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Tecnologia Japonesa

O Zen e a arte de fazer carros

As empresas japonesas são conhecidas por sua técnica de produção. Mas elas precisam também de exibicionismo

O Zen e a arte de fazer carros
Para japoneses engenharia é uma paixão quase religiosa (Reprodução/The Economist)

No Japão, as empresas são feitas para durar. A empresa mais antiga do país é uma construtora, a Kongo Gumi, que foi fundada em 578. Mais de 14 séculos depois, a empresa se atém à sua atividade central: a manutenção de templos budistas em Osaka. Muitas empresas japonesas também têm lemas que os seus empregados entalham em seus corações. Temas comuns incluem longevidade, consistência e integridade. A perseguição do lucro destituída de outro propósito ainda é desaprovada, como assoar o nariz em público.

Neste mundo intocado, fazer coisas é considerado mais virtuoso do que vendê-las. No Japão, a engenharia é reverenciada com uma paixão quase religiosa; com efeito, a ideia de que tudo pode ser amorosamente ajustado à perfeição deve algo ao zen-budismo. Muito menos atenção é devotada ao marketing. Os negócios japoneses precisam passar a dominar a arte da narrativa.

A Toyota, a maior montadora do Japão, exemplifica o culto ao engenheiro. Um porta-voz recentemente explicou longamente como um fornecedor havia inventado um novo volante para o Lexus GS450 feito de bambu polido à mão. A conversa então foi parar no budismo do século VIII – um assunto incomum no mercado mundial de carros. O objetivo do porta-voz era mostrar como o artesanato antigo, com profundas raízes na cultura japonesa, é também parte integrante da Toyota. A mensagem subliminar era de que somente no Japão a Toyota poderia criar o carro perfeito – e que tal qualidade vende a si mesmo.

Essa ideia funcionou por muitos anos e para muitos fabricantes japoneses, mas hoje em dia os produtos japoneses são mais difíceis de serem vendidos. O yen forte os tornou mais caros. Os rivais sul-coreanos foram mais rápidos em investir em novas ideias, adotar novas tecnologias e pagar a seus fornecedores. O murchante mercado doméstico do Japão tornou mais difícil às empresas dependerem do seu caprichoso consumidor local como um formador de gostos.

Fontes:
The Economist - Zen and the art of carmaking

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