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CRÍTICA

‘Quase Memória’, uma viagem pelas lembranças esquecidas

Novo filme de Ruy Guerra é uma adaptação do livro premiado de Carlos Heitor Cony

‘Quase Memória’, uma viagem pelas lembranças esquecidas
Encontro inesperado entre Carlos jovem e Carlos velho (Foto: Divulgação)

O tempo é uma ilusão e as lembranças se perdem no pântano da memória. São essas as ideias que regem o filme “Quase Memória”, de Ruy Castro, baseado no livro homônimo premiado de Carlos Heitor Cony.

O jornalista Carlos (Tony Ramos) não se lembra da história da sua vida por causa de sua idade avançada. No entanto, um encontro inesperado vai ajudá-lo a reviver suas quase memórias. Ele se encontra com sua versão jovem (Charles Fricks) e juntos tentam entender o motivo pelo qual o destino ou o acaso uniu os dois. A chegada de um misterioso pacote vai reavivar histórias antigas e talvez fazer os dois entenderem o porquê de estarem juntos ali. Afinal, ambos chegam à conclusão que o pacote só pode ter sido enviado por seu pai Ernesto (João Miguel), morto há anos.

Amigos de seu pai, como Mário Flores (Julio Adrião), Giordano (Antônio Pedro) e Seu Ministro (Flávio Bauraqui), além de membros da família, como a mãe Maria (Mariana Ximenes) e o avô Horácio (Cândido Damm), ajudam Carlos a relembrar fatos marcantes da vida de Ernesto. Aos poucos, os dois Carlos vão revivendo histórias antigas e se lembrando das inúmeras aventuras de seu pai.

Com uma trilha sonora regida por óperas, gênero preferido de Ernesto, o espectador é convidado a reviver as memórias do protagonista. Por vezes, os dois Carlos falam direto para câmera. Apesar de estarem falando consigo mesmo, isso faz com que o espectador se sinta ainda mais incluído na trama.

No quesito interpretação, João Miguel merece destaque. Ele consegue dar vida a Ernesto, que no livro é representado como um homem que sempre diz que fará grandes coisas no dia seguinte. Outro ponto forte são os diálogos, que vão de tiradas cômicas a reflexões profundas.

“Quase Memória” acerta ao investir no jogo de luz e sombra, que além de ajudar a criar o aspecto de memória, dá um ar dramático à trama. A forma como o início e o fim do filme se unem fecha a produção com chave de ouro. No geral, o filme é uma boa adaptação do livro e serve como homenagem à Carlos Heitor Cony, que morreu no início deste ano.

“Quase Memória” chega aos cinemas na próxima quinta-feira, 19.

Ficha técnica:

Diretor: Ruy Guerra
Roteiro: Ruy Guerra, Bruno Laet e Diogo Oliveira
Produtora: Janaina Diniz Guerra
Elenco: Tony Ramos, Charles Fricks, João Miguel, Mariana Ximenes, Julio Adrião, Antônio Pedro, Flávio Bauraqui e Cândido Damm
Ano: 2015
Gênero: dramédia
Classificação: 12 anos

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