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Cultura

Outono em Paris

Nesta semana vamos interromper nossa série sobre a viagem de Fernando Magalhães à Espanha para darmos uma notícia quente, direta de Paris. Fernando está lá e manda algumas notícias do momento.

A grande exposição Picasso

O Opinião e Notícia já tinha falado desta tripla exposição. Veja aqui.
O texto de 13/10/2008 dizia:

""Picasso e os Mestres"

A mostra ficará em exibição até o dia 2 de fevereiro de 2009 no Grand Palais, no Louvre e no Museu d'Orsay, em Paris. Trata-se de uma oportunidade única para quem quiser ver algumas das obras do mestre do cubismo, Pablo Picasso, e de grandes pintores que o inspiraram.

No total são cerca de 210 trabalhos de artistas como El Greco, Goya, Ingres, Manet, Poussin, Rembrandt, Renoir, Van Gogh, Velázquez e outros.

As obras vieram de coleções do mundo inteiro. No Grand Palais, que abriga a maior parte da exposição, são dez salas dedicadas a dez temas, onde ficarão expostos desde auto-retratos a nus."

Chegamos a Paris animados para ver as três. Hoje em dia consegue-se comprar e até reservar visita com hora marcada pela internet — com uma grande vantagem, não precisa enfrentar as filas que chegam a demorar mais de duas horas. Entrando na internet logo vimos que para esta pequena temporada o Grand Palais, que é o que realmente interessa, já está lotado.

Conseguimos comprar para o Museu d’Orsay, esse grande museu dotado de importante acervo, e localizado num edifício belíssimo, mas que neste caso está como o “primo pobre” do assunto. A pequena exposição se intitula “Picasso e Manet”, e limita-se a mostrar as dezenas de variações que Picasso fez em cima do famoso quadro “Dejeuner sur l’herbe” (Almoço sobre a relva), do pintor francês. É pitoresco constatar o grande interesse do pintor moderno espanhol, já no fim da sua vida, em 1960-62, pelo famoso quadro de um século antes. Mas, para quem não é especialista no assunto, é um pouco sem graça, extremamente repetitivo.

Napoleão e o Egito

Esta interessante exposição está no Instituto do Mundo Árabe, imponente prédio moderno situado à beira do Sena, na Rive Gauche. Perto do final do século XVIII o governo da Revolução Francesa mandou uma expedição invadir o Egito, para cortar as rotas de comércio da Inglaterra com a Índia. O comandante era um jovem militar de 29 anos que acabara de ser promovido a general devido a seu sucesso na invasão da Itália. Seu nome: Napoleão Bonaparte.

A campanha durou mais de dois anos. No começo foi bem e Napoleão mandava relatórios positivos que contribuíram para sua imagem de brilhante estrategista. Mas depois de algum tempo as coisas começaram a andar mal. Os franceses tinham de combater as tropas do Império Turco, que dominavam o Egito, e forças insurgentes locais que tentavam a independência. O futuro imperador da França aparentemente percebeu que não conseguiria uma vitória final e arranjou um pretexto para voltar para casa, ainda com a imagem de quem estava ganhando. Seu substituto acabou derrotado vergonhosamente.

Como a Europa tinha a noção de que o Egito tinha um passado rico em história, mas sabia muito pouco a respeito, a equipe de Napoleão incluía escritores, pintores e cientistas que tinham a missão de estudar e registrar tudo que pudessem sobre o país. O resultado é um grande acervo de livros e quadros muito interessantes.

Após a visita, almoçamos no restaurante libanês (boa comida, bom vinho libanês) que fica na cobertura do prédio, no nono andar, com uma belíssima vista sobre Paris. Como toda a região antiga da cidade é composta de prédios que não passam de quatro a seis andares, uma vista do nono andar permite ver tudo. Com um ângulo especialmente interessante de Notre Dame vista por trás.

Tristão e Isolda na Opéra Bastille

De 30 de outubro a 3 de dezembro a obra prima de Wagner está sendo levada na Ópera da Bastilha sob direção do famoso Peter Sellars (não confundir com o falecido ator Peter Sellers…). A novidade dessa montagem é que ao fundo do palco, em vez dos cenários tradicionais, são projetados vídeos de imagens baseadas na ópera, de autoria do também famoso Bill Viola. Sabendo que o espetáculo levava cinco horas, e não sendo fã de ópera, optei por não ir. Fernanda, que é entendida, foi e achou fenomenal.

Passeando de bicicleta

A cidade continua expandindo o programa “Vélib” de bicicletas de aluguel. Por toda parte existem os estandes de aluguel. É tudo computadorizado. Retira-se a bicicleta fazendo um depósito pelo cartão de crédito através do terminal existente. Pode-se devolver em qualquer outro estande, de maneira que o uso não é só para passeio, mas como meio de transporte. O parisiense pode pegar a bicicleta perto de casa e devolvê-la perto do trabalho. Ao devolver a gente registra a devolução no terminal, o depósito feito antes é automaticamente anulado e apenas o aluguel é cobrado. É possível pagar por hora ou fazer uma assinatura por uma semana ou período maior. O passeio é especialmente agradável aos domingos, quando trechos de pistas marginais do Sena, dos dois lados do rio, são fechadas para carros ficando exclusivas para pedestres, bicicletas e patins.

Desta vez percebemos um problema no sistema. Num feriado de sol todos querem ir para certos locais populares. No nosso caso foi a região de Saint-Germain, na Rive Gauche. Fernanda chegou lá para devolver a bicicleta e não havia vaga no estande. Tanta gente tinha ido para lá que ela teve de esperar vinte minutos até chegar alguém para pegar uma bicicleta e ela poder usar a vaga.

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3 Opiniões

  1. Benedito Lacerda disse:

    Se vocês precisarem mais alguém para escrever sobre viagens estou às ordens, cobro barato e prometo gastar menos que esse Fernando, que leva a mulher junto e come em lugares caros.

  2. Venustiano Carranza disse:

    Igualzinho ao Rio…

  3. Helio Cruz Kredu disse:

    o sr lacerda tem razão, a melhor viagem é sem a mulher, gasta-se a metade e diverte-se o dobro. Sugiro o Sr Fernando dar dicas brasileiras com o dólar a R$ 2,40, só na comitiva do Lula ou do Sergio Cobral, de graça, isto é, com o dinheiro do contribuinte… Enquanto sofremos aqui com enchentes no Rio de Janeiro este pessoal ganha diárias dos cofres públicos para passear.

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