Início » Cultura » O futuro das relações sino-japonesas
LIVRO

O futuro das relações sino-japonesas

Um novo livro analisa a longa rivalidade regional entre a China e o Japão, bem como as tensões crescentes entre os dois países

O futuro das relações sino-japonesas
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e o presidente chinês, Xi Jinping (Fonte: Reprodução/Getty Images)

A China e o Japão têm sido rivais regionais há pelo menos um milênio, mas as guerras só começaram no final do século XIX. Antes, eles compartilharam a arte, a escrita, o confucionismo e o budismo, apesar da recusa da maioria dos governantes japoneses em prestar homenagem aos imperadores chineses, como os outros vizinhos. Porém, de 1895 a 1945, as guerras se sucederam e é esse legado de hostilidade que afeta os vínculos sino-japoneses atuais.

Em Asia’s Reckoning: China, Japan and the Fate of US Power in the Pacific Century, Richard McGregor descreve as relações triangulares do pós-guerra entre a China, o Japão e os Estados Unidos. No início a China e o Japão adotaram uma política conciliatória de convivência. Mao Tsé-Tung renunciou às reivindicações de reparação de guerra e não discutiu questões territoriais.

No entanto, na década de 1980 os atritos causados pelos crimes de guerra cometidos pelo Japão na China e a recusa dos japoneses em reconhecer os erros do passado intensificaram-se. Após o massacre da Praça da Paz Celestial em 1989, as críticas ao Japão desempenharam um papel central no fortalecimento do nacionalismo chinês. Por sua vez, a hostilidade em relação à China e o revisionismo histórico também reforçaram o sentimento nacionalista japonês.

Citando uma antiga frase maoista, os dois países são apenas tigres de papel ou as tensões podem resultar em novas guerras? McGregor tem uma posição privilegiada para responder a essa pergunta. Nascido em Sydney, McGregor trabalhou como jornalista do Financial Times em Tóquio e em Pequim, e usou ambas as línguas em seu trabalho. Por isso, teve acesso a uma grande variedade de documentos, com um olhar de quem conhece a complexidade da história e da sociedade dos dois países.

A leitura de sua narrativa sobre as relações e contatos entre os principais políticos e os responsáveis por diretrizes políticas dos dois países, e da interação dos EUA com o Japão e a China, é instigante. É curioso saber que os americanos, de Henry Kissinger a Barack Obama, achavam seus aliados japoneses mais irritantes e difíceis de entender do que as autoridades chinesas, embora o crescimento econômico da China seja um desafio ao poder hegemônico dos EUA.

Entretanto, essa abordagem da história é, sob certos aspectos, superficial. Assim como os noticiários da televisão muitas vezes ignoram fatos e ideias se não houver imagens de vídeo para acompanhá-los, Asia’s Reckoning não se detém na análise do contexto mais amplo dos conflitos asiáticos, como as tensões entre a Coreia do Norte e a do Sul, e o frágil equilíbrio estratégico na península coreana.

O último teste nuclear da Coreia do Norte em 3 de setembro mostrou que os norte-coreanos representam uma ameaça real à paz no Leste Asiático, e não que o estopim do conflito bélico seja a disputa territorial entre o Japão e a China referente à posse de pequenas ilhas no Mar da China Oriental, ou a visita de autoridades japonesas ao Santuário de Yasukuni em Tóquio, que homenageia, entre outros, os militares condenados por crimes de guerra depois da derrota do Japão na guerra.

Fontes:
The Economist - Brothers in arms: The future of Sino-Japanese relations

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *