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O poeta e outras crônicas de literatura e vida, de Rubem Braga

Os mais diversos personagens do mundo da literatura desfilam pelas páginas deste livro na visão do irônico e insuperável cronista, um expoente máximo da crônica no Brasil

O poeta e outras crônicas de literatura e vida, de Rubem Braga
Rubem Braga dedicou-se desde jovem ao jornalismo (Foto: Reprodução/Global Editora)

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Nas redações de jornais e revistas de várias cidades brasileiras em que trabalhou, e durante sua experiência como sócio na Editora do Autor e na Editora Sabiá, Rubem Braga teve a oportunidade de conviver com figuras importantes do mundo da literatura.

Assim, em O poeta e outras crônicas de literatura e vida, uma coletânea de 25 crônicas, inéditas em livro, lançada pela Global Editora, Rubem Braga, com seu humor característico, narra fatos pitorescos, momentos compartilhados, peculiaridades etc. de personagens tão diferentes como Monteiro Lobato, Augusto Frederico Schmidt, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Graciliano Ramos, entre outros nomes eternizados nas crônicas deste livro.

Em “O Poeta”, Rubem Braga diz com lirismo que a poesia de Carlos Drummond de Andrade é “o ouro das nuvens, o licor dos sonhos e o diamante da mais pura poesia”. Na crônica sobre Clarice Lispector ele se surpreende com o forte sabor carioca de seus contos e dos personagens tão identificados com o Rio, como “a portuguesinha preguiçosa e lúbrica que só poderia morar na rua do Riachuelo e jantar com vinho verde na praça Tiradentes”. Clarice Lispector, nascida na Ucrânia e criada no Recife, era em suas palavras uma “grande contista carioca”.

Na crônica “Stanislaw Ponte Preta”, Rubem Braga relembra passagens da vida de Sérgio Porto, o jornalista boêmio que passou grande parte de sua vida atrás da máquina de escrever fazendo textos os mais diversos, ao receber um exemplar de seu último livro, O país do crioulo doido, publicado após sua morte. Esse humorista irreverente, que desafiou o regime militar com suas críticas bem-humoradas, “deixou pelo menos dois personagens vivos: tia Zulmira, a sábia senhora da Boca do Mato, e o nefando primo Altamirando”, escreveu o cronista. E saudade entre os leitores do Febeapá – O festival de besteira que assola o país publicado com o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta.

As crônicas estendem-se, com uma verve especial, ao longo de 87 páginas. Mas esse observador profundo da vida e dos seres humanos, em sua crônica “Dantas”, publicada em 1953, na qual descreve a experiência de trabalho com Orlando Dantas no Diário de Notícias, termina o texto com uma frase que não poderia ser mais atual, “Mas era uma figura rara, uma presença confortadora neste pequeno mundo de equívocos e fraquezas, de transigências e misérias que é a vida pública do Brasil”.

Rubem Braga nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, em 1913, e dedicou-se desde jovem ao jornalismo. Após morar no exterior e em diversas cidades brasileiras, instalou-se no Rio de Janeiro, onde sua casa se tornou um ponto de encontro famoso da intelectualidade carioca.

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