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A revista O Cruzeiro foi criada em um contexto histórico em que surgiam os primeiros conglomerados de imprensa e o jornalismo tinha o caráter sensacionalista. Em 10 de novembro de 1928 foi publicado o primeiro número da revista, que trouxe inovações gráficas e editoriais para a imprensa brasileira, como a indicação do tempo que seria gasto pelo leitor para a leitura de cada texto.
Pertencente aos Diários Associados, grupo de Assis Chateaubriand, a revista era de publicação semanal, a primeira a abranger todo o território nacional, e possuía repórteres em todo país e correspondentes internacionais. Eram inúmeros os assuntos abordados pelo veículo: cinema, esportes e saúde, charges, política, culinária, moda, crônicas, coluna social.
O Cruzeiro misturava realidade e ficção e abrigava os melhores jornalistas do País. Uma dupla de sucesso que se formou na revista foi David Nasser, o repórter mais conhecido dos anos 50, e o fotógrafo francês Jean Manzon. Juntos arranjavam, produziam e ilustravam matérias impactantes.
Em outubro de 1943 a revista começou a publicar as histórias do Amigo da Onça, criadas pelo cartunista Péricles de Andrade Maranhão. O personagem, que se transformaria em um dos mais populares do país, fazia críticas a muitas situações como o casamento, o exército e a hipocrisia social. A seção Pif-Paf esteve por mais de dez anos na revista O Cruzeiro, assinada por Millôr Fernandes como Vão Gôgo. Em 1954, a matéria sobre o suicídio de Getúlio Vargas levou a revista a atingir a tiragem de 720.000 exemplares.
Com o regime militar e a ascensão de outros conglomerados, como as Organizações Globo – os Diários Associados começaram a perder seu prestígio. O desuso de suas fórmulas e o surgimento de novas publicações como Manchete e Fatos & Fotos também contribuíram para o fim da revista em julho de 1975. A última edição trouxe na capa o jogador Pelé, vestido de Tio Sam.