Início » Cultura » Arquitetura » O delírio de um arquiteto em Pequim
China

O delírio de um arquiteto em Pequim

Nenhum edifício conseguiu retratar a capital chinesa como uma cidade do futuro tão bem quanto o prédio da sede da televisão estatal, do arquiteto holandês Rem Koolhaas

O delírio de um arquiteto em Pequim
O prédio da CCTV tem uma forma contorcida e um enorme vazio no centro. (Fonte: OMA)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

É difícil pensar em um projeto de arquitetura mais controverso que o edifício da CCTV, a sede da Televisão Central da China, em Pequim.

Depois que o holandês Rem Koolhaas, o arquiteto do projeto, apresentou sua maquete em 2003, ele foi atacado por jornalistas ocidentais que o acusaram de glorificar um órgão de propaganda do governo chinês. Alguns anos mais tarde um incêndio no local quase destruiu um prédio vizinho, também projetado por Koolhaas, levando o diretor do projeto e outros 19 à prisão por negligência e atrasando significativamente a construção.

Há algo sobre a aparência do edifício que parece perturbar as pessoas. Quando a construção foi reiniciada após o incêndio, um crítico chinês publicou um artigo dizendo que a forma contorcida do edifício, com um enorme vazio em seu centro, imitava uma imagem pornográfica de uma mulher nua em quatro apoios. O artigo desencadeou uma tempestade de opiniões negativas, forçando Koolhaas a divulgar uma nota desmentindo a suspeita.

Imponência e simbolismo

Apesar das críticas, a sede da CCTV pode ser a maior obra de arquitetura construída no século XX. Koolhaas sempre se interessou em fazer edifícios que expõem as energias conflitantes na sociedade, e o prédio da CCTV é a expressão máxima desse objetivo, começando com o simbolismo de seu exterior.  Monumental e angular, mas ao mesmo tempo estranhamente elusivo e harmônico, o edifício é uma das obras mais sedutoras e poderosas da arquitetura moderna.

O arquiteto holandês Rem Koolhaas

O que mais prende a imaginação é a ideia que o edifício representa sobre este período particular da história. Koolhaas criou uma declaração arquitetônica eloquente sobre a forma como a China avança para o futuro  e, de um modo mais geral, sobre como é a vida no mundo desenvolvido no início do século 21. O prédio captura nossa época tão bem quanto as grandes obras dos primeiros modernistas capturaram a era em que viveram.

 

 

Fontes:
Thw New York Times - Koolhaas, Delirious in Beijing

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *