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O hotel no centro de tudo

Recém-lançado livro ‘Meia-noite no Palácio Pera’ conta a história de Istambul, um dos lugares mais sedutores do mundo

O hotel no centro de tudo
É claro que a história do Pera Palace, que foi construído em 1892, é contada no contexto mais amplo da história turca e europeia (Reprodução/Alamy)

O livro examina uma fatia relativamente curta da história - desde os tempos otomanos ao final da Segunda Guerra Mundia (Reprodução/Internet)

A “Rainha das Cidades”, como Istambul era conhecida na época bizantina, estava perfeitamente situada entre continentes, culturas e mares. Istambul pode ter sido um grande e antigo centro da civilização, mas não há nada de sereno ou eterno sobre o lugar.

A cidade foi abalada por alterações repentinas na sua paisagem física e cultural, graças tanto à violência humana como a atos de Deus. Istambul sofreu cercos, massacres, terremotos e incêndios deliberados e acidentais. Entre 1569 e 1918 a cidade foi transformada por pelo menos 16 incêndios enormes.

Charles King, um historiador da Universidade de Georgetown, escolheu uma fórmula inusitada para capturar essa volatilidade estonteante. Seu livro “Meia-Noite no Palácio Pera” examina uma fatia relativamente curta da história – desde os tempos otomanos ao final da Segunda Guerra Mundial e suas consequências imediatas – através das lentes de um pequeno estabelecimento: um hotel que em vários momentos foi símbolo de luxo, elegância decadente, mediocridade e até conspiração.

É claro que a história do Pera Palace, que foi construído em 1892, é contada no contexto mais amplo da história turca e europeia. A lente de King se alterna habilmente entre close-ups e uma visão mais ampla. Com vinhetas agradáveis, ele explica como os proprietários e hóspedes do hotel mudaram junto com a cidade e o país.

King traça a prosperidade de alguns, especialmente as minorias cristãs às vésperas da Primeira Guerra Mundial, a humilhação sofrida pelos muçulmanos diante da ocupação dos Aliados após a guerra, o influxo de russos pobres (um episódio geralmente negligenciado) e a vingança dos nacionalistas turcos que tentaram refazer uma metrópole impetuosa em seu próprio molde monocultural.

King traça os humores contrastantes da cidade: a melancolia conhecida como huzun que compete com um impulso hedonista e descontraído chamado de keyif por turcos e gregos.

Se há um tema que permeia essa narrativa rica e estimulante é a busca permanente – e muitas vezes tragicamente mal-sucedida –  por meios através dos quais as diferentes comunidades da cidade poderiam compartilhar o mesmo disputado espaço.

 

Fontes:
The Economist-City lights

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