadora musical.

  3. Bete Bissoli disse:

    Tributo à marcha-rancho

    A história do carnaval através do gênero

    Música 29.06.2011 deixe aqui seu comentário

    Bete Bissoli

    A história do carnaval brasileiro começa em 1835, portanto 176 anos atrás. Os bailes de salão, na época, eram ao som de xote, polca, valsa, quadrilha, mazurca, charleston, enfim, ritmos europeus que, com o tempo, foram abrasileirados.

    Em 1907, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, aconteceu o primeiro corso, em luxuosas carruagens. Ali começava a se esboçar o modelo para o atual carnaval de rua no Brasil.

    É impossível falar dos festejos de Momo sem falar da compositora, pianista e maestrina carioca Chiquinha Gonzaga (1847/1935), e isso se justifica, pois ela compôs a primeira marcha carnavalesca, Ó Abre Alas, uma marcha-rancho feita em 1899, para o carnaval de 1900, especialmente para o cordão Rosa de Ouro, do Rio de Janeiro.

    Chiquinha foi a primeira mulher a se destacar na nossa música popular. Em 70 anos de atividade artística fez cerca de 2 mil canções, principalmente para as 77 peças teatrais que musicou, e “passeou” por todos os gêneros musicais com extrema competência e talento.

    Além de pioneira na produção carnavalesca, ela também é merecidamente considerada pioneira na emancipação feminina no Brasil, tendo sido a primeira mulher a reger uma orquestra em nosso país. Teve participação ativa no movimento pela libertação dos escravos, inclusive vendendo partituras de suas músicas, de porta em porta, para arrecadar dinheiro para a causa e, antecipando-se à Lei Áurea, chegou a comprar a liberdade de um escravo músico.

    Batalhadora incansável, teve grande desempenho na campanha pela Proclamação da República, e no campo artístico não deixou por menos: é uma das fundadoras da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), que se destina à proteção dos direitos autorais dos escritores.

    Foi ela também quem criou e encabeçou a campanha para arrecadar fundos para construir uma nova sepultura para Francisco Manuel da Silva, autor da melodia do Hino Nacional Brasileiro (a letra é de Joaquim Osório Duque Estrada).

    Chiquinha morreu na antevéspera do carnaval de 1935, aos 89 anos. Entre seus maiores sucessos estão Lua Branca, Corta-Jaca e Atraente sem contar naturalmente com Ó Abre Alas, música que se perpetuou, pois é mais que centenária (foi feita há 110 anos) e deu origem, alguns anos depois, à marchinha carnavalesca.

    A marcha-rancho tem o mesmo compasso binário da marchinha mas, diferentemente desta, seu andamento é mais lento, cadenciado, e a linha melódica é mais elaborada. Enquanto as marchinhas, via de regra, têm letras curtas, a letra da marcha-rancho geralmente é mais longa e os temas melódicos e poéticos são mais dolentes. Certamente é o mais lírico dos gêneros carnavalescos.

    A cantora e atriz Soraya Ravenle, intérprete de Pra Carmen, marchinha de minha autoria feita em homenagem a Carmen Miranda e campeã do concurso da Fundição Progresso/Fantástico (TV Globo), em 2007, participou como compositora no concurso do ano passado, com uma marcha-rancho intitulada Dançando o Mar. Vale a pena conferir a música no Youtube..

    Este ano, eu também estou “estreando” em termos de marcha-rancho: fiz uma com o título Palhaços do Amor, que tem como pano de fundo Colombina, Arlequim e Pierrô, o triângulo amoroso mais famoso e tema recorrente em músicas de carnaval. Para ouvir a minha música, clique aqui.

    Embalando paixões fulminantes, encontros, desencontros e reencontros, as marchas-rancho se eternizaram na memória e na alma do povo brasileiro. Vamos rever algumas delas, as consideradas obras-primas e clássicos do repertório carnavalesco.

    Ó Abre Alas (Chiquinha Gonzaga): Ó abre alas que eu quero passar/Ó abre alas que eu quero passar/Eu sou da Lira, não posso negar/Ó abre alas que eu quero passar/Ó abre alas que eu quero passar/Rosa de Ouro é quem vai ganhar.

    As Pastorinhas (João de Barro/Noel Rosa): A estrela d’alva/No céu desponta/E a lua anda tonta/Com tamanho esplendor/E as pastorinhas/Pra consolo da lua/Vão cantando na rua/Lindos versos de amor/Linda pastora/Morena, da cor de Madalena/Tu não tens pena/De mim, que vivo tonto com o teu olhar/Linda criança/Tu não me sais da lembrança/Meu coração não se cansa/De sempre e sempre te amar.

    Estrela-do-Mar (Marino Pinto/Paulo Soledade): Um pequenino grão de areia/Que era um pobre sonhador/Olhando o céu viu uma estrela/E imaginou coisas de amor ô-ô-ô/Passaram anos, muitos anos/Ela no céu, ele no mar/Dizem que nunca o pobrezinho/Pode com ela encontrar./Se houve ou se não houve alguma coisa entre eles dois/Ninguém soube até hoje explicar/O que há de verdade é que depois, muito depois/Apareceu a estrela-do-mar.

    Máscara Negra (Zé Kéti/Hildebrando Matos): Tanto riso/Oh, quanta alegria/Mais de mil palhaços no salão/Arlequim está chorando pelo amor da Colombina/No meio da multidão./Foi bom te ver outra vez/Tá fazendo um ano/Foi no carnaval que passou/Eu sou aquele Pierrô/Que te abraçou/Que te beijou, meu amor/Na mesma máscara negra que esconde teu rosto eu quero matar a saudade/Vou beijar-te agora/Não me leve a mal/Hoje é carnaval.

    Bandeira Branca (Max Nunes/Laércio Alves): Bandeira branca, amor/Não posso mais/Pela saudade que me invade/Eu peço paz./Saudade, mal de amor, de amor/Saudade, dor que dói demais/Vem meu amor/Bandeira branca/Eu peço paz.

    A Lua é dos Namorados (Klécius Caldas/Armando Cavalcanti): Todos eles estão errados/A lua é dos namorados/Todos eles estão errados/A lua é dos namorados/Lua, oh lua/Querem te passar pra trás/Lua, oh lua/Querem te roubar a paz/Lua que no céu flutua/Lua que nos dá luar/Lua, oh lua/Não deixe ninguém te pisar.

    Até Quarta-Feira (Humberto Silva/Paulo Sette): Este ano não vai ser igual àquele que passou/Eu não brinquei/Você também não brincou/Aquela fantasia que eu comprei ficou guardada/E a sua também ficou pendurada/Mas este ano, tá combinado/Nós vamos brincar separados/Se acaso meu bloco encontrar o seu/Não tem problema, ninguém morreu/São três dias de folia e brincadeira/Você pra lá, eu pra cá/Até quarta-feira/Lá, lá, lá, lá, lá, lá/Lá, lá, lá, lá, lá, lá/Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá.

    Confete (David Nasser/Jota Júnior): Confete, pedacinho colorido de saudade/Ai, ai, ai, ai/Ao te ver na fantasia que usei/Confete, confesso que chorei./Chorei porque lembrei o carnaval que passou/Aquela Colombina que comigo brincou/Ai, ai, confete/Saudade do amor que se acabou.

    Rancho da Praça Onze (J. R. Kelly/Francisco Anísio): Esta é a Praça Onze tão querida/Do carnaval, a própria vida/Tudo é sempre carnaval/Vamos ver desta praça a poesia/E sempre em tom de alegria/Fazê-la internacional./A praça existe/Alegre ou triste/Em nossa imaginação/A praça é nossa/E como é nossa/No Rio quatrocentão./Este é o meu Rio boa praça/Tantas praças que ele tem/Vamos, da zona norte à zona sul/Deixar a vida toda azul/Mostrar na vida o que faz bem/ Praça Onze, Praça Onze.

    A Lua É Camarada (Klécius Caldas/Armando Cavalcanti): A noite é linda nos braços teus/É cedo ainda pra dizer adeus/A noite é linda nos braços teus/É cedo ainda pra dizer adeus/Vem, não deixes pra depois, depois/Vem, que a noite é de nós dois, nós dois/Vem, que a lua é camarada/Em teus braços quero ver/O sol nascer.

    Malmequer (Newton Teixeira/Cristóvão de Alencar): Eu perguntei a um malmequer/Se meu bem ainda me quer/E ele então me respondeu que não/Chorei, mas depois eu me lembrei/Que a flor também é uma mulher/Que nunca teve coração./A flor mulher/Iludiu meu coração/Mas, meu amor/É uma flor ainda em botão/O seu olhar/Diz que ela me quer bem/O seu amor/É só meu, de mais ninguém!

    Dama das Camélias (João de Barro/Alcyr Pires Vermelho): A sorrir você me apareceu/E as flores que você me deu/Guardei no cofre da recordação/
    Porém, depois você partiu/Pra muito longe e não voltou/E a saudade que ficou/
    Não quis abandonar meu coração/A minha vida se resume/Ó, Dama das Camélias/
    Em duas flores sem perfume/ Ó Dama das Camélias.

    Primavera no Rio (João de Barro): O Rio amanheceu cantando/Toda a cidade amanheceu em flor/E os namorados vêm pra rua em bando/Porque a primavera é a estação do amor./Rio, lindo sonho de fadas/Noites sempre estreladas e praias azuis./Rio, dos meus sonhos dourados/Berço dos namorados/Cidade da Luz/Rio, das manhãs prateadas/Das morenas queimadas ao brilho do sol/Rio, é cidade desejo/Tens a ardência de um beijo em cada arrebol.

    Rasguei Minha Fantasia (Lamartine Babo): Rasguei a minha fantasia/O meu palhaço cheio de laço e balão/Rasguei a minha fantasia/Guardei os guizos no meu coração/Fiz palhaçada o ano inteiro sem parar/Dei gargalhada com tristeza no olhar/A vida é assim, a vida é assim/O pranto é livre, eu vou desabafar/Tentei chorar, ninguém no choro acreditou/Tentei amar e o amor não chegou/A vida é assim, a vida é assim/Comprei uma fantasia de Pierrô.

    Seguindo os passos de Ó Abre Alas, um incontável número de belíssimas marchas-rancho foi surgindo. A maior parte dos compositores tem em seu repertório pelo menos uma música no gênero. E o melhor de tudo: elas continuam vivas, dentro ou fora dos festejos carnavalescos.

    Alguns outros exemplos que se fixaram na memória dos amantes desse estilo musical são: Estão Voltando as Flores (Paulo Soledade);;;;;;;; Rancho das Namoradas (Ary Barroso/Vinicius de Moraes);;;; Marcha da Quarta-Feira de Cinzas (Vinicius de Moraes/Carlos Lira);;;; Rancho das Flores (J. S. Bach/Vinicius de Moraes);;;; Bloco da Solidão (Evaldo Gouveia/Jair Amorim);;;; O Trovador (idem);;;; Rancho da Goiabada (João Bosco/Aldir Blanc);;;; Porta Estandarte (Geraldo Vandré/Fernando Lona);;;; Noite dos Mascarados (Chico Buarque);;;; Avenida Iluminada (Newton Teixeira/Brasinha);;;; Cidade Brinquedo (Silvino Neto/Plínio Bretas);;;; Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua (Sérgio Sampaio) e A Praça (Carlos Imperial).

    Bete Bissoli é jornalista e compositora
    Este artigo foi publicado no jornal A Tribuna de São Pedro, no carnaval de 2011

    Colaboração de Bete Bissoli

  4. leysiane disse:

    O carnaval de antigasmenteera mais rigido, mais os de hoje so rola o que nao presta, pois quem faz on carnaval é voce´entao tem que saber curte, aproveitar sem bagunca

  5. alice disse:

    concordo com Rosane não vivia nos carnavais de antigamente mais agora o carnaval é uma festa para o diabo com sexo,drogas , cervejas, álcool,muita violencia sei que se continuar todas essas pessoas estaram perdidas em ves de ler a biblia não fica mostrando os peitos, as bundas e as parte indevidassei que não articipei dos carnavais de antigamente mais pelo que eu sei e mmmmmmmmmmuuuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiitttttttttoooooooo melhor do que o de hoje!

  6. RAIANY disse:

    HUM ESSA HISTORIA E LEGAL

  7. daiana teles da silva disse:

    eu acho esse ite sobre o carnaval o ,maximo eu adoro o carnaval as danças;as marchinhas etc….amuamuamu

  8. tainara disse:

    eu como uma pesquisadora gostei

  9. Honório Tonial disse:

    Aproveitando o tema : CARNAVAL surpreendeu-me o repórter Datena ao proclamar, alto e bem som que os Senadores e Deputados “ganharam 13 ( treze ) dias de férias” pela passagem da data.Gostaria de ser informado se a “justificada folga” foi ou não remunerada,
    Viva o salário mínimo brasileiro
    .!

  10. João Cirino Gomes disse:

    De que, antigamente existia mais respeito pelas leis ninguém duvida!

    Nem deve duvidar: de que, com o progresso desordenado, chega o comércio, trazendo a ganância e a exploração!

    E com o progresso, chega os cofres públicos, carente para os políticos e insaciável para a população!

    Que passa a viver tão perto de justiça, quanto da lua no firmamento!

  11. Amadeu Pereira dos Santos disse:

    Acho que a expressão “A fila anda” pode sugerir outra expressão: “O mundo muda”. Parece que tudo nessa vida está em constante ebulição. É natural que a gente sinta saudade de muita coisa já vivida, mas, pensando bem, é melhor assim. O problema é que o povo, embora saiba que tudo está sujeito à transformações, ninguém se prepara para adaptar-se ao novo. E parece que as mudanças acontecem de modo sincronizado: A preferência por ritmos musicais um pouco mais acelerados parece acompanhar, por exemplo, à pressa com que o povo caminha pela rua. Isso pode ficar mais evidente se imaginarmos o corre-corre do povo nas capitais tendo como fundo musical a potente mas sonolenta voz de Vicente Celestino cantando O Ébrio. Ou então ouvindo Tonico e Tinoco executando a clássica Mula Preta.

  12. sujeito oculto. disse:

    minha opimião ,quem diz que o carnaval de antigamente éra melhor, é como eu que sou velho e não temho espaço no meio dos jovens,mas hoje apesar dos riscos maiores de acidentes é muito melhor em todos os sentidos, menos sensura.MAIS LIBBERDADE!!!!!!!

  13. bruna disse:

    o carnaval no brasil é sem duvida o melhor do mundo
    nem se compara a outro qualquer.
    valeu

  14. marlyson paulo avelar de assis disse:

    eu acho q o carnaval e muito deferente num tem bloco nas ruas etc.

  15. vanessa disse:

    tam acho que o carnaval era bem diferente de hoje

  16. Matheus Benjamim Coelho Santos disse:

    Eu achei o timo . Eu preferia o carnaval de antigamente muito todas pessoas que tem ta vase as mesmas coisa de antigamente

  17. kris disse:

    eu adorei muito

  18. aninha disse:

    eu acho ruin eu acho legal

  19. ANA VITORIA disse:

    eu acho bom os comentarios . e legal

  20. camila disse:

    Carnaval e a festa profona antiga que se tem registro;ja existe a mais de tres mil de anos

  21. Bete Bissoli disse:

    Muito legal o site, supervariado!
    Será que tem espaço pra publicar nele um artigo meu sobre marchinhas carnavalescas?
    “A História Pelas Marchinhas” é o título. Ela foi publicada neste carnaval, que acaba de acabar. O artigo faz uma análise de letras de marchinhas. O jornal que publicou: A Tribuna de São Pedro. Meu nome é Bete Bissoli, sou compositora (ver procura do Google e youtube) e jornalista. Se for possível, me digam como enviar minha matéria. Agradecida. Parabéns pelo site!!! Bete

  22. Brenda disse:

    e uma boa resposta!!

  23. Victória O. Azevedo disse:

    Boa de mais.Já até adicionei nos favoritos!
    Sempre que eu tiver que procurar alguma coisa do meu trabalho de pesquisa, eu vou vir nesse site…
    Algum outro dia eu , virei nese SITE pois é muito bom
    Beijos e Xau!!!

  24. vera lucia disse:

    Tudo de bom é o desfile das Escolas Culturais Mirins; uma pena que "celebridades", com exceção de alguns como Beth Carvalho o prestigie. Eles não entendem a "resistência" dessas crianças que enfrentam violencia diária e constante.

  25. gabi disse:

    otima materia adorei

  26. regina disse:

    boa proposta

  27. Evandro Correia disse:

    As ruas aqui do Rio de Janeiro estão intransitáveis por causa dos malditos "blocos de carnaval". Isso devia ser proibido.

  28. Maria disse:

    Otima matéria! Carnaval é tudo de bom

  29. Celso Rodrigo Branicio disse:

    Muito boa esta matéria, realmente temos de resgatar os velhos carnavais, a sociedade tem de achar um meio de conviver pacificamente com a profissionalização do carnaval, porém, preservando a participação popular e das comunidades que de fato dão sustentação a realização desta festa que é acima de tudo popular e não pode perder este laço, pois, estaria fadada a acabar.

    Os verdadeiros foliões tem direito a participar do carnaval, e os preços de arquibancadas deveriam ser mais baixos para facilitar a participação de todos, nada contra camarotes para Vips, mas temos de disponibilizar espaço para todos as pessoas de todas as classes, afinal é uma festa popular e deve a priori dar chance de participação a toda a população, não só participando efetivamente do desfile para aqueles que gostam mas assistindo ao vivo na avenida.

    Gostaria de levantar uma outra polêmica e saber a opinião de nossos colegas leitores, que é o fato de que com todos estes problemas e a ligação do carnaval atual a pornografia, tráfico de drogas e sexo, isto acabou gerando um estigma de que carnaval é coisa do demônio, de que não presta e é inadequado para pessoas tidas como politicamente corretas, ou religiosas, ou para as famílias, sendo assim temos verificado entre os evangélicos e também entre os católicos e espíritas e outras religiões a criação cada vez mais de retiros espirituais no período do carnaval, nada contra afinal ninguém é obrigado a gostar de carnaval, mas estes retiros estão crescendo cada vez mais e em algumas cidades do interior o carnaval esta praticamente se acabando ou se desvirtuando com a substituição do Axé Music pelas antigas marchinhas e sambas.

    Os clubes sociais e esportivos que faziam carnaval de salão normalmente não estão fazendo mais e alguns só fazem matinês para a criançada só para manter a tradição, não seria à hora da sociedade se organizar e reverter esta tendência, visto que se o carnaval de hoje não é mais adequada para as famílias e atrapalha a formação moral de jovens, ele deveria ser resgatado em suas raízes conforme era antigamente ou pelo menos uma adaptação preservando a parte cultural, afinal um povo que não dá valor a sua cultura esta fadado a acabar, basta verificarmos como isto é danoso pegando como exemplo os índios quando se misturam aos homens brancos e perdem seus costumes e suas tradições eles são absorvidos pela civilização dos homens brancos e deixam de existir como povo depois de algum tempo.

    Temos de preservar nosso folclore e nossa cultura em geral, isto é acima de tudo importante até mesmo para a união pacifica de nosso povo e que cada região possa voltar a fazer o carnaval com a participação desde crianças a idosos sem discriminação ou ligação do carnaval com sexo ou o submundo do crime e da prostituição, é claro que algumas regiões como o nordeste que tem hábitos um pouco diferentes do nosso, o problema não é tão grave, mas na região sudeste, sul e centro-oeste o caso está se tornando cada vez mais grave e requer mudanças urgentes principalmente nas cidades do interior para podermos preservar uma de nossas maiores riquezas culturais reconhecida no mundo todo como o maior espetáculo do planeta.

    CELSO RODRIGO BRANICIO – BARRETOS-SP
    (Acadêmico de Educação Física da Universidade de Brasília pelo sistema UAB – Pólo de Barretos-SP)

  30. MARKUT disse:

    A frequência com que aparece o "adorei a matéria" deixa claro como este assunto toca na alma popular.
    Sorte de quem nos governa, pois isso demonstra a força dessa válvula de escape que é o carnaval, junto com o futebol e a TV.

  31. creuza disse:

    Muito boa a matéria, fiquei ouvindo as marchinhas antigas, que coisa boa, parabéns!

  32. elcilene gomes lacerda disse:

    parabéns adorei a materia me ajudou muito a fazer o trabalho com meu filho.

  33. Renata Dias disse:

    Precisava fazer uma pesquisa de escola p/ minha filha,e conseguí resolver pesquisando somente aqui. Parabéns!!!

  34. Jéssica disse:

    Adorei…..
    Td isso é como eu precisava….
    Está td muito bem detalhado….
    Parabéns!!!

  35. Bárbara disse:

    Parabéns gostei mto da matéria de vcs

  36. Eliane disse:

    mt boa a matéria

  37. Iraneide disse:

    A matéria está demais…..
    Auxiliou muito na pesquisa que meu filho está fazendo.
    PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!!!!

  38. carol disse:

    achei d+!! agora eu pude achar varias informacoes para fazer o meu trabalho de escola parabens!!!!

  39. Ro disse:

    Tamyres, "interessante" é a palavra.
    Gostaria que fosse descrito com mais detalhes o Carnaval de hoje.

  40. Elsa disse:

    vou ter a nota mais alta da turma!!!tudo por causa disto…

  41. TAMYRES disse:

    Gostei da matéria por nos fornece imformações intereçantes,parabéns!!!!!!!!!

  42. amanda disse:

    adorei a matéria

  43. Marina disse:

    Adorei a matéria Yohana! Parabéns a você pela apuração e ao Opinião e Notícia também!

  44. Heitor disse:

    Adorei a matéria! Informações completas, objetivas e de grande valia pra pesquisa que estou fazendo sobre assunto!!!
    Está de parabéns!

  45. marcela disse:

    eu gostei muito pois achei o que eu queria obrigado!!!!!!!!

  46. daiane disse:

    eu tenho sauddades do carnaval antigo com marchinha td mundo muito alegre dançando cantando as machinha td mundo muito feliz beijos tchau

  47. Bruna Barros disse:

    esta materia, me fez relembar,dos tempos mais felizes do carnaval antigo.
    adorei.

  48. D@ni disse:

    eu adorei muito bom

    meu trabalho vai ficar

    10!!!!!!!

  49. Ilan Reismann disse:

    Ótima matéria! Muito bem apurada!

  50. chodishflk disse:

    eu adorei